A B3 acionou o circuit breaker (mecanismo de interrupção automática das negociações em momentos de forte queda) às 9h57 desta segunda-feira (26), em São Paulo, ainda durante o leilão de abertura. A medida suspendeu os negócios no mercado de ações por 30 minutos no primeiro pregão após a reeleição do presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Antes da abertura do mercado à vista no Brasil, o fundo de índice (ETF, fundo negociado em bolsa que replica um índice) EWZ, principal fundo de ações brasileiras negociado em Nova York, registrava queda superior a 20% no pré-mercado dos Estados Unidos. No mercado futuro brasileiro, o dólar subia 12,52% às 9h30, cotado a R$ 5,60, enquanto o contrato futuro de Ibovespa com vencimento em quarta-feira, 16 de dezembro de 2026 (INDZ26), recuava 17,07% por volta das 9h40. As taxas de juros futuros (DI) para janeiro de 2027 alcançaram 14%, uma alta de 54 pontos-base.
Ativos suspensos na B3 e regras de paralisação do Ibovespa
O comunicado 668/2026-SSN da B3 estabelece que a paralisação de 30 minutos atinge investidores que operam ativos no mercado à vista, renda fixa privada e opções referenciadas em ações, além de BDRs (recibos de ações de empresas estrangeiras negociados no Brasil), fundos de índice (ETFs) e os índices Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50 e Small Cap. Pelas normas de funcionamento da bolsa brasileira, o estágio 1 do mecanismo interrompe as operações por 30 minutos sempre que o Ibovespa atinge desvalorização de 10% em relação ao fechamento do dia anterior; se a perda chegar a 15% após a reabertura dos negócios, ocorre uma segunda suspensão de uma hora, e, caso a baixa alcance 20%, a instituição pode paralisar o mercado por um prazo a ser definido.
Alteração nos limites de oscilação da B3 para dólar e índice
Para conter a volatilidade na manhã de 26 de outubro de 2026, a bolsa alterou os limites de oscilação diária de diversos ativos. Os contratos futuros de Ibovespa (IND e WIN) tiveram a margem máxima de queda ampliada de -10% para -15% e, na sequência, para -20%.
O mesmo limite inferior de -20% foi aplicado aos fundos de índice BOVA11, BOVV11, SMLL11 e SMAL11. Nos contratos futuros de dólar (DOL e WDO), o limite diário de variação foi expandido para 12%.
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Resultado eleitoral de 2026 e histórico de interrupções na B3 desde 2020
A reação dos ativos financeiros ocorre após o segundo turno presidencial realizado no domingo (25), quando Luiz Inácio Lula da Silva derrotou o candidato à Presidência da República pelo PL, Flávio Bolsonaro, por 51,79% a 48,21% dos votos válidos — uma diferença superior a 4,3 milhões de votos com 100% das urnas apuradas. No primeiro turno das eleições de 2026, Flávio Bolsonaro havia terminado a apuração com vantagem de 2,2 milhões de votos sobre o petista, resultado que levou parte dos investidores a montar posições no mercado financeiro apostando em uma mudança na condução da política econômica.
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Esta é a primeira vez que a bolsa brasileira interrompe o pregão pelo mecanismo de proteção desde o início da pandemia de Covid-19, em 2020. As datas das paralisações anteriores e dos eventos que levaram ao acionamento atual são:
- Março de 2020 — A B3 acionou o circuit breaker nos dias 9, 11, 16 e 18, além de duas vezes na sessão do dia 12, durante o início da pandemia de Covid-19.
- 25 de outubro de 2026 — Luiz Inácio Lula da Silva vence o segundo turno das eleições presidenciais contra Flávio Bolsonaro.
- 26 de outubro de 2026 — A B3 aciona o circuit breaker às 9h57, ainda durante o leilão de abertura do mercado de ações.
Até a publicação deste texto, a B3 ainda não havia comunicado o horário exato para a retomada das negociações contínuas após o período inicial de 30 minutos de suspensão.
