Divaldo Pereira Franco, um dos mais influentes líderes espíritas do Brasil, faleceu nesta terça-feira, 13 de maio de 2025, em Salvador, aos 98 anos. O médium, conhecido por sua dedicação à doutrina espírita e por fundar a Mansão do Caminho, enfrentava um câncer de bexiga há meses. Sua morte marca o fim de uma trajetória de mais de sete décadas dedicadas à espiritualidade, caridade e assistência social. Nascido em Feira de Santana, Bahia, Franco se tornou referência mundial no espiritismo, com palestras em mais de 60 países.
A notícia de seu falecimento foi confirmada por representantes da Mansão do Caminho, instituição que ele fundou em 1952 e que atualmente atende milhares de pessoas em situação de vulnerabilidade. O médium, que completou 98 anos em 5 de maio, estava sob cuidados médicos intensivos nas últimas semanas. Sua saúde vinha se deteriorando, com dificuldades para manter hidratação e alimentação adequadas. A perda de Franco reverberou entre seguidores, líderes religiosos e admiradores, que destacaram seu impacto humanitário.
Divaldo Franco morre em Salvador aos 98 anos
— Jornal Correio (@correio24horas) May 14, 2025
Nascido em Feira de Santana, líder religioso se destacou por forte trabalho humanitário https://t.co/xewkOvp1A1
- Mais de 75 anos dedicados ao espiritismo, com palestras e livros publicados.
- Fundador da Mansão do Caminho, que beneficia cerca de 3 mil pessoas anualmente.
- Autor de mais de 250 obras psicografadas, traduzidas para diversos idiomas.
- Reconhecido por promover a caridade e a inclusão social em Salvador.
A trajetória de Divaldo Franco é marcada por um compromisso incansável com a divulgação da doutrina espírita e o trabalho social. Sua influência se estende além das fronteiras do Brasil, com seguidores em países da Europa, África e Américas.
Origens e formação de um líder
Nascido em 5 de maio de 1927, em Feira de Santana, Divaldo Franco cresceu em uma família católica, mas encontrou no espiritismo, aos 17 anos, sua vocação. Ele começou a desenvolver sua mediunidade ainda jovem, guiado por mentores como Joanna de Ângelis, espírito que ele afirmava orientá-lo em suas psicografias. Sua formação inicial como educador o levou a lecionar em escolas públicas, mas foi na espiritualidade que ele encontrou seu propósito. Franco combinava palestras, atendimentos espirituais e a administração da Mansão do Caminho, equilibrando uma rotina intensa.
Por volta dos 20 anos, ele já realizava palestras em centros espíritas na Bahia, ganhando notoriedade pela clareza de suas exposições. Sua habilidade como orador o levou a viajar pelo Brasil, onde fundou grupos de estudo e fortaleceu a doutrina codificada por Allan Kardec. Franco também se destacou por sua escrita prolífica, com mais de 250 livros psicografados, muitos dos quais abordam temas como ética, espiritualidade e vida após a morte.
Mansão do Caminho: um legado de solidariedade
A Mansão do Caminho, fundada por Divaldo Franco em 1952, tornou-se um dos pilares de sua trajetória. Localizada em Salvador, a instituição começou como um pequeno centro de assistência e cresceu para se tornar um complexo que oferece educação, saúde e apoio social a milhares de pessoas. Crianças, jovens e idosos em situação de vulnerabilidade encontram na Mansão do Caminho oportunidades de desenvolvimento e acolhimento.
A instituição mantém creches, escolas, oficinas profissionalizantes e atendimentos médicos, beneficiando cerca de 3 mil pessoas anualmente. O trabalho da Mansão é sustentado por doações e pela venda de livros de Franco, que destinava os lucros para a manutenção dos projetos.
- Creche para 300 crianças em período integral.
- Escola com ensino fundamental e médio para 1,2 mil alunos.
- Cursos de capacitação em costura, informática e culinária.
- Atendimento médico e odontológico gratuito para a comunidade.
