Dólar cai com Selic alta e Fed estável: carry trade e commodities impulsionam real

Dólar - Mitriakova Valeriia/shutterstock.com

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O dólar no mercado à vista registra queda na manhã desta sexta-feira, 20 de junho de 2025, influenciado pelas recentes decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos. O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou a taxa Selic na quarta-feira, enquanto o Federal Reserve (Fed) optou por manter os juros inalterados, ampliando o apelo do carry trade para o real. Esse movimento, aliado à valorização de commodities como minério de ferro e petróleo, pressiona a moeda americana, que acumula perdas de cerca de 4% em junho e 11% no ano. A menor liquidez no mercado e a desvalorização do dólar no exterior, após adiamento de decisões geopolíticas nos EUA, também contribuem para o cenário.

O ajuste no câmbio reflete a busca por equilíbrio após a semana marcada por eventos econômicos e tensões internacionais. Investidores recalibram posições, aproveitando a atratividade do real em um contexto de juros altos no Brasil.

  • Fatores principais da queda do dólar:
    • Alta da Selic, que reforça o carry trade.
    • Estabilidade dos juros nos EUA, reduzindo pressão sobre o dólar.
    • Valorização de commodities, atraindo exportadores ao mercado cambial.

Cenário econômico favorece o real

A decisão do Copom de elevar a Selic fortalece o real ao tornar os ativos brasileiros mais atrativos para investidores estrangeiros. O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, agora mais pronunciado, estimula o carry trade, prática em que investidores tomam empréstimos em moedas de países com juros baixos, como o dólar, para aplicar em mercados com retornos mais altos, como o Brasil. Essa dinâmica ganhou força após a manutenção dos juros pelo Fed, que sinalizou cautela diante de incertezas globais.

No mercado interno, a liquidez reduzida nesta sexta-feira reflete o feriado norte-americano de quinta-feira, que limitou as negociações. Ainda assim, o dólar à vista caiu 0,20% às 9h23, cotado a R$ 5,4901, enquanto o contrato futuro de dólar para julho subiu 0,10%, a R$ 5,5000, em ajustes técnicos.

A valorização de commodities também desempenha um papel crucial. O minério de ferro e o petróleo WTI, negociado em Nova York, registraram altas, incentivando exportadores a venderem dólares no mercado à vista para converter receitas em reais. Esse fluxo de entrada de moeda estrangeira pressiona ainda mais a cotação do dólar para baixo.

Geopolítica e o dólar mais fraco

O cenário internacional contribui para a desvalorização do dólar. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o adiamento de uma decisão sobre a possível entrada do país no conflito entre Israel e Irã, que já dura oito dias consecutivos. A pausa nas tensões, embora temporária, reduz a busca por ativos seguros, como o dólar, e favorece moedas de países emergentes, como o real.

No campo diplomático, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, confirmou planos para se reunir com autoridades europeias em Genebra, em busca de uma solução para o conflito. As conversas, marcadas para esta sexta-feira, serão o primeiro encontro direto entre representantes ocidentais e iranianos desde o início dos confrontos. Apesar do otimismo, Araghchi destacou que o Irã não negociará enquanto Israel mantiver os ataques.

Essa dinâmica geopolítica, embora incerta, alivia temporariamente a pressão sobre o dólar, que perde força frente a moedas como o real. Investidores monitoram os desdobramentos, ajustando posições cambiais defensivas em antecipação a possíveis fluxos de capital.

Commodities impulsionam exportações

A alta nos preços de commodities, como minério de ferro e petróleo, reforça a entrada de dólares no Brasil, sustentando o real. O minério de ferro, essencial para a balança comercial brasileira, registra valorização em mercados internacionais, enquanto o petróleo WTI sobe após o feriado nos EUA. Esses ganhos incentivam exportadores a intensificarem as vendas de dólar no mercado à vista, ampliando a oferta da moeda americana.

