Bitcoin se recupera para US$ 80.352 após queda a US$ 79.146 e liquidação de US$ 810 milhões no mercado

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Bitcoin - Vertigo3d/Istock.com Foto: Bitcoin - Vertigo3d/Istock.com

A cotação do Bitcoin estabilizou-se em torno de US$ 80.400 neste domingo, 25 de outubro de 2026, sendo negociada exatamente a US$ 80.352 às 11h31 (horário de Brasília), após enfrentar forte pressão vendedora nos Estados Unidos. A retomada do patamar de US$ 80.000 ocorreu um dia depois de o ativo atingir a mínima de US$ 79.146 no sábado (24), o menor valor registrado em mais de um mês.

A queda abaixo dos US$ 80.000 durante a baixa liquidez do fim de semana provocou a liquidação forçada de mais de US$ 810 milhões em posições alavancadas no mercado de criptomoedas em um intervalo de 24 horas, segundo levantamento da plataforma de análise Coinglass. Desse volume total encerrado, cerca de US$ 689 milhões correspondiam a posições compradas (apostas na alta dos preços), atingindo mais de 200.000 operadores.

Bitcoin perde média móvel de 50 dias e aguarda decisão do Federal Reserve

Com o recuo registrado nos últimos dias, o Bitcoin caminha para a quarta baixa diária consecutiva e para sua primeira queda mensal desde junho, operando abaixo da média móvel de 50 dias, situada perto de US$ 81.700. Operadores do mercado monitoram agora as faixas de suporte técnico localizadas em torno de US$ 78.400 e US$ 77.876, enquanto aguardam a definição do futuro da política monetária norte-americana.

O Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC, o órgão do banco central dos Estados Unidos responsável por definir os juros) realiza sua próxima reunião na terça-feira (27) e na quarta-feira (28). Na decisão anterior, tomada nos dias 15 e 16 de setembro de 2026, a instituição presidida por Kevin Warsh elevou a taxa básica em 0,25 ponto percentual, levando os juros para o intervalo atual de 3,75% a 4,00% ao ano. Juros mais altos tendem a fortalecer o dólar e diminuir a procura por ativos de risco, ao passo que a interrupção do aperto monetário favorece a recuperação das criptomoedas.

Dados da ferramenta CME FedWatch (indicador que calcula as expectativas do mercado financeiro para os juros americanos) apontavam neste domingo (25) uma probabilidade de 90,6% de manutenção da taxa na faixa de 3,75% a 4,00%, contra 9,4% de chance de uma nova alta de 0,25 ponto percentual. A avaliação dos investidores sobre a persistência da inflação nos Estados Unidos é pressionada pelo encarecimento da energia, com o barril do petróleo tipo Brent negociado acima de US$ 117 devido à guerra no Irã.

Saídas de US$ 635,6 milhões nos ETFs de Bitcoin e avanço das ações preferenciais

Nos fundos negociados em bolsa (ETFs, fundos de investimento cujas cotas são negociadas no pregão como ações) de Bitcoin à vista nos Estados Unidos, o saldo semanal foi de saídas líquidas de aproximadamente US$ 635,6 milhões, movimento puxado por retiradas em fundos geridos pela BlackRock e pela Fidelity. Apesar do recuo na semana, esses fundos acumulam entradas líquidas históricas de cerca de US$ 57 bilhões e mantêm aproximadamente US$ 106 bilhões em ativos sob gestão.

Paralelamente ao fluxo dos fundos, companhias de capital aberto têm utilizado a emissão de ações preferenciais perpétuas (papéis sem data de vencimento que pagam dividendos fixos aos investidores) para captar recursos voltados à compra da criptomoeda. Um relatório divulgado na terça-feira (20) pelo analista de pesquisa da Fidelity Digital Assets, Zack Wainwright, mostra que esse tipo de instrumento financiou a aquisição de exatos 135.979 Bitcoins — mais de 0,5% do suprimento máximo do ativo — desde o lançamento da modalidade em 2025 até 5 de outubro de 2026. Apenas entre março e maio de 2026, essas emissões levantaram mais de US$ 7 bilhões e bancaram a compra de mais de 95.000 unidades, consolidando um mercado estimado pela Fidelity em cerca de US$ 12 bilhões.

