Bitcoin despenca abaixo de US$ 100 mil com ataques dos EUA ao Irã: veja preços

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Bitcoin - Foto: Vertigo3d/iStock.com

A escalada do conflito no Oriente Médio, marcada pela entrada dos Estados Unidos com ataques a instalações nucleares iranianas, abalou o mercado de criptomoedas, levando o Bitcoin (BTC) a ser negociado abaixo de US$ 100 mil. Na tarde de 22 de junho de 2025, a principal criptomoeda registrou queda de 4,55%, cotada a US$ 98.913,29, enquanto outras moedas digitais, como Ethereum e Solana, sofreram perdas ainda mais acentuadas. O bombardeio americano às instalações de Fordow, Natanz e Isfahan, ordenado pelo presidente Donald Trump, intensificou a aversão ao risco nos mercados globais. A ação militar visa conter o programa nuclear do Irã, mas reacende temores de uma guerra mais ampla. A instabilidade geopolítica, somada à percepção de criptomoedas como ativos de alto risco, explica a desvalorização. O mercado agora aguarda os próximos desdobramentos do conflito.

O impacto da tensão no Oriente Médio vai além das criptomoedas, afetando outros ativos financeiros. Investidores migraram para refúgios tradicionais, como ouro e títulos do Tesouro americano, enquanto o petróleo registrou alta devido a preocupações com possíveis interrupções no fornecimento. A volatilidade no mercado cripto reflete a incerteza sobre a duração e a escala do conflito, que já envolve trocas de ataques aéreos entre Israel e Irã desde a semana passada.

  • Fatores da queda: Aversão ao risco impulsionada pelo conflito EUA-Irã-Israel.
  • Ativos afetados: Bitcoin, Ethereum, Solana e outras criptomoedas de grande porte.
  • Reação do mercado: Venda em massa de ativos digitais e busca por investimentos seguros.

A situação no Oriente Médio permanece fluida, com líderes mundiais pedindo contenção para evitar uma escalada ainda maior. Enquanto isso, os preços das criptomoedas seguem sob pressão, com investidores monitorando de perto as decisões políticas e militares.

Tensão geopolítica e o mercado cripto
O conflito entre Israel e Irã, agora com a participação direta dos EUA, começou a ganhar contornos mais graves em 13 de junho de 2025, quando Israel lançou ataques aéreos contra alvos nucleares e militares iranianos. A justificativa israelense foi a suposta proximidade do Irã em desenvolver armas nucleares, algo que Teerã nega, afirmando que seu programa nuclear é voltado para fins civis. A entrada dos EUA no conflito, com o bombardeio de três instalações nucleares iranianas, elevou o nível de tensão. O presidente americano, em pronunciamento, declarou que os ataques foram um “sucesso militar espetacular” e alertou o Irã contra retaliações, prometendo ações ainda mais severas se necessário.

bitcoin – Foto: Nastco/iSotck.com

Essa escalada impactou diretamente os mercados financeiros, com as criptomoedas sendo particularmente afetadas. Diferentemente do ouro, que atingiu máximas históricas acima de US$ 2.500 por onça, o Bitcoin e outras moedas digitais registraram quedas significativas, reforçando sua percepção como ativos especulativos. A volatilidade do mercado cripto, que já vinha enfrentando pressões devido a mudanças na política monetária americana, foi agravada pela incerteza geopolítica.

Desempenho das principais criptomoedas
O Bitcoin, que no início de 2025 chegou a superar os US$ 100 mil após medidas pró-cripto do governo Trump, perdeu terreno nas últimas semanas. No dia 22 de junho, a criptomoeda caiu 4,55% em 24 horas, acumulando perdas de 6,23% na semana. Outras moedas também sofreram:

  • Ethereum (ETH): Queda de 10,19% em 24 horas, cotado a US$ 2.179,55, com perda acumulada de 14,18% em sete dias.
  • Solana (SOL): Recuo de 8,54%, negociada a US$ 128,68, e desvalorização de 14,47% na semana.
  • Dogecoin (DOGE): Perda de 8,73% em um dia, cotada a US$ 0,1465, com queda de 16,73% em sete dias.
  • Cardano (ADA): Desvalorização de 9,39%, a US$ 0,5228, e recuo de 16,99% na semana.

Stablecoins como Tether (USDT) e USDC mantiveram estabilidade, com variações próximas de zero, servindo como refúgio temporário para investidores que buscam evitar a volatilidade das criptomoedas.

Por que as criptomoedas caem em crises?
Apesar de serem frequentemente comparadas ao ouro como reserva de valor, as criptomoedas têm se comportado como ativos de risco durante crises geopolíticas. Durante a invasão da Ucrânia pela Rússia em 2022, por exemplo, o Bitcoin caiu 12% em uma semana antes de se recuperar parcialmente. O mesmo padrão foi observado em conflitos anteriores no Oriente Médio, como a guerra Israel-Gaza em 2023, quando o BTC subiu apenas após a estabilização da situação.