  • Commodities em destaque:
    • Minério de ferro: alta impulsionada pela demanda global.
    • Petróleo WTI: recuperação após feriado nos EUA.
    • Soja e outros grãos: estabilidade, com leve alta em alguns contratos.

O movimento é particularmente relevante em um mês de junho em que o dólar já acumula perdas de cerca de 4% frente ao real. No ano, a desvalorização da moeda americana chega a 11%, refletindo a combinação de juros altos no Brasil e um cenário externo menos volátil.

Ajustes no mercado futuro

No mercado futuro, o dólar para julho apresenta leve alta, em um movimento técnico de correção após quedas na quarta-feira. Esse contrato, o mais negociado na B3, reflete ajustes de posições por investidores que buscam se proteger de oscilações no curto prazo. A diferença de comportamento entre o dólar à vista e o futuro evidencia a complexidade do mercado cambial, onde fatores técnicos e expectativas se sobrepõem.

A liquidez reduzida, típica de dias pós-feriado, também influencia as negociações. Operadores relatam um volume menor de negócios, o que amplifica movimentos pontuais no câmbio. Ainda assim, o viés de queda do dólar à vista prevalece, sustentado pelos fundamentos econômicos e pelo fluxo de exportações.

Papel do carry trade na valorização do real

O carry trade ganha protagonismo no atual cenário. Com a Selic em patamar elevado, o Brasil se torna um destino atrativo para investidores que buscam retornos superiores aos oferecidos por economias desenvolvidas. A decisão do Fed de manter os juros inalterados reforça essa vantagem comparativa, já que os custos de captação em dólar permanecem baixos.

Essa estratégia, embora vantajosa, não está isenta de riscos. Mudanças abruptas no cenário geopolítico ou sinais de aperto monetário nos EUA podem reverter o fluxo de capitais, pressionando o real. Por enquanto, no entanto, o ambiente favorece a moeda brasileira, que se beneficia de um contexto de estabilidade relativa.

Expectativas para o câmbio

O mercado acompanha de perto os próximos passos do Copom e do Fed. No Brasil, a alta da Selic reflete preocupações com a inflação, mas também sinaliza um compromisso com a estabilidade econômica. Nos EUA, a cautela do Fed sugere que os juros permanecerão estáveis no curto prazo, o que beneficia moedas de países emergentes.

Investidores também monitoram o desenrolar do conflito no Oriente Médio. Qualquer escalada nas tensões pode reacender a busca por ativos seguros, fortalecendo o dólar. Por outro lado, avanços diplomáticos, como os esperados na reunião em Genebra, podem consolidar a desvalorização da moeda americana.

Fluxo de capitais e balança comercial

A entrada de capitais no Brasil, impulsionada pelo carry trade e pelas exportações, fortalece a balança comercial. O aumento das vendas externas, especialmente de commodities, eleva a oferta de dólares no mercado, pressionando a cotação da moeda. Esse movimento é particularmente relevante em um contexto de recuperação econômica global, onde a demanda por matérias-primas permanece aquecida.

No curto prazo, a expectativa é de continuidade da pressão de baixa sobre o dólar, especialmente se os preços de commodities se mantiverem em alta. A combinação de juros elevados e fluxo de exportações cria um ambiente favorável ao real, embora a volatilidade permaneça como um fator de risco.

Monitoramento do mercado

Operadores do mercado financeiro mantêm atenção redobrada aos indicadores econômicos e geopolíticos. A cotação do dólar à vista, que caiu 0,20% às 9h23 desta sexta-feira, reflete um ajuste fino às condições atuais. Já o dólar futuro, com alta de 0,10%, sinaliza cautela entre investidores que buscam proteção contra oscilações.

O cenário atual, embora favorável ao real, exige monitoramento constante. Fatores como a evolução das negociações no Oriente Médio, os preços das commodities e as decisões de política monetária serão determinantes para a trajetória do câmbio nas próximas semanas.

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