A Meta anunciou nesta segunda-feira (26) um plano para captar até US$ 95 bilhões (cerca de R$ 475 bilhões) por meio de sucessivas ofertas de ações, com o objetivo de reforçar o caixa e financiar a expansão de sua infraestrutura de inteligência artificial.
A operação começa com ofertas públicas de aproximadamente US$ 35 bilhões e prevê um programa adicional de até US$ 60 bilhões a partir de 2027, após o início das negociações de uma nova classe de ações sem direito a voto. Nvidia, AMD e Broadcom demonstraram interesse em adquirir até US$ 5 bilhões no total das ações ordinárias Classe A incluídas na primeira etapa. As indicações não são vinculantes.
Detalhes da oferta inicial de US$ 35 bilhões da Meta
A primeira fase reúne cerca de US$ 22,5 bilhões em ações ordinárias Classe A, vendidas por meio de acordos de venda a termo, e aproximadamente US$ 12,5 bilhões em recibos de depósito que representam ações preferenciais obrigatoriamente conversíveis. Morgan Stanley e Goldman Sachs lideram as ofertas. A Meta não recebe o dinheiro das ações ordinárias imediatamente; o valor entra no caixa quando os acordos a termo são liquidados, em datas que a empresa escolhe até 19 de novembro de 2027.
A segunda etapa depende do começo das negociações das ações Classe C, sem direito a voto, previsto para o primeiro trimestre de 2027. Essas ações serão distribuídas como dividendo em ações aos atuais detentores de Classe A e Classe B, em proporção de uma para uma, a partir de 19 de janeiro de 2027. A estrutura preserva o controle de votação de Mark Zuckerberg, fundador, presidente do conselho e diretor-executivo da Meta. Os termos e o cronograma do programa de venda no mercado aberto ainda não foram definidos.
Gastos de capital e pressão sobre o caixa
A captação ocorre enquanto a Meta eleva os investimentos para competir com OpenAI e Anthropic. A empresa elevou o piso da previsão de despesas de capital para 2026 de US$ 130 bilhões para US$ 135 bilhões. O teto permanece em US$ 145 bilhões. Os recursos financiam data centers, chips e capacidade de computação. A Meta constrói quatro superclusters, cada um com capacidade superior a 1 gigawatt, e espera praticamente dobrar a capacidade total de infraestrutura neste ano.
No terceiro trimestre, encerrado em 30 de setembro de 2026, a Meta registrou fluxo de caixa livre negativo de US$ 2,12 bilhões, o primeiro resultado negativo nesse indicador em mais de dez anos. No mesmo período do ano anterior, o fluxo havia sido positivo em US$ 10,63 bilhões. As despesas de capital, incluindo pagamentos de principal de arrendamentos financeiros, chegaram a US$ 34,91 bilhões no trimestre.
A companhia encerrou o período com US$ 82,45 bilhões em caixa, equivalentes de caixa e títulos negociáveis. A dívida de longo prazo somava US$ 80,92 bilhões. A receita do terceiro trimestre atingiu US$ 64,60 bilhões, acima da projeção de analistas de cerca de US$ 63,37 bilhões. Para o quarto trimestre, a Meta estima receita entre US$ 73 bilhões e US$ 76 bilhões.
Compromissos futuros e próximos passos
A Meta também assumiu compromissos de gastos futuros de aproximadamente US$ 825 bilhões, impulsionados principalmente por contratos e arrendamentos ligados a data centers, infraestrutura de IA e computação em nuvem. Parte desses valores inclui arrendamentos que ainda não começaram e contratos não canceláveis. A empresa informou que pretende financiar a expansão com fluxo de caixa operacional, dívida de grau de investimento, parcerias e capital próprio.
Nesta terça-feira (27), a Nvidia comunicou que investirá US$ 3 bilhões na oferta de ações da Meta. O anúncio aprofunda a relação entre as duas companhias na corrida por capacidade computacional para modelos de inteligência artificial. A Meta afirmou que os recursos apoiarão oportunidades emergentes em IA, incluindo a família de aplicativos, o agente Muse e os negócios de data centers. O programa maior de venda de ações Classe C ainda não tem acordo firmado.