O impacto da Mansão do Caminho se reflete nas histórias de transformação de seus beneficiários, muitos dos quais escaparam da pobreza extrema por meio da educação e do apoio oferecido.
Saúde fragilizada nos últimos meses
Nos últimos anos, a saúde de Divaldo Franco vinha exigindo cuidados especiais. Em 2024, ele foi diagnosticado com câncer de bexiga, condição que o levou a realizar tratamentos intensivos. Apesar da gravidade, Franco continuou participando de atividades espíritas, ainda que de forma limitada. Em abril de 2025, seu estado foi descrito como delicado, com dificuldades para se alimentar e se hidratar adequadamente.
A internação mais recente ocorreu semanas antes de seu falecimento, quando o médium foi transferido para uma unidade de cuidados paliativos em Salvador. A equipe médica informou que ele recebia acompanhamento constante, mas a progressão da doença comprometeu suas funções vitais. A notícia de sua morte foi recebida com pesar por seguidores, que organizaram vigílias e mensagens de homenagem nas redes sociais.
Presença global do espiritismo
Divaldo Franco desempenhou um papel central na internacionalização do espiritismo. Suas palestras em mais de 60 países atraíram multidões, especialmente na Europa, onde o espiritismo ganhou adeptos em nações como Portugal, Espanha e França. Ele também participou de congressos espíritas na América Latina, fortalecendo a doutrina em países como Argentina e Colômbia.
Sua habilidade de comunicar ideias complexas de forma acessível contribuiu para a popularização do espiritismo. Franco abordava temas como reencarnação, mediunidade e caridade, sempre enfatizando a importância da prática do bem. Seus livros, traduzidos para mais de 15 idiomas, alcançaram leitores em mercados distantes, como Japão e Austrália.
- Mais de 10 milhões de livros vendidos mundialmente.
- Palestras realizadas em 62 países ao longo de seis décadas.
- Fundador de centros espíritas em 12 estados brasileiros.
A influência de Franco também se estendeu a eventos beneficentes, nos quais ele arrecadava fundos para projetos sociais.
Homenagens e reações à morte
A notícia do falecimento de Divaldo Franco gerou uma onda de homenagens em Salvador e em outras cidades do Brasil. Líderes espíritas, políticos e figuras públicas expressaram condolências, destacando sua contribuição para a espiritualidade e a assistência social. A Federação Espírita Brasileira (FEB) publicou uma nota oficial, exaltando Franco como um dos maiores divulgadores da doutrina no século XX.
Em Salvador, a Mansão do Caminho anunciou que realizará um culto ecumênico em memória do médium, com data a ser confirmada. Seguidores compartilharam mensagens nas redes sociais, lembrando frases marcantes de Franco, como sua defesa da caridade como “o amor em ação”. Vigílias foram organizadas em centros espíritas de São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte.
Contribuições literárias
A produção literária de Divaldo Franco é um dos aspectos mais celebrados de sua carreira. Suas obras, psicografadas com a orientação de Joanna de Ângelis, abordam desde questões filosóficas até orientações práticas para a vida cotidiana. Livros como “Pão Nosso” e “Vida Feliz” tornaram-se referências para seguidores do espiritismo, com tiragens que superam milhões de exemplares.
Franco também escreveu sobre temas polêmicos, como a relação entre ciência e espiritualidade, defendendo a compatibilidade entre as duas áreas. Suas obras foram adaptadas para audiolivros e seminários, ampliando seu alcance.
- Principais obras: “Pão Nosso”, “Vida Feliz”, “Semeador de Estrelas”.
- Traduções para inglês, espanhol, francês e japonês.
- Mais de 600 mil exemplares vendidos apenas em 2023.
A venda de seus livros continua a financiar projetos da Mansão do Caminho, garantindo a continuidade de seu trabalho social.
