Na manhã desta segunda-feira, 17 de fevereiro de 2025, o transporte público na Grande São Luís amanheceu completamente paralisado devido à greve dos rodoviários. A paralisação atinge cerca de 700 mil usuários que dependem diariamente dos ônibus para se deslocar pela capital maranhense e cidades vizinhas. O movimento grevista foi confirmado após o fracasso da audiência de conciliação realizada no Tribunal Regional do Trabalho do Maranhão (TRT-MA) na última sexta-feira, 14 de fevereiro. A categoria exige reajuste salarial, manutenção de benefícios e melhores condições de trabalho, mas as negociações entre o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários no Estado do Maranhão (Sttrema) e o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros (SET) não avançaram, resultando na decisão de paralisação total do serviço.
A greve teve início logo nas primeiras horas da manhã e, até o momento, não há previsão de retorno das atividades. O transporte alternativo, como vans, mototáxis e aplicativos de mobilidade, se tornou a principal alternativa para os passageiros que foram surpreendidos pela paralisação. No entanto, com a alta demanda, os preços desses serviços dispararam, tornando o deslocamento inviável para muitas pessoas.
Apesar de uma liminar da Justiça do Trabalho ter determinado que pelo menos 80% da frota operasse durante a greve, a decisão não foi cumprida. O descumprimento da determinação prevê uma multa diária de R$ 100 mil, mas os rodoviários afirmam que sem um acordo satisfatório, a paralisação continuará por tempo indeterminado.
Segunda-feira sem ônibus: começa a greve de rodoviários da Grande São Luís https://t.co/zDMc7GeYRf
— Imirante (@imirante) February 17, 2025
(Foto: Reprodução/TV Mirante) pic.twitter.com/dzEJRh1yNk
Impactos no comércio e no setor de serviços
A paralisação dos ônibus na Grande São Luís tem provocado efeitos imediatos no comércio, na economia local e em setores essenciais como saúde e educação. Empresários e comerciantes relataram queda na movimentação de clientes, especialmente em lojas do centro e em shoppings, que dependem do transporte público para receber consumidores e funcionários. Muitos estabelecimentos precisaram atrasar a abertura ou operar com equipe reduzida.
No setor de saúde, clínicas e hospitais relataram dificuldades devido à ausência de profissionais que utilizam ônibus para se deslocar ao trabalho. Pacientes enfrentaram atrasos e cancelamentos de consultas e exames, agravando a situação dos atendimentos. A falta de transporte também afetou a frequência escolar, com diversas instituições registrando alto índice de faltas entre alunos e professores.
A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) e outras entidades comerciais alertaram para os impactos econômicos da greve, destacando que a paralisação prolongada pode gerar grandes prejuízos ao comércio local. Pequenos empresários têm sido os mais afetados, pois dependem do fluxo diário de consumidores para manter suas atividades.
Reivindicações dos rodoviários
Os rodoviários reivindicam melhorias salariais e condições dignas de trabalho. Entre os principais pontos da pauta estão:
- Reajuste salarial: A categoria exige um aumento para repor a inflação e garantir melhores condições financeiras.
- Manutenção dos benefícios: Auxílio-alimentação, plano de saúde e pagamento de horas extras são algumas das demandas.
- Melhoria na infraestrutura dos ônibus: Motoristas e cobradores denunciam falta de manutenção nos veículos, o que compromete a segurança dos trabalhadores e passageiros.
- Jornada de trabalho regulamentada: Excesso de horas trabalhadas sem o devido descanso tem sido uma queixa constante da categoria.
- Condições de segurança: Muitos profissionais relatam risco de assaltos e agressões durante o expediente.
O impasse entre empresários e rodoviários persiste há meses, sem uma solução definitiva. O SET argumenta que enfrenta dificuldades financeiras e alega que o sistema de transporte público da região precisa de subsídios para cobrir os custos operacionais.
Cronologia do impasse
- Novembro de 2024: Sindicato dos rodoviários encaminha proposta de Convenção Coletiva de Trabalho para 2025 ao SET.
- Janeiro de 2025: Primeiras rodadas de negociação entre as partes, sem avanço significativo.
- 4 de fevereiro de 2025: Ministério Público do Trabalho (MPT-MA) convoca audiência de mediação para evitar greve.
- 10 de fevereiro de 2025: Rodoviários anunciam greve para o dia 13 de fevereiro, mas decidem adiar.
- 14 de fevereiro de 2025: Última tentativa de acordo no TRT-MA não resulta em consenso, e greve é confirmada para o dia 17.
- 17 de fevereiro de 2025: Greve dos rodoviários começa, paralisando o transporte público na Grande São Luís.
Alternativas emergenciais de transporte
Com a greve afetando milhares de passageiros, diversas alternativas de transporte começaram a ser adotadas:
- Vans e transportes alternativos: Aumentaram a oferta de serviço, mas também elevaram os preços.
- Mototáxis: Demanda cresceu, porém os valores cobrados tornaram-se inacessíveis para muitos.
- Carros de aplicativos: Com a alta procura, as tarifas dinâmicas dispararam.
- Carona solidária: Muitos moradores recorreram a redes sociais para organizar caronas entre amigos e colegas de trabalho.
- Uso de bicicletas: Cresceu a adesão de trabalhadores que optaram pela bicicleta como meio de transporte.
Histórico de greves no transporte público
A paralisação dos rodoviários não é um fato isolado em São Luís. Greves anteriores já causaram grandes transtornos na mobilidade urbana da capital maranhense. Alguns exemplos:
- Fevereiro de 2024: Rodoviários paralisaram por três dias reivindicando reajuste salarial e pagamento de benefícios atrasados.
- Janeiro de 2023: Greve de 48 horas devido a atrasos no pagamento de salários.
- Março de 2022: Paralisação parcial em protesto contra cortes nos benefícios da categoria.
Essas greves demonstram que o sistema de transporte público da região enfrenta desafios estruturais e carece de um modelo sustentável que garanta estabilidade para trabalhadores e passageiros.
Dados sobre transporte público na Grande São Luís
- Frota: Aproximadamente 900 ônibus operam na região metropolitana.
- Usuários: Cerca de 700 mil passageiros utilizam ônibus diariamente.
- Rotas: A rede de transporte cobre São Luís e municípios vizinhos, incluindo São José de Ribamar, Paço do Lumiar e Raposa.
- Tarifa: Valor médio da passagem é de R$ 4,20, com possibilidade de integração entre linhas.
Expectativas para os próximos dias
A população aguarda novos desdobramentos sobre a greve, enquanto empresários e representantes dos rodoviários devem se reunir novamente para tentar um acordo. O governo estadual e a Prefeitura de São Luís acompanham as negociações e pressionam por uma solução rápida para evitar mais prejuízos à cidade. Enquanto isso, passageiros seguem enfrentando dificuldades para se locomover.

