O Gabinete Nacional de Auditoria do Reino Unido divulgou nesta sexta-feira um relatório sobre os arranjos de propriedades da família real. O documento aponta que Andrew Mountbatten-Windsor, ex-príncipe, obteve rendimentos com a sublocação de três casas de campo na Royal Lodge, residência que ocupou por mais de 20 anos pagando apenas taxa simbólica.
O arrendamento assinado em 2003 permitia que ele sublocasse parte das oito casas de campo no terreno, enquanto a mansão principal de 30 quartos ficava sob sua ocupação. As três propriedades foram alugadas diretamente por ele até abril de 2026. O valor exato dos rendimentos não consta no relatório.
Royal Lodge abrigava mansão e várias casas de campo
A propriedade Royal Lodge, localizada perto do Castelo de Windsor, inclui uma área extensa com múltiplas construções. Andrew Mountbatten-Windsor mantinha o contrato de locação mesmo após se mudar para Sandringham no início deste ano. O arrendamento segue válido até outubro de 2026, com cláusula de rescisão antecipada que pode gerar compensação.
O relatório do órgão fiscalizador detalha os termos do acordo com a Crown Estate. Ele destaca que o valor da sublocação não foi quantificado pela auditoria, o que gerou críticas de parlamentares. Uma ex-chefe do Comitê de Contas Públicas classificou a omissão como preocupante.
- Andrew Mountbatten-Windsor pagava taxa simbólica pela Royal Lodge
- Três casas de campo foram sublocadas até abril de 2026
- Mansão principal tem 30 quartos e fica em Windsor
- Contrato de 2003 definia os direitos de uso
Filhas de Andrew pagam aluguel subsidiado em palácios
O documento também aborda a situação das filhas de Andrew Mountbatten-Windsor. A princesa Beatrice e a princesa Eugenie ocupam propriedades no Palácio de St. James e no Palácio de Kensington. Os aluguéis são fixados entre 50% e 68% do valor de mercado.
O rei Charles III cobre esses custos por meio da Bolsa Privada. As duas não desempenham funções oficiais como membros ativos da realeza e mantêm empregos fora da instituição. O arranjo contrasta com o de membros em atividade, que recebem alojamento gratuito em troca de deveres públicos.
William e Catherine pagam aluguel integral por residência
O relatório compara diferentes modelos de ocupação. O príncipe William e a princesa Catherine alugam uma casa de família perto de Windsor por 307.200 libras anuais, valor revisado a cada cinco anos. Eles assumem custos de reformas internas e não pagaram entrada inicial.
Outros 11 membros da família real que exercem funções oficiais recebem alojamento gratuito. O rei Charles III e a rainha Camilla, o príncipe Edward e Sophie estão entre eles. O Palácio de Buckingham afirmou que o relatório reforça o compromisso com transparência.
Andrew Mountbatten-Windsor enfrenta escrutínio desde caso Epstein
O ex-príncipe perdeu títulos reais e foi afastado de funções públicas após ligações com Jeffrey Epstein. Documentos judiciais americanos mencionaram seu nome em investigações sobre o financista. Em fevereiro, ele foi interrogado pela polícia britânica sobre suposta má conduta em cargo público, mas negou irregularidades e não foi indiciado.
Ele raramente aparece em público desde a mudança para Sandringham. Recentemente, foi visto com um hematoma no rosto, atribuído a um problema médico sem gravidade, segundo o jornal The Times. O relatório da auditoria não sugere irregularidades nos arranjos de locação.
Críticos questionam uso de recursos públicos
Parlamentares e opositores da monarquia usaram as conclusões para reforçar críticas aos custos da família real. Um ex-parlamentar liberal democrata mencionou desprezo pelo contribuinte. O foco recai sobre o aluguel simbólico e os rendimentos não detalhados.
A Crown Estate defendeu que os contratos seguem avaliações profissionais de mercado. O Gabinete Nacional de Auditoria examinou múltiplas propriedades e arranjos variados conforme as necessidades de cada membro. O documento servirá de base para inquérito parlamentar sobre transparência.
A discussão sobre as finanças reais ganha novo capítulo com esses dados. O relatório expõe diferenças nos acordos de moradia e reforça o debate sobre prestação de contas ao contribuinte britânico. Andrew Mountbatten-Windsor segue com o contrato da Royal Lodge em vigor, mesmo fora da propriedade.