Formação de novos líderes
Além de suas palestras e livros, Divaldo Franco dedicou parte de sua vida à formação de novos médiuns e líderes espíritas. Ele criou programas de estudo na Mansão do Caminho, onde jovens aprendiam sobre mediunidade, ética e responsabilidade espiritual. Muitos dos atuais dirigentes de centros espíritas na Bahia foram seus alunos diretos.
Franco também incentivava a participação feminina no espiritismo, promovendo a igualdade de gênero em cargos de liderança. Sua abordagem inclusiva atraiu pessoas de diferentes origens, fortalecendo a diversidade dentro da doutrina.
Legado na Bahia
Na Bahia, Divaldo Franco é reconhecido como uma figura de impacto cultural e social. Sua atuação em Salvador transformou comunidades carentes, oferecendo oportunidades de educação e saúde. A Mansão do Caminho é considerada um marco na história da assistência social do estado, com parcerias com o governo e empresas privadas.
A prefeitura de Salvador anunciou que estudará formas de homenagear Franco, incluindo a possibilidade de nomear uma rua ou praça em sua memória. Moradores do bairro de Pau da Lima, onde fica a Mansão do Caminho, relataram que a instituição mudou a realidade local, reduzindo índices de violência e pobreza.
Eventos marcantes da trajetória
A vida de Divaldo Franco foi marcada por momentos que consolidaram sua influência. Em 1970, ele participou do primeiro congresso espírita internacional, realizado em Lisboa, onde apresentou o espiritismo brasileiro para uma audiência global. Em 1999, foi condecorado pelo governo da Bahia por seus serviços humanitários.
Outro marco foi a celebração dos 50 anos da Mansão do Caminho, em 2002, que reuniu milhares de pessoas em Salvador. Franco também enfrentou desafios, como críticas de grupos religiosos que questionavam suas práticas mediúnicas, mas sempre respondeu com serenidade, defendendo o diálogo inter-religioso.
- 1970: Primeira palestra internacional em Lisboa.
- 1999: Homenagem do governo baiano.
- 2002: Comemoração dos 50 anos da Mansão do Caminho.
- 2017: Recebeu o título de cidadão honorário de Salvador.
Apoio a causas sociais
Além da Mansão do Caminho, Divaldo Franco apoiava outras iniciativas sociais, como campanhas contra a fome e projetos de inclusão para pessoas com deficiência. Ele frequentemente doava recursos arrecadados em palestras para orfanatos e abrigos. Sua visão de caridade como prática essencial do espiritismo inspirou seguidores a criar projetos semelhantes em outras cidades.
Franco também defendia a educação como ferramenta de transformação social, incentivando a criação de bibliotecas comunitárias e programas de alfabetização. Suas ações reforçaram a imagem do espiritismo como uma doutrina voltada para o bem coletivo.
Preparação para a sucessão
Nos últimos anos, Divaldo Franco preparou a Mansão do Caminho para continuar funcionando após sua morte. Ele formou uma equipe de gestores e líderes espirituais para administrar a instituição, garantindo que os projetos sociais e educacionais permaneçam ativos. A escolha de sucessores foi feita com base em critérios de comprometimento com os valores do espiritismo.
A instituição anunciou que manterá o cronograma de atividades, incluindo aulas, atendimentos médicos e eventos beneficentes. Seguidores acreditam que o legado de Franco continuará a inspirar novas gerações de espíritas e trabalhadores sociais.
Repercussão nas redes sociais
A morte de Divaldo Franco gerou milhares de postagens nas redes sociais, com hashtags como #DivaldoFranco e #MansãoDoCaminho alcançando os trending topics no Brasil. Usuários compartilharam fotos de palestras, trechos de livros e mensagens de agradecimento. Um vídeo de uma de suas últimas palestras, realizada em 2023, viralizou, com mais de 500 mil visualizações em poucas horas.
Centros espíritas de todo o país publicaram notas de pesar, destacando a importância de Franco para a renovação da doutrina. A repercussão também chegou a seguidores internacionais, que organizaram eventos virtuais para homenageá-lo.
