Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi proibido de deixar o país por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que mandou entregar os passaportes à Polícia Federal (PF). A medida foi comunicada ao senador na segunda-feira (26) por agentes da PF em Brasília.
A decisão também proíbe o senador de manter contato, direta ou indiretamente, com o advogado Willer Tomaz, investigado por suspeita de lavagem de dinheiro. O prazo para a entrega dos documentos é de 24 horas.
Passaportes comum e diplomático devem ser entregues à PF
Segundo o próprio senador, a intimação ocorreu na rua, na saída da casa do pai, Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar em Brasília. Em ofício enviado ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, Moraes determinou a entrega dos passaportes, inclusive o diplomático. A ordem vale para o documento comum e para o diplomático, que é emitido a autoridades em missão oficial. O Supremo não divulgou o texto da decisão, que tramita em sigilo.
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Prazo, documentos e contato proibido na decisão de Moraes
- Prazo para entrega dos passaportes: 24 horas, a partir da intimação
- Documentos: passaporte comum e passaporte diplomático
- Órgão responsável pelo cumprimento: Polícia Federal, dirigida por Andrei Rodrigues
- Pessoa com contato proibido: o advogado Willer Tomaz, direta ou indiretamente
Investigação por lavagem de dinheiro tramita em sigilo no STF
A medida está ligada a uma investigação no STF, sob relatoria de Moraes, que apura suspeita de lavagem de dinheiro envolvendo Flávio Bolsonaro e Willer Tomaz. Flávio responde a dois inquéritos no Supremo. Um deles trata de suposta lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas, e o outro, do financiamento do filme Dark Horse. O senador nega irregularidades nos dois casos. Os 2 inquéritos estão em tramitação e o conteúdo do processo permanece em sigilo.
Flávio diz que decisão tem base em fala de Eduardo Bolsonaro
Em vídeo publicado nas redes sociais, Flávio afirmou que a ordem teria como base uma declaração do irmão, o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro. Na sexta-feira (23), Eduardo afirmou em entrevista a um programa dos Estados Unidos: “Se meu irmão não ganhar, eu sou a favor de que meu irmão saia do país.” Flávio disse que nunca afirmou isso e questionou: “Isso é motivo para tirar meu passaporte?”
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Site argentino diz que senador viajou aos EUA; campanha nega
Um site de notícias argentino publicou que Flávio teria cruzado a fronteira com a Argentina usando documento de identidade e, de lá, seguido para os Estados Unidos. A campanha do senador nega a informação. O relato não foi confirmado por fonte oficial independente, e as autoridades argentinas e o consulado não se manifestaram de forma confirmada sobre a passagem.
Datas da decisão, da intimação e da fala de Eduardo Bolsonaro
- 25 de outubro de 2026: segundo Flávio e outra apuração jornalística, Moraes assina a decisão sobre os passaportes
- 26 de outubro de 2026: PF intima o senador a entregar os passaportes e comunica a proibição de deixar o país
- 23 de outubro de 2026: Eduardo Bolsonaro declara ser favorável à saída do irmão do país caso perca a eleição
Lula (PT) venceu o segundo turno da eleição presidencial de 2026 contra Flávio Bolsonaro, e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) confirmou a vitória do petista. Eduardo Bolsonaro mudou-se para os Estados Unidos em março de 2025, alegando perseguição política. Ele teve o mandato de deputado federal cassado e tem mandado de prisão em aberto no Brasil, segundo informou a Agência Brasil.
Não há confirmação de que a PF esteja rastreando pontos de fronteira para verificar a saída de Flávio do país, e os voos citados no relato argentino não foram confirmados por fonte independente. Também não há confirmação de que o senador tenha entregue os passaportes à PF nem do prazo final de cumprimento da ordem.
