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Polícia Civil de SP cumpre 20 mandados em operação contra rede de bebidas com metanol em oito cidades

Deic Polícia Civil São Paulo
Deic Polícia Civil São Paulo - Foto: reprodução Globo

Polícia Civil do Estado de São Paulo executa nesta terça-feira (14) operação contra rede que produz e vende bebidas alcoólicas contaminadas com metanol. A ação, batizada de Poison Source, envolve 150 agentes cumprindo 20 mandados de busca e apreensão em oito municípios, incluindo a capital, Santo André e Santos. O foco visa desmantelar a cadeia de falsificação que ameaça a saúde pública, após flagrante recente de um fornecedor nacional.

Investigações iniciaram há dez dias com prisão de um distribuidor de itens para falsificação, como rótulos e lacres intactos. Produtos apreendidos em imóveis ligados ao suspeito totalizam milhares de unidades. A operação busca evidências em celulares e documentos para mapear compradores e produtores.

  • Principais cidades visadas: São Paulo (sete mandados), Santo André, Poá, São José dos Campos, Santos, Guarujá, Presidente Prudente e Araraquara.
  • Itens alvos: Maquinários de envase, insumos químicos e estoques de bebidas prontas.
  • Coordenação: Departamento Estadual de Investigicações Criminais (Deic), via 1ª Delegacia de Investigações sobre Furtos e Roubos de Veículos da Divecar.

Origem da investigação

Flagrante de dez dias atrás revelou fornecedor como peça-chave na distribuição nacional de falsificações. Agentes encontraram em dois imóveis milhares de garrafas com selos falsos, impossíveis de detectar visualmente. A delegada Leslie Caran Petrus destacou que a rede operava com sofisticação para enganar consumidores. Buscas atuais rastreiam adquirentes desses materiais.

Procedimentos correm em segredo de justiça para preservar provas. Resultados parciais indicam ligação com etanol de postos adulterado, usado em produção clandestina.

Escala nacional dos casos

Ministério da Saúde registra 213 notificações de intoxicação por metanol em todo o país até segunda-feira. Desses, 32 são confirmados, com 181 em análise e 320 descartados. São Paulo concentra a maioria, com 28 confirmações e 100 investigações. Outros estados afetados incluem Paraná (três casos) e Rio Grande do Sul (um).

Óbitos somam cinco confirmados em São Paulo, incluindo vítimas de vodca consumida em casa ou bares. Perícia em amostras recentes mostrou metanol adicionado intencionalmente, não de destilação natural.

Distribuição por estado reflete alerta para fiscalização ampliada.

Riscos à saúde envolvidos

Intoxicação por metanol surge 12 a 24 horas após consumo, com sintomas como náusea e dor abdominal. Sem tratamento em até 48 horas, leva a falência de órgãos, cegueira ou morte. Antídotos como etanol farmacêutico são distribuídos pelo SUS, com 4,3 mil ampolas já adquiridas nacionalmente.

Casos graves exigem hemodiálise para remoção da substância. Hospitais em São Paulo ativaram protocolos de emergência desde setembro.

  • Sintomas iniciais: Tontura e confusão mental.
  • Complicações: Convulsões e coma em progressão rápida.
  • Prevenção: Verificar selos e comprar em fontes confiáveis.

Ações de fiscalização ampliadas

Vigilância Sanitária interditou nove estabelecimentos em São Paulo na última semana, incluindo bares nos Jardins e Mooca. Operações recolheram 128 mil garrafas de vodca em Barueri e 5.585 unidades em M’Boi Mirim. Procon fiscalizou mil bares em 92 cidades na sexta-feira (10).

Polícia Federal atuou em fábricas clandestinas em SP, MG e SC, com amostras enviadas para análise. Apreensões totais superam 50 mil garrafas desde junho.

Casos concentrados na capital representam 48 investigações e oito confirmações.

Produção clandestina desmantelada

Fábrica em São Bernardo do Campo foi localizada na sexta-feira (10), ligada a duas mortes por metanol. Local usava etanol de postos com até 40% de metanol para falsificar destilados. De 300 garrafas analisadas, 150 continham a substância em concentrações de 14,6% a 45,1%.

Suspeita de 27 anos foi presa em flagrante por falsificação e crimes contra o consumidor. Marido dela, com histórico em adulteração alimentar, também é investigado. Operação envolveu Delegacia de Meio Ambiente e GOE, com oito mandados cumpridos.

Ação conjunta apreendeu nove garrafas com metanol detectado em oito delas.

Medidas preventivas adotadas

Governo de São Paulo criou gabinete de crise para monitorar denúncias via Disque 197. Indústria de bebidas firmou convênio para selos de autenticidade em estabelecimentos. Anvisa emitiu alertas para importação de antídotos como fomepizol.

Desde setembro, 16 mil garrafas foram lacradas e 378 mil itens falsos, como selos, apreendidos. Sala de situação nacional atualiza dados diariamente desde 3 de outubro.

  • Denúncias: Para Vigilância local ou Procon.
  • Fiscalizações: Foco em adegas e distribuidoras irregulares.
  • Estoque médico: Mais 5 mil tratamentos de etanol em aquisição.

Perícia e análise técnica

Instituto de Criminalística criou força-tarefa desde 3 de outubro para examinar rótulos e concentrações. Detector adaptado de notas falsas identifica lacres fraudulentos em minutos. Análises confirmam adição deliberada de metanol em vodcas e uísques.

Hipótese liga substância a importações ilegais por facções, desviadas de combustíveis para bebidas. Unicamp ampliou testes para 190 por dia em apoio aos estados.

Resultados aceleram prisões e interdições.

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