O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) visitou o pai, o ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL), por volta das 11h desta segunda-feira (26), em Brasília. O encontro ocorreu um dia após o parlamentar ser derrotado pelo presidente reeleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno da eleição presidencial e coincide com pedidos protocolados por deputados federais para a retenção de seu passaporte.
Nos bastidores do Partido Liberal (PL), aliados demonstram preocupação com a possibilidade de o senador ser intimado pela Polícia Federal (PF) e ter o documento de viagem retido diante da intensificação das movimentações jurídicas após a votação de domingo (25). Até o momento, não há confirmação oficial ou pública de que a Polícia Federal tenha determinado a intimação de Flávio Bolsonaro ou de que exista decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) ou da Justiça ordenando a apreensão de seu passaporte.
Pedidos de retenção do passaporte de Flávio Bolsonaro na PGR e no STF
Três parlamentares anunciaram iniciativas junto à Procuradoria-Geral da República (PGR) e ao STF solicitando medidas cautelares contra o senador, sob a alegação de risco de fuga do território nacional. Os pedidos foram motivados, entre outros fatores, por declarações anteriores de Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos e defendeu a saída do irmão do Brasil caso ele não vencesse a disputa presidencial de 2026.
O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) protocolou uma representação na PGR solicitando a proibição de o senador deixar o país, a entrega de passaportes e a comunicação imediata das medidas à Polícia Federal e às autoridades de controle migratório. “O Flávio pode querer fugir do país e eu não vou deixar. Eu acabei de protocolar com os meus advogados uma representação à Procuradoria Geral da República”, declarou o parlamentar. Ele também mencionou as investigações que envolvem o senador no Supremo. “Os seus esquemas com Vorcaro você vai ter que pagar aqui”, afirmou Otoni de Paula.
A deputada federal Duda Salabert (PSOL-MG) também comunicou ter solicitado a apreensão do documento do candidato derrotado. “O próximo passo desse bandido é tentar fugir do Brasil para não enfrentar os vários inquéritos em seu nome. Precisa ser preso logo. Não podemos permitir que ele se junte ao irmão nos EUA para tramar contra a soberania nacional!”, disse a deputada. Na mesma linha, o deputado federal Rogério Correia (PT-MG) informou que acionará o STF para requerer a retenção do passaporte de Flávio Bolsonaro.
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Flávio Bolsonaro é alvo de 2 inquéritos no Supremo Tribunal Federal
A pressão parlamentar por medidas cautelares apoia-se na existência de dois inquéritos em curso no STF que têm o senador como investigado. Um dos processos tramita sob a relatoria do ministro do STF André Mendonça e apura supostos repasses feitos pelo empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para financiar a produção do filme Dark Horse, obra sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. O segundo inquérito investiga suspeitas de lavagem de dinheiro em negócios que envolvem empresas financeiras, casas de apostas e o advogado Willer Tomaz.
Flávio Bolsonaro nega a prática de irregularidades nas duas frentes de investigação. A respeito do longa-metragem, o senador afirma que apenas buscou patrocínio privado para viabilizar o filme Dark Horse e nega ter oferecido qualquer tipo de vantagem a Daniel Vorcaro.
Fim da suspensão de 90 dias imposta por Alexandre de Moraes a Flávio Bolsonaro
O encontro presencial entre pai e filho em Brasília só foi possível porque o prazo de 90 dias de suspensão de visitas imposto anteriormente ao senador pelo ministro do STF Alexandre de Moraes chegou ao fim no dia 11 de outubro de 2026. No dia seguinte, 12 de outubro de 2026, o magistrado autorizou formalmente a retomada das visitas de Flávio Bolsonaro ao ex-presidente, mantendo as condições e regras de segurança estabelecidas pela Corte.
A restrição havia sido determinada em julho de 2026, depois que o senador divulgou nas redes sociais uma carta escrita por Jair Bolsonaro declarando apoio à candidatura presidencial do filho. Na ocasião, Alexandre de Moraes avaliou que a postagem configurou descumprimento das medidas cautelares impostas ao ex-presidente, que estava proibido de utilizar plataformas digitais de forma direta ou por meio de terceiros. Além da autorização judicial restabelecida em outubro, Flávio Bolsonaro está cadastrado nos autos como advogado do pai, condição que lhe permite realizar visitas em dias úteis dentro dos parâmetros fixados pelo Supremo.
Perda do foro privilegiado de Flávio Bolsonaro após 24 anos de mandato
Com a derrota nas urnas em 25 de outubro de 2026 e o encerramento de seu mandato no Senado Federal previsto para o domingo, 31 de janeiro de 2027, Flávio Bolsonaro deixará o cargo em fevereiro de 2027 e ficará sem mandato eletivo e sem foro por prerrogativa de função pela primeira vez em 24 anos de carreira política. Apesar do fim do mandato parlamentar, o STF mantém a competência para processar e julgar eventuais crimes cometidos durante o exercício do cargo e em razão das funções, conforme entendimento firmado pelo tribunal em março de 2025.
Na esfera eleitoral, o senador reagiu ao resultado do segundo turno presidencial classificando a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva como inaceitável. Flávio Bolsonaro afirmou que recorrerá à Justiça para pedir a anulação da votação realizada no país.
