O Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e especialistas do setor orientam os consumidores brasileiros sobre práticas de instalação, uso adequado e limpeza periódica para prolongar a vida útil dos eletrodomésticos. As medidas de manutenção preventiva reduzem o consumo de energia elétrica nas residências e evitam gastos não planejados com reparos ou substituições precoces de equipamentos que apresentam durabilidade média estimada em 10 anos.
A conservação dos aparelhos começa pela leitura do manual de instruções fornecido pela fabricante, documento que detalha a capacidade máxima de operação, o modo correto de utilizar cada recurso e a periodicidade recomendada para a troca ou higienização de peças. Antes de ligar qualquer máquina, o morador deve checar as condições da rede elétrica do imóvel, evitar a sobrecarga de tomadas e respeitar a tensão indicada no produto, restrição que só não se aplica aos modelos bivolt.
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Distância de 15 centímetros e cuidados específicos para geladeiras
No caso das geladeiras, um alerta publicado pelo Inmetro em 13 de janeiro de 2026 determina que o equipamento não deve ser instalado colado à parede ou em espaços estreitos. Os fabricantes indicam manter uma distância mínima de cerca de 15 centímetros em relação às paredes para garantir a ventilação adequada do compressor e do condensador. Em caso de mudança ou transporte do refrigerador, as instruções de movimentação descritas no manual precisam ser seguidas para impedir avarias estruturais.
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O uso diário do refrigerador também exige práticas específicas para não forçar o motor nem elevar o gasto de eletricidade ao longo dos meses. O consumidor não deve abrir a porta sem necessidade, guardar alimentos ainda quentes no interior dos compartimentos ou pendurar roupas para secar na parte traseira do aparelho, além de precisar remover periodicamente o acúmulo de poeira e gordura da serpentina traseira, peça técnica conhecida como condensador.
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Higienização de máquinas de lavar, fogões e ar-condicionado
Para os demais eletrodomésticos da casa, a conservação depende da proteção dos equipamentos em ambientes arejados, sem exposição direta ao sol quando houver essa restrição, e da limpeza regular de componentes que entram em contato com água, resíduos ou calor. A higienização não se limita às superfícies externas e internas, abrangendo sete estruturas principais que acumulam sujeira conforme o tipo de máquina:
- Reservatórios e compartimentos de armazenamento;
- Borrachas de vedação das portas;
- Sistemas de degelo e canais de drenagem;
- Mangueiras de condução de água ou gás;
- Filtros de retenção de ar ou de detritos;
- Cesto de lavagem e dispenser de sabão nas lavadoras;
- Braços aspersores responsáveis pela distribuição de água.
Cada categoria de aparelho demanda procedimentos próprios durante a rotina doméstica para prevenir o desgaste prematuro de motores, resistências e placas eletrônicas. Nas máquinas de lavar roupa de abertura superior e nos modelos lava e seca, o usuário precisa selecionar o ciclo correspondente ao peso das peças e sacudir tapetes e mantas antes da lavagem para retirar o excesso de poeira e resíduos sólidos. Em micro-ondas e fritadeiras elétricas do tipo air fryer, a remoção frequente de restos de comida e gordura impede manchas, falhas operacionais e o surgimento de ferrugem nas partes metálicas. Já os fogões e cooktops requerem revisão constante das conexões elétricas e da mangueira de gás, as lava-louças dependem de instalação nivelada e os aparelhos de ar-condicionado exigem montagem feita por técnicos especializados.
Regras do Inmetro e do Código de Defesa do Consumidor sobre durabilidade
Embora a durabilidade média estimada dos aparelhos domésticos gire em torno de 10 anos — tempo que varia conforme a categoria do bem, a qualidade de construção e os hábitos de uso da família —, não existe um tempo mínimo obrigatório de funcionamento fixado pelo governo federal. De acordo com uma nota técnica emitida pelo Inmetro em 2022, a autarquia não regulamenta o prazo de vida útil desses bens, tarefa que cabe exclusivamente a cada fabricante definir, enquanto a Portaria Inmetro nº 148/2022 estabelece apenas parâmetros de segurança e prevenção de acidentes.
Quando o equipamento apresenta defeitos de fabricação, a proteção legal do comprador está prevista no Código de Defesa do Consumidor, instituído pela Lei nº 8.078/1990. A legislação determina que o fornecedor responde pelos vícios de qualidade que tornem o produto impróprio ou inadequado ao consumo a que se destina, ou que diminuam o seu valor de mercado.
Quando acionar a assistência técnica para consertar eletrodomésticos
A identificação precoce de falhas evita que pequenos defeitos se transformem em danos permanentes ou exijam consertos de alto custo. O proprietário deve investigar imediatamente qualquer mudança brusca no padrão de funcionamento dos aparelhos, com atenção especial para o surgimento de ruídos incomuns, odores estranhos ou vazamentos de líquidos.
Diante de uma pane, a recomendação técnica é nunca tentar abrir ou consertar o eletrodoméstico por conta própria, mesmo que a falha pareça simples. Se o produto estiver dentro do prazo de garantia, o consumidor deve acionar diretamente a fabricante ou uma assistência técnica autorizada para não perder o direito à cobertura gratuita; caso o período de garantia já tenha expirado, o reparo deve ser confiado a um profissional qualificado.
