Menino que vendia doces no Ceará recebe ajuda de motoboys após humilhação por influenciadoraPor Maria
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Moradores, motociclistas e entregadores da Grande Fortaleza organizaram uma rede de solidariedade para a família do menino Matheus, de 9 anos, diagnosticado com transtorno do espectro autista, após a repercussão de um vídeo em que a influenciadora digital Valéria Diniz mandou a criança fazer o gesto do “L” ao recusar a compra de bombons na orla da capital cearense. As doações de alimentos e itens essenciais foram entregues na residência onde o garoto vive com a avó, Inês de Maria do Nascimento, no município vizinho de Caucaia.
O ato de apoio reuniu dezenas de trabalhadores sobre duas rodas em um cortejo motorizado pelas ruas do bairro onde a família reside, em 29 de outubro de 2026. Os participantes compraram o estoque de doces que o menino comercializava, levaram cestas de mantimentos e organizaram iniciativas de financiamento coletivo para custear despesas básicas da casa.
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Gravação na Beira-Mar e pedido de desculpas da influenciadora
A abordagem que motivou o movimento solidário ocorreu no Mercado dos Peixes, localizado na avenida Beira-Mar, na quarta-feira (28), quando a influenciadora Valéria Diniz estava acompanhada de amigas. Na gravação divulgada nos stories de sua conta na internet, a mulher de 25 anos perguntou em quem a mãe da criança havia votado no segundo turno presidencial. Após o garoto mencionar o nome do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a mulher ordenou que ele reproduzisse com os dedos o símbolo da campanha petista e afirmou em tom irônico: “Faz o ‘L’, não quero não, obrigada. Vai lá com a sua mãe”. A legenda da publicação também continha uma menção à mãe do garoto, que morreu em decorrência de doença.
A postura gerou reprovação generalizada entre internautas e clientes da orla. A conta da influenciadora, que somava cerca de 70 mil seguidores, ficou indisponível logo após a divulgação do material. Posteriormente, em um perfil alternativo, Valéria publicou uma gravação afirmando que não pretendia desrespeitar o garoto.
- “Não tive nenhuma intenção de humilhar ele, nem o oprimir, nem nada do tipo, gente. Até porque eu tenho dois filhos também, eu tenho um filho que é autista, entendeu? E eu jamais aceitaria que fizessem isso com um filho meu e eu não tenho capacidade para fazer isso com uma criança”, declarou a influenciadora.
Rotina da família e repercussão pública em Caucaia
Matheus auxilia na complementação do orçamento doméstico comercializando confeitos artesanais para auxiliar a avó, que também cuida de outro neto menor na residência de Caucaia. Segundo a responsável, o menino retornou para perto dela no dia do episódio chorando e em silêncio após ser acompanhado por um frequentador do local.
Com a visibilidade do caso, a página digital mantida por parentes para divulgar o trabalho do menino ultrapassou a marca de 265 mil inscritos.