A explicação está na psicologia do mercado: em momentos de incerteza, investidores tendem a vender ativos voláteis, como criptomoedas e ações de tecnologia, em favor de opções mais seguras. A alta liquidez do mercado cripto, combinada com a presença de investidores institucionais, amplifica essas movimentações. Além disso, a possibilidade de aumento nos preços do petróleo, devido a tensões no Estreito de Ormuz, pode pressionar a inflação global, reduzindo as expectativas de cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve, o que também afeta negativamente os ativos de risco.

Reações globais ao conflito
A comunidade internacional reagiu com preocupação à intervenção americana. O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para o risco de uma “espiral de retaliações” e pediu esforços diplomáticos para desescalada. Líderes europeus, como o presidente francês Emmanuel Macron e o chanceler alemão Friedrich Merz, convocaram reuniões de emergência e defenderam negociações imediatas entre as partes. A França, em particular, se distanciou dos ataques americanos, afirmando que não participou do planejamento ou execução das operações.

Enquanto isso, o Irã prometeu retaliar, com o Corpo de Guardas Revolucionários Islâmicos afirmando que os alvos americanos na região estão vulneráveis. A falta de progresso nas negociações nucleares, que estavam previstas para ocorrer em Omã, mas foram canceladas, aumenta a incerteza. O mercado cripto, sensível a esses desdobramentos, reflete o clima de cautela predominante.

Movimentações no mercado financeiro
Além das criptomoedas, outros mercados sentiram o impacto do conflito. O índice VIX, conhecido como “medidor de medo” de Wall Street, disparou, indicando maior volatilidade nas bolsas. As ações de tecnologia, que muitas vezes se movem em sincronia com o mercado cripto, também registraram quedas. Por outro lado, o ouro atingiu novas máximas, enquanto os preços do petróleo Brent subiram cerca de 7%, para US$ 72,60 por barril, devido a temores de interrupções no fornecimento global.

No mercado de derivativos cripto, as liquidações foram expressivas. Dados mostram que, nas últimas 24 horas de 22 de junho, US$ 675 milhões em posições foram liquidadas, sendo US$ 595 milhões em posições compradas. O Ethereum liderou as perdas, com US$ 275 milhões em liquidações, seguido pelo Bitcoin, com US$ 151 milhões. O índice de medo e ganância, que mede o sentimento do mercado, caiu de 49 (neutro) para 42 (medo), refletindo o pessimismo dos investidores.

Histórico de volatilidade do Bitcoin
O Bitcoin tem um histórico de reações intensas a eventos geopolíticos, mas também de recuperações rápidas. Após a queda inicial durante a guerra Rússia-Ucrânia, a criptomoeda subiu 16% em menos de dois meses. Durante o conflito Israel-Gaza de 2023, o BTC ganhou 50% em 50 dias após a estabilização inicial. Esses precedentes sugerem que, caso o conflito no Oriente Médio se estabilize, o mercado cripto pode encontrar espaço para recuperação, especialmente se apoiado por políticas monetárias favoráveis ou sinais de desescalada.

No entanto, a duração do conflito atual permanece incerta. A possibilidade de retaliações iranianas, incluindo ataques cibernéticos ou ações contra bases americanas, mantém os investidores em alerta. A falta de clareza sobre os danos reais às instalações nucleares iranianas também contribui para a incerteza, já que autoridades iranianas afirmam que os locais foram evacuados previamente, minimizando os impactos.

Fatores que influenciam os preços
Diversos elementos estão moldando o comportamento do mercado cripto neste momento:

  • Geopolítica: A escalada do conflito EUA-Irã-Israel é o principal motor da queda.
  • Macroeconomia: Expectativas de inflação mais alta e possível aperto monetário pelo Federal Reserve.
  • Sentimento do mercado: Aversão ao risco generalizada, com venda de ativos voláteis.
  • Liquidez: Altas liquidações no mercado de derivativos amplificam a volatilidade.

A combinação desses fatores cria um ambiente desafiador para as criptomoedas, que, apesar de seu apelo como ativos descentralizados, ainda estão altamente correlacionadas com os mercados tradicionais em momentos de crise.

O que esperar do mercado cripto?
O futuro próximo das criptomoedas dependerá de como o conflito no Oriente Médio evoluirá. Um cessar-fogo ou progresso nas negociações nucleares poderia aliviar a pressão sobre os preços, enquanto uma escalada prolongada manteria a volatilidade elevada. Investidores estão atentos a sinais de retaliação iraniana, que poderiam incluir ataques a infraestruturas estratégicas ou respostas cibernéticas, afetando ainda mais os mercados globais.

Enquanto isso, o mercado cripto enfrenta um teste de resiliência. A percepção de que ativos digitais não funcionam como “ouro digital” em crises geopolíticas pode levar a um ajuste nas estratégias de investimento, com maior foco em stablecoins ou outros ativos menos voláteis durante períodos de incerteza.

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