Duas crianças morrem afogadas em piscina de vizinho em São Carlos (SP) e polícia investiga casoPor Carolina Costa
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Na noite da última quinta-feira, 6 de fevereiro de 2025, um trágico episódio abalou a cidade de São Carlos, no interior de São Paulo. Duas irmãs, de idades não divulgadas, foram encontradas sem vida dentro da piscina de uma casa vizinha, localizada no bairro Cidade Aracy. O proprietário do imóvel, ao retornar para sua residência por volta das 19h, se deparou com os corpos das crianças boiando na água. Imediatamente, ele acionou as autoridades, que iniciaram as investigações para esclarecer as circunstâncias do afogamento. O caso gerou comoção na comunidade local e levantou questões sobre segurança infantil e responsabilidade dos responsáveis pelas menores.
As vítimas moravam na casa ao lado e conseguiram entrar na residência vizinha sem que ninguém percebesse. A perícia identificou que o portão da propriedade estava fechado apenas com um pequeno gancho, o que pode ter facilitado o acesso das meninas ao local. As autoridades também apuram a possibilidade de negligência por parte dos responsáveis, uma vez que as crianças estavam sozinhas no momento do ocorrido.
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Duas irmãs, de 5 e 9 anos, morrem afogadas na piscina da casa de vizinho em São Carlos https://t.co/jLemwz9rqV x
— Portal AtaNews (@PortalAtanews) February 7, 2025
A mãe das meninas foi encaminhada ao Plantão Policial para prestar depoimento e explicar por que as filhas estavam desacompanhadas. Informações preliminares indicam que as crianças estavam sob a guarda provisória da avó paterna e que a mãe não possuía a tutela oficial delas devido a problemas relacionados ao uso de entorpecentes.
Investigação policial busca esclarecer as circunstâncias do afogamento
O delegado Gilberto de Aquino, responsável pelo caso, afirmou que a principal linha de investigação gira em torno da possível negligência. Segundo relatos colhidos pela polícia, as meninas haviam sido retiradas da casa da avó pela própria mãe, sem que o pai fosse informado. Ele, que estava no trabalho no momento da tragédia, não sabia que as filhas estavam sob os cuidados maternos naquela noite. A polícia busca entender se houve imprudência na supervisão das crianças e se a mãe pode ser responsabilizada criminalmente pelo ocorrido.
A perícia técnica esteve no local e realizou os primeiros levantamentos para determinar se houve falha de segurança na residência onde ocorreu o afogamento. A ausência de barreiras de proteção ao redor da piscina e a possibilidade de fácil acesso ao quintal da casa são aspectos que serão considerados na investigação. O laudo do Instituto Médico Legal (IML) deve confirmar a causa da morte e indicar se as vítimas apresentavam sinais de tentativa de resgate ou se afundaram rapidamente após caírem na água.
A polícia também busca imagens de câmeras de segurança de casas vizinhas para verificar o momento exato em que as crianças entraram na propriedade e se alguém tentou impedir o acesso. O depoimento de moradores do bairro pode ser fundamental para esclarecer a linha do tempo dos acontecimentos e identificar se houve algum descuido determinante para a fatalidade.
Número de afogamentos infantis preocupa especialistas
O caso reforça um alerta recorrente entre especialistas: o afogamento é uma das principais causas de morte acidental de crianças no Brasil. Dados da Sociedade Brasileira de Salvamento Aquático (SOBRASA) apontam que o afogamento é a segunda maior causa de morte acidental entre crianças de 1 a 4 anos no país. Estima-se que cerca de 1.200 crianças morrem afogadas anualmente no Brasil, sendo que a maioria dos casos ocorre em piscinas residenciais ou em locais privados sem medidas de proteção adequadas.
Estatísticas também indicam que mais de 80% dos afogamentos infantis ocorrem na presença de um adulto, mas sem supervisão atenta. Isso acontece porque a distração de poucos minutos pode ser suficiente para que uma criança pequena se afogue. O silêncio é um dos fatores que tornam o afogamento ainda mais perigoso, pois, ao contrário do que muitos imaginam, ele ocorre de forma rápida e sem gritos de socorro.
