Carteira antiga pode corrigir CNIS e elevar aposentadoria do INSS

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Carteira de Trabalho, dinheiro, cédulas de 50 e 100 reais Foto: Carteira de Trabalho, dinheiro, cédulas de 50 e 100 reais - gustavomellossa/ Istockphoto.com

A carteira de trabalho antiga encontrada em casa pode servir de prova para incluir ou corrigir vínculos no Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e influenciar o cálculo da aposentadoria.

Um trabalhador de 65 anos, idade em que o homem urbano já cumpre o requisito etário da aposentadoria por idade, organizou documentos guardados e localizou uma CTPS que não consultava havia décadas. O documento pode comprovar empregos que não aparecem ou estão incompletos no extrato previdenciário.

O CNIS reúne os vínculos, as remunerações e as contribuições do segurado e é a base usada pelo INSS para reconhecer tempo de contribuição e calcular o valor do benefício. Divergências são comuns, principalmente em períodos anteriores à informatização plena dos registros.

CTPS tem presunção de veracidade mesmo fora do CNIS

A Súmula 75 da Turma Nacional de Uniformização dos Juizados Especiais Federais estabelece que a Carteira de Trabalho e Previdência Social sem defeito formal que comprometa sua fidedignidade goza de presunção relativa de veracidade e forma prova suficiente de tempo de serviço para fins previdenciários, ainda que a anotação não conste no CNIS.

Carteira de Trabalho, dinheiro, notas de 50 e 100 reais
Carteira de Trabalho, dinheiro, notas de 50 e 100 reais – Blossom Stock Studio/ Shutterstock.com

O artigo 29-A, parágrafo 2º, da Lei 8.213/1991 garante ao segurado o direito de solicitar, a qualquer momento, a inclusão, exclusão ou retificação de informações do CNIS mediante apresentação de documentos comprobatórios. A análise cabe ao INSS, que verifica se os períodos e salários podem ser reconhecidos.

Não há aumento automático do benefício. A correção só entra no cálculo depois que o órgão aceita as provas e atualiza o cadastro. Conferir o CNIS antes de protocolar o pedido de aposentadoria evita que dados da vida profissional fiquem de fora.

Como consultar o CNIS no Meu INSS

O extrato fica disponível no site meu.inss.gov.br ou no aplicativo Meu INSS, com login na conta gov.br. O caminho é Extrato de Contribuição (CNIS) ou Extrato Previdenciário. Nele aparecem os empregos registrados, as remunerações informadas, as datas de admissão e saída e eventuais indicadores de pendência.

O segurado deve comparar linha por linha com as anotações da CTPS física, incluindo páginas de identificação, contratos de trabalho e anotações gerais. Vínculos das décadas de 1970 e 1980, ou anteriores a 1990, são os que mais apresentam falhas de migração.

Documentos que comprovam o vínculo antigo

A CTPS com anotações regulares, legíveis e em ordem cronológica é o documento principal. Outras provas contemporâneas reforçam o pedido.

  • Páginas da carteira de trabalho com dados pessoais, admissão, saída, função e alterações salariais
  • Contracheques ou holerites da época
  • Termo de rescisão do contrato de trabalho
  • Extrato analítico do FGTS
  • Contrato de trabalho, ficha de registro de empregado ou declaração da empresa

Documentos com rasuras, fora de ordem ou incompletos podem exigir complementação. A obrigação de recolher as contribuições era do empregador; a ausência de registro no CNIS não impede o reconhecimento quando há prova idônea do vínculo.

Como pedir a atualização de vínculos e remunerações

O pedido de acerto pode ser feito pelo Meu INSS no serviço de atualização de vínculos e remunerações, ou iniciado pela Central 135 (de segunda a sábado, das 7h às 22h). Depois da abertura, o segurado anexa os documentos digitalizados em PDF e acompanha pelo número de protocolo.

Também é possível juntar as provas no próprio requerimento de aposentadoria. Reunir tudo antes reduz o risco de exigências e atrasos. O INSS analisa se as anotações são contemporâneas e formam convicção sobre o fato.

Para o homem de 65 anos que se filiou ao INSS até 13 de novembro de 2019, a aposentadoria por idade exige 15 anos de contribuição. Para quem se filiou depois, o tempo mínimo sobe para 20 anos. Períodos reconhecidos a mais podem completar a carência ou elevar a média dos salários de contribuição usada no cálculo.

O próximo passo é emitir o extrato do CNIS, confrontar com a CTPS encontrada e protocolar o acerto com os documentos disponíveis. O INSS decide com base nas provas apresentadas.

Jeronimo Santos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2016: Formação: Marketing

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