A GAC Motor, gigante chinesa do setor automotivo, iniciou oficialmente suas operações no Brasil em maio de 2025, trazendo cinco modelos eletrificados, sendo quatro elétricos e um híbrido, com preços entre R$ 169.990 e R$ 349.990. A estreia, marcada por um evento no Anhembi, em São Paulo, contou com a presença de executivos da empresa e representantes do governo federal. Com um investimento inicial de US$ 1,3 bilhão, a montadora planeja construir uma fábrica em Catalão, Goiás, a partir de 2026, e já abriu 33 concessionárias e 50 pontos de venda em shoppings. A estratégia agressiva inclui parcerias com universidades para desenvolver tecnologia flex e um centro de distribuição de peças em Cajamar, São Paulo, pronto antes mesmo das vendas começarem. A chegada da GAC intensifica a concorrência no mercado de veículos eletrificados, desafiando marcas como BYD, GWM e Toyota.
A GAC, sexta maior fabricante de automóveis da China, não optou por uma entrada tímida. Diferentemente de outras marcas chinesas, que lançaram seus produtos gradualmente, a estatal de Guangzhou chegou com um portfólio robusto, mirando diferentes públicos, de frotistas a consumidores premium. A meta é vender 8 mil unidades até dezembro de 2025 e alcançar 29 mil em 2026, consolidando sua presença em 95% do território nacional até o fim deste ano.
- Principais destaques da estreia:
- Cinco modelos: quatro SUVs (três elétricos e um híbrido) e um sedã elétrico.
- Investimento de R$ 7,35 bilhões, incluindo fábrica e centro de pesquisa.
- Rede inicial com 83 pontos de venda, com expansão para 120 até dezembro.
- Parcerias com Unicamp, UFSC e UFSM para tecnologia flex.
A operação da GAC no Brasil reflete uma visão de longo prazo, com foco em mobilidade sustentável e infraestrutura local. Além de importar veículos, a empresa planeja produzir modelos a combustão, híbridos e elétricos no país, aproveitando o momento de transição energética no mercado automotivo brasileiro.
Estratégia ousada no mercado brasileiro
A GAC Motor chega ao Brasil em um cenário aquecido, com crescente demanda por veículos eletrificados. O mercado brasileiro viu, em 2024, um aumento de 45% nas vendas de carros elétricos e híbridos, segundo a Associação Brasileira do Veículo Elétrico (ABVE). A montadora aposta em preços competitivos e tecnologia avançada para conquistar espaço. O sedã Aion ES, por exemplo, é o modelo mais acessível, custando R$ 169.990, com 314 km de autonomia, mirando frotas corporativas. Já o Hyptec HT, SUV premium com portas asa-de-gaivota, é o mais caro, com preços entre R$ 299.990 e R$ 349.990, competindo com modelos de marcas estabelecidas como Tesla e BMW.
A estratégia da GAC inclui uma rede de vendas ampla desde o início. As 33 concessionárias, distribuídas em 17 estados, e os 50 pontos em shoppings, em parceria com 27 grupos econômicos, garantem capilaridade. Até o fim de 2025, a meta é atingir 120 pontos de venda, cobrindo todas as regiões do país. A empresa também firmou um acordo com o Inmetro para avançar na infraestrutura de recarga elétrica, um ponto crítico para a adoção de veículos elétricos no Brasil.
Modelos que chegam ao Brasil
A linha inicial da GAC é composta por cinco modelos, todos eletrificados, com foco em SUVs e um sedã. Cada veículo foi projetado para atender a diferentes necessidades, desde mobilidade urbana até alto desempenho. Abaixo, os detalhes de cada um:
- Aion ES: Sedã elétrico de entrada, com 4,81 m de comprimento, motor de 136 cv e autonomia de 314 km (Inmetro). Preço: R$ 169.990.
- Aion Y: SUV elétrico com visual de monovolume, 204 cv, 318 km de autonomia e espaço interno generoso. Preço inicial: R$ 174.990.
- GS4: Único híbrido, combina motor a combustão 2.0 de 140 cv com elétrico de 182 cv, totalizando 235 cv. Autonomia de 705 km. Preço: R$ 189.990 a R$ 199.990.
- Aion V: SUV elétrico médio, com 204 cv, 389 km de autonomia e recursos como bancos com massagem. Preço: R$ 214.990.
- Hyptec HT: SUV premium elétrico, com 245 cv, 362 km de autonomia e portas asa-de-gaivota na versão Ultra. Preço: R$ 299.990 a R$ 349.990.
Os modelos contam com garantia estendida: 8 anos ou 160 mil km para os elétricos (200 mil km para baterias) e 5 anos ou 150 mil km para o híbrido. Até 30 de junho de 2025, compradores recebem benefícios como carregador portátil e três anos de manutenção gratuita.
Foco em tecnologia e inovação
A GAC se destaca por sua abordagem tecnológica. A plataforma Aion EV, presente nos modelos elétricos, utiliza baterias Magazine 2.0, com proteção contra incêndio e recarga rápida. O sistema ADiGO, com cockpit inteligente e comandos por voz baseados em IA, eleva a experiência do motorista. O Hyptec HT, por exemplo, oferece 22 alto-falantes, teto solar panorâmico e piloto automático adaptativo. O Aion V inclui uma central multimídia de 12,3 polegadas e bancos com ventilação, aquecimento e massagem.
A parceria com três universidades brasileiras – Unicamp, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) – visa desenvolver motores flex adaptados ao mercado local. Essas colaborações reforçam o compromisso da GAC com a inovação e a tropicalização de seus veículos, garantindo maior eficiência em condições brasileiras, como estradas variadas e climas diversos.