Principais medidas de segurança para evitar tragédias semelhantes
A adoção de medidas preventivas pode evitar casos como o de São Carlos. Especialistas recomendam algumas ações essenciais para aumentar a segurança de crianças em ambientes com piscinas:
- Cercamento obrigatório: Piscinas devem ter cercas de, no mínimo, 1,20 metro de altura, com portões de segurança equipados com trancas automáticas para impedir o acesso de crianças desacompanhadas.
- Alarmes de piscina: Sensores de movimento na água podem alertar os responsáveis caso uma criança caia na piscina sem supervisão.
- Coberturas de segurança: Algumas piscinas contam com coberturas rígidas que impedem o acesso acidental de crianças pequenas.
- Educação e conscientização: Ensinar as crianças sobre os perigos da água desde cedo pode reduzir os riscos de acidentes.
- Curso de primeiros socorros: Pais e responsáveis devem ser capacitados para agir rapidamente em emergências envolvendo afogamento.
Responsabilidades legais em casos de afogamento infantil
No Brasil, a responsabilidade pela segurança de uma criança em ambientes particulares é do responsável legal, mas também do proprietário do local onde ocorre o incidente. Em situações em que a negligência for comprovada, os responsáveis podem ser indiciados por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas ocorre uma omissão grave nos cuidados.
A legislação brasileira não determina a obrigatoriedade de barreiras de proteção em piscinas residenciais, mas, em casos de acidentes, a falta de medidas de segurança pode ser usada como agravante para a responsabilização dos envolvidos. O Código Penal prevê penas de um a três anos de detenção para casos de homicídio culposo, podendo haver aumento se a negligência for considerada grave.
Casos semelhantes ocorridos recentemente no país
Infelizmente, episódios de afogamento infantil continuam sendo registrados em diversas partes do país. Em janeiro deste ano, uma criança de 3 anos morreu afogada em uma piscina de um condomínio em Campinas, também no interior de São Paulo. A menina estava acompanhada da família, mas em um momento de distração, caiu na água sem que ninguém percebesse.
Outro caso semelhante aconteceu em novembro de 2024, quando um menino de 5 anos morreu afogado em uma piscina durante uma festa em Goiânia. Apesar da presença de várias pessoas no local, a ausência de supervisão direta permitiu que a criança permanecesse submersa por tempo suficiente para resultar no óbito.
Impacto social e psicológico das mortes por afogamento infantil
A perda de uma criança em circunstâncias como essa tem um impacto devastador para as famílias e a comunidade ao redor. Pais e responsáveis sofrem com a culpa e o luto intenso, além do julgamento social que muitas vezes acompanha esses casos. Especialistas afirmam que o suporte psicológico é essencial para ajudar os envolvidos a lidarem com o trauma.
A tragédia também gera impacto coletivo, pois levanta discussões sobre segurança, responsabilidade parental e políticas públicas para evitar novos casos. Em alguns países, leis mais rígidas foram implementadas após casos de afogamento infantil, tornando obrigatórias medidas como cercamento de piscinas e treinamento de primeiros socorros para responsáveis.
Dicas para reforçar a segurança de crianças em casa
Para evitar acidentes, algumas medidas simples podem ser adotadas:
- Nunca deixe crianças desacompanhadas perto de piscinas, mesmo que saibam nadar.
- Mantenha portões de acesso a piscinas sempre trancados e fora do alcance infantil.
- Instale alarmes e sensores para identificar movimentações na área da piscina.
- Ensine crianças a nunca entrarem na água sem a presença de um adulto responsável.
- Capacite-se em primeiros socorros para saber como agir em emergências.
O caso das irmãs em São Carlos reforça a importância da vigilância e de medidas preventivas para evitar que novas tragédias ocorram. A investigação continua para determinar as responsabilidades no episódio, enquanto especialistas reforçam a necessidade de campanhas de conscientização sobre a segurança infantil em residências com piscinas.















