Boletim Focus do Banco Central: analistas elevam projeções da Selic a 13,50% e do IPCA a 5,22%Por Maria
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Analistas do mercado financeiro elevaram as estimativas para inflação, taxa básica de juros e cotação da moeda norte-americana em 2026, além de reduzirem a expectativa para a atividade econômica. O levantamento do Boletim Focus, divulgado pelo Banco Central do Brasil nesta terça-feira (3), apontou que a taxa Selic deve fechar o período em 13,50% ao ano, ante 13,25% na leitura anterior. A perspectiva para a inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu de 5,19% para 5,22%, mantendo pressão sobre o custo de vida.
O relatório semanal apontou ainda forte avanço na estimativa para a cotação do dólar, que saltou de R$ 5,05 para R$ 5,34 para o encerramento do exercício de 2026. Em sentido oposto, a taxa de expansão do Produto Interno Bruto (PIB) sofreu revisão negativa, passando de 1,80% para 1,76%.
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O cenário reflete aperto financeiro.
A piora no quadro macroeconômico estendeu-se também às previsões para os anos seguintes, com os economistas projetando uma política monetária mais restritiva por período prolongado para conter a desancoragem dos preços ao consumidor.
Expectativas de mercado para os principais indicadores econômicos
- Inflação oficial (IPCA): subiu de 5,19% para 5,22% em 2026 e de 4,34% para 4,76% em 2027
- Taxa básica de juros (Selic): previsão avançou de 13,25% para 13,50% em 2026 e de 11,75% para 12,50% em 2027
- Câmbio comercial: estimativa passou de R$ 5,05 para R$ 5,34 em 2026 e de R$ 5,15 para R$ 5,40 em 2027
- Atividade econômica (PIB): projeção de crescimento recuou de 1,80% para 1,76% em 2026 e de 1,31% para 1,20% em 2027
Trajetória de médio prazo para inflação e preços administrados
As pressões de custos seguiram expressivas nas estimativas do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), utilizado no reajuste de contratos e aluguéis. Para 2027, a taxa esperada subiu de 4,01% para 4,21%, registrando a segunda semana seguida de alta. Em 2028, a previsão avançou de 3,92% para 4,00%, enquanto o cálculo para 2029 aumentou de 3,80% para 3,90%.
O grupo de preços monitorados pelo governo, que reúne tarifas públicas e combustíveis dentro do IPCA, foi revisado de 4,44% para 4,76% para 2027, após três semanas sucessivas de acréscimo. Em 2028, a taxa estimada para administrados saltou de 3,63% para 3,94%, alcançando 3,66% em 2029.
Para os períodos mais distantes de inflação ao consumidor, o IPCA de 2028 foi ajustado de 3,75% para 4,00%, enquanto a projeção para 2029 passou de 3,51% para 3,98%.
Juros básicos projetados pelo mercado financeiro até 2029
A curva traçada pelos analistas prevê desaceleração da economia diante do custo do crédito corporativo e imobiliário. Além do aumento previsto para 2026 e 2027, a Selic esperada para o final de 2028 avançou de 10,00% para 11,00% ao ano. Para 2029, a mediana das previsões subiu de 10,00% para 10,25% ao ano.
O ritmo do Produto Interno Bruto reflete esse ambiente de desaceleração da atividade produtiva. A perspectiva para o crescimento econômico em 2028 recuou de 1,81% para 1,80%, ao passo que a estimativa para o PIB em 2029 permaneceu estável em 2,00%.
No câmbio, o mercado financeiro elevou a cotação da moeda norte-americana de R$ 5,20 para R$ 5,40 em 2028 e de R$ 5,28 para R$ 5,45 em 2029.
O próximo movimento prático da taxa de juros básica depende das deliberações do Comitê de Política Monetária (Copom), que avalia as condições de liquidez e o balanço de riscos inflacionários em suas reuniões periódicas.