Investimento e infraestrutura
O aporte de US$ 1,3 bilhão (cerca de R$ 7,35 bilhões) da GAC no Brasil abrange a construção de uma fábrica em Catalão, Goiás, com produção prevista para iniciar no final de 2026. A escolha do município goiano, que já abriga a fábrica da Mitsubishi, reflete a estratégia de aproveitar uma região com logística consolidada. Além disso, a empresa estabeleceu um centro de distribuição de peças em Cajamar, São Paulo, com capacidade para atender a demanda inicial e futura. O galpão, concluído antes do início das vendas, garante agilidade no pós-venda, um diferencial em relação a outras marcas chinesas.
A GAC também planeja um centro de pesquisa e desenvolvimento no Nordeste, focado em tecnologias de propulsão híbrida flex. Esse investimento sinaliza a intenção de se tornar uma montadora local, indo além da importação. A empresa destaca que suas operações abrangem toda a cadeia, desde a mineração de matérias-primas para baterias até a reciclagem, um modelo integrado raro no setor.
Competição no mercado automotivo
A chegada da GAC acirra a disputa no segmento de veículos eletrificados, onde marcas como BYD e GWM já têm presença consolidada. A BYD, por exemplo, domina o mercado de elétricos com modelos como o Dolphin, enquanto a GWM aposta em híbridos como o Haval H6. A GAC, com sua oferta diversificada, busca atrair consumidores com preços acessíveis e tecnologia de ponta. O Aion ES, por exemplo, compete diretamente com o Toyota Corolla no segmento de sedãs médios, enquanto o GS4 híbrido enfrenta o Corolla Cross e o Kia Niro.
Outras montadoras chinesas, como Geely, Leapmotor, Changan e MG Motor, também planejam estrear no Brasil em 2025, segundo a Gazeta de São Paulo. Esse movimento reflete o crescente interesse da China no mercado brasileiro, impulsionado por incentivos fiscais para veículos verdes e pela demanda por alternativas sustentáveis. A GAC, no entanto, se diferencia pelo planejamento robusto, com infraestrutura pronta e parcerias estratégicas desde o início.
Planejamento de vendas e metas
A GAC estabeleceu metas ambiciosas para o Brasil. Até dezembro de 2025, a empresa espera comercializar 8 mil unidades, número que deve crescer para 29 mil em 2026. A longo prazo, a projeção é atingir 100 mil unidades até 2030, segundo Wei Haigang, presidente internacional da companhia. Para alcançar esses números, a montadora aposta na expansão da rede de vendas e na oferta de benefícios iniciais, como manutenção gratuita e internet por dois anos em modelos como o Aion V e Hyptec HT.
A empresa também trabalha na ampliação da infraestrutura de recarga, em parceria com companhias de energia. O objetivo é mitigar uma das principais barreiras para a adoção de elétricos no Brasil: a escassez de eletropostos. Atualmente, o país possui cerca de 3.500 pontos de recarga, número que precisa crescer para suportar a eletrificação da frota, conforme dados da ABVE.
Parcerias com universidades
A colaboração com Unicamp, UFSC e UFSM é um dos pilares da estratégia da GAC. Essas parcerias focam no desenvolvimento de tecnologias adaptadas ao Brasil, como motores flex que utilizam etanol, combustível amplamente disponível no país. A tropicalização dos veículos, que considera fatores como calor, umidade e qualidade das estradas, é essencial para o sucesso no mercado local. A GAC já iniciou projetos de pesquisa com as universidades, com primeiros resultados esperados para 2026, coincidindo com o início da produção em Catalão.
Os acordos também incluem a formação de profissionais e a transferência de tecnologia, beneficiando o ecossistema automotivo brasileiro. A Unicamp, por exemplo, lidera estudos em baterias mais eficientes, enquanto a UFSC explora sistemas de recarga rápida. A UFSM, por sua vez, concentra-se em soluções para veículos híbridos, aproveitando a expertise da região em energias renováveis.
Diferenciais dos modelos
Cada modelo da GAC traz características únicas para se destacar no mercado. O Aion Y, com sua carroceria que lembra uma minivan, é ideal para famílias, oferecendo espaço interno comparável ao de modelos como Chevrolet Spin. O Aion V, por sua vez, combina design tradicional com tecnologia avançada, como o pacote ADAS completo, que inclui frenagem autônoma e alerta de ponto cego. O GS4 híbrido se destaca pela autonomia de 705 km, uma das maiores da categoria, enquanto o Hyptec HT impressiona pelo design arrojado e portas asa-de-gaivota, um toque de exclusividade.
Os veículos também oferecem itens de conforto e segurança, como ar-condicionado dual zone, sensores de estacionamento e até geladeira/forno no console central do Aion V. Esses detalhes, aliados a preços competitivos, posicionam a GAC como uma alternativa atraente em um mercado dominado por marcas tradicionais.
Expansão da rede de vendas
A rede de 83 pontos de venda, composta por concessionárias e estandes em shoppings, foi planejada para garantir acessibilidade. A presença em shoppings, em parceria com grandes grupos econômicos, facilita o contato com consumidores urbanos, um público-chave para veículos eletrificados. A expansão para 120 pontos até o fim de 2025 inclui cidades menores, ampliando o alcance da marca. A GAC também investe em treinamento de equipes para oferecer um atendimento diferenciado, com foco no pós-venda e na experiência do cliente.