A obrigação de pagar rendimentos periódicos aos detentores desses papéis, contudo, passou a disputar o caixa das empresas. “Para os emissores, a estratégia só funciona se a valorização do ativo subjacente superar o custo do rendimento”, afirmou Zack Wainwright, em tradução livre, no estudo publicado pela Fidelity Digital Assets. A Strategy exemplificou essa divisão de capital ao desembolsar recentemente US$ 193 milhões na recompra de suas ações preferenciais perpétuas (negociadas sob o código STRC) e ampliar o limite autorizado para recompras para US$ 3 bilhões, enquanto destinou US$ 22,1 milhões para adquirir 267 Bitcoins, elevando sua reserva total para 848.517 unidades. Já a Strive Inc. concluiu na terça-feira (20) a emissão de 7 milhões de ações preferenciais perpétuas Série A (código SATS) ao preço de US$ 90 por papel, captando US$ 630 milhões com pagamento de dividendo anualizado de 15% calculado sobre o valor nominal de US$ 100.

No segmento bancário voltado a grandes fortunas, o diretor-executivo (CEO) do Xapo Bank, Seamus Rocca, declarou que investidores detentores de grandes volumes de Bitcoin têm optado por tomar empréstimos usando suas posições como garantia e buscar rendimentos, evitando a venda direta das moedas. Segundo o executivo, a alocação de recursos por instituições pode sustentar a demanda de longo prazo, mesmo diante de entraves geopolíticos e regulatórios.

Vazamento na Keystone e cotações das altcoins neste domingo (25)

No setor de infraestrutura e custódia, a fabricante de carteiras físicas (dispositivos eletrônicos que guardam chaves de criptomoedas fora da internet) Keystone comunicou no sábado (24) que seu site oficial sofreu um acesso não autorizado na terça-feira (20). “Nós devemos um pedido de desculpas a vocês. Em 20 de outubro, detectamos um acesso não autorizado ao nosso site oficial. Após verificar a atividade de API com a Shopify, confirmamos em 23 de outubro que um terceiro obteve informações de envio de clientes”, declarou a Keystone Hardware Wallet, em tradução livre, em nota oficial.

O incidente expôs nomes de compradores, contatos, endereços de entrega e registros de pedidos, incluindo itens adquiridos e preços pagos. A fabricante informou que chaves privadas, frases de recuperação, senhas de carteiras, dados bancários e números de cartões de pagamento não foram afetados, mas emitiu um alerta aos consumidores sobre o risco de golpes de phishing (tentativas de fraude por mensagens falsas) que ofereçam reembolsos ou aparelhos substitutos. A Keystone ainda não divulgou o número total de clientes atingidos pelo vazamento nem o período exato das compras expostas.

Enquanto o Bitcoin buscava estabilidade perto de US$ 80.400, as demais criptomoedas do mercado (conhecidas como altcoins) registraram variações mistas neste domingo (25):

  • Ether (segunda maior criptomoeda do mercado): queda de 0,49%, cotado a US$ 2.331,61;
  • XRP (terceira maior criptomoeda): alta de 1,54%, a US$ 1,2930;
  • Solana: avanço de 0,34%, negociada a US$ 100,721;
  • BNB: valorização de 1,49%, chegando a US$ 737,80;
  • Cardano: recuo de 0,85%, para US$ 0,2032;
  • Dogecoin: ganho de 0,57% no dia;
  • TRUMP (moeda digital inspirada em meme): subiu 1,12%, enquanto o ativo Shiba Inu permaneceu estável.

O próximo direcionamento para o preço do Bitcoin e das demais criptomoedas será definido na quarta-feira (28), data em que o Federal Reserve encerra sua reunião de dois dias e anuncia a nova decisão sobre a taxa básica de juros dos Estados Unidos.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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