Disputa no segundo turno em São Paulo: Ricardo Nunes lidera com 55%, enquanto Guilherme Boulos tem 33%, aponta DatafolhaPor Luís Henrique Costa
Atualizado 6 min de leitura
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A primeira pesquisa Datafolha após o início do segundo turno da corrida pela prefeitura de São Paulo revela uma vantagem significativa do atual prefeito Ricardo Nunes (MDB) sobre o candidato Guilherme Boulos (PSOL). Nunes aparece com 55% das intenções de voto, enquanto Boulos soma 33%, um cenário que destaca a liderança do emedebista rumo à reeleição.
Essa pesquisa foi divulgada logo após o término do primeiro turno, quando a disputa pela maior cidade do Brasil afunilou entre os dois candidatos. Nunes, que assumiu a prefeitura em 2021 após a morte de Bruno Covas, consolidou sua candidatura com base em uma gestão focada na continuidade de projetos iniciados pela administração anterior. Já Guilherme Boulos, representante da esquerda e deputado federal, busca mobilizar eleitores descontentes com a atual gestão, apostando em uma campanha de renovação política e novas pautas progressistas para a capital paulista.
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Eleitores indecisos e votos nulos
Além dos números consolidados dos dois principais candidatos, a pesquisa também mostra que 10% dos eleitores ainda pretendem votar em branco ou anular o voto, enquanto 2% se declararam indecisos ou não quiseram responder. Esses eleitores indecisos ou que optam por não escolher nenhum dos candidatos podem ser fundamentais no desenrolar da disputa, especialmente em um cenário onde a polarização política segue intensa.
Vale destacar que os números revelam uma tendência de maior rejeição a Boulos, cuja campanha tenta reverter a imagem de radicalismo associada ao PSOL e atrair eleitores de centro, especialmente aqueles que votaram em candidatos que não chegaram ao segundo turno, como Pablo Marçal (PRTB). A pesquisa indica que 84% dos eleitores de Marçal agora migraram para Nunes, mostrando um efeito significativo no aumento de sua base eleitoral. Por outro lado, Boulos conseguiu conquistar 50% dos eleitores de Tabata Amaral (PSB), o que reforça sua conexão com eleitores progressistas, embora ainda insuficiente para superar Nunes.
Estratégias de campanha
No segundo turno, a estratégia de ambos os candidatos está centrada em consolidar apoios e mobilizar suas bases eleitorais. Nunes, apesar da vantagem, tem evitado entrar em confrontos diretos com Boulos, buscando apresentar uma imagem de estabilidade e continuidade. Sua campanha destaca os avanços em áreas como mobilidade urbana, saúde e educação, reforçando a importância da continuidade dos projetos já em andamento.
Por outro lado, Boulos tem adotado uma postura mais crítica, especialmente em relação à gestão do atual prefeito. Ele tem apontado o que considera falhas na administração Nunes, como a condução da crise habitacional e as políticas de combate à desigualdade social. Boulos também intensificou suas alianças com movimentos sociais e figuras da esquerda, buscando reforçar sua imagem como um líder capaz de promover transformações significativas na cidade.
Ambos os candidatos também estão aproveitando o tempo de televisão e as redes sociais para conquistar os eleitores que ainda não decidiram em quem votar. A disputa promete ser acirrada nas próximas semanas, com debates públicos e novos anúncios de apoio que podem influenciar o resultado final.
Desafios para os candidatos
O segundo turno coloca diante dos candidatos novos desafios, além da necessidade de conquistar o voto dos indecisos e dos eleitores de Marçal e Tabata. Nunes precisará equilibrar sua posição de liderança com uma postura que mantenha o eleitorado fiel, evitando grandes polêmicas que possam tirar votos na reta final. A manutenção de sua base de apoio, que agora inclui uma parcela considerável de eleitores de Marçal, é essencial para garantir a vitória.
Para Boulos, o desafio é ainda maior. Ele precisa expandir sua base para além do eleitorado progressista que já o apoia. A aposta é em um discurso de mudança, prometendo uma gestão mais inclusiva e voltada para as áreas que historicamente foram negligenciadas. A rejeição que o PSOL enfrenta em algumas regiões da cidade, especialmente em setores mais conservadores, é um obstáculo que sua campanha precisa contornar com uma narrativa que atraia eleitores mais moderados.
Cronologia dos eventos
- 6 de outubro de 2024: Com 99,52% das urnas apuradas, Nunes e Boulos confirmam suas vagas para o segundo turno, após uma disputa acirrada no primeiro turno das eleições.
- 9 de outubro de 2024: Pablo Marçal, terceiro colocado na disputa, anuncia que não apoiará nenhum dos candidatos, embora a pesquisa mostre que a maior parte de seus eleitores já migrou para o lado de Nunes.
- 10 de outubro de 2024: A pesquisa Datafolha é divulgada, indicando uma vantagem de Nunes com 55% das intenções de voto, enquanto Boulos aparece com 33%.
- Final de outubro de 2024: As campanhas intensificam a divulgação de propostas e participam dos primeiros debates de segundo turno, tentando conquistar os eleitores indecisos.
Expectativas para o segundo turno
Com o resultado do primeiro turno já consolidado e as primeiras pesquisas indicando uma vantagem confortável para Nunes, as próximas semanas serão decisivas para ambos os candidatos. Boulos precisará intensificar suas críticas e propor soluções concretas para os problemas que afligem São Paulo, tentando reverter o favoritismo de Nunes. Por outro lado, o atual prefeito deve continuar focado em mostrar resultados de sua administração, mantendo o eleitorado convencido de que sua reeleição é a melhor escolha para a continuidade dos projetos em andamento.
Análise final
A disputa entre Ricardo Nunes e Guilherme Boulos para a prefeitura de São Paulo representa não só uma escolha entre duas visões de gestão, mas também um reflexo das divisões políticas que marcam o Brasil atual. O segundo turno será uma batalha por apoios e pela mobilização dos eleitores, e o desfecho ainda é incerto, dependendo dos próximos passos das campanhas.















