A Renault anunciou uma série de mudanças significativas em sua estrutura de comando na América do Sul, marcando um momento de transição em sua operação regional. Em 24 de junho de 2025, a montadora francesa confirmou a saída de Ricardo Gondo, presidente da Renault do Brasil, e a nomeação de Ariel Montenegro como seu substituto, a partir de 14 de julho. A reformulação ocorre semanas após a saída de Luiz Fernando Pedrucci, ex-presidente da marca na América Latina, e coincide com a recente partida do CEO global, Luca de Meo. Essas mudanças, que envolvem executivos de alto escalão, refletem a estratégia da empresa para manter sua competitividade em um mercado automotivo dinâmico. A reestruturação visa fortalecer a operação no Brasil, um dos principais mercados da região, onde a Renault mantém uma fábrica em São José dos Pinhais, no Paraná, responsável por modelos como o Kardian.
A transição na liderança ocorre em um contexto de crescimento para a Renault na América Latina, com destaque para o aumento de 24% nas vendas entre janeiro e maio de 2025. A nomeação de Montenegro, um engenheiro mecânico argentino com duas décadas de experiência na empresa, sinaliza a aposta em um executivo com profundo conhecimento interno. A seguir, são apresentados os principais pontos da reestruturação:
- Saída de Ricardo Gondo, presidente da Renault do Brasil, após anos de liderança.
- Nomeação de Ariel Montenegro, ex-presidente da Renault-Sofasa na Colômbia, para o comando no Brasil.
- Eliminação do cargo de CEO da Renault América Latina, com Gondo reportando diretamente ao CEO global da marca, Fabrice Cambolive, antes de sua saída.
- Mudanças no comando global, com a saída de Luca de Meo para assumir a liderança do grupo Kering.
Essa reformulação ocorre em um momento estratégico, com a Renault focada em lançar novos produtos e expandir sua presença em mercados fora da Europa até 2027.
Novo presidente no Brasil
A partir de 14 de julho de 2025, Ariel Montenegro assumirá a presidência e a direção geral da Renault do Brasil, reportando-se diretamente a Fabrice Cambolive, CEO global da marca. Montenegro, que iniciou sua carreira na Renault Argentina como aprendiz em 2005, traz uma trajetória de 20 anos dentro do grupo. Formado em engenharia mecânica pela Universidade Tecnológica Nacional da Argentina, ele ocupou diversos cargos de liderança, incluindo a presidência da Renault-Sofasa na Colômbia até junho de 2025. Sua experiência na região é vista como um trunfo para consolidar a posição da Renault no Brasil, onde a empresa enfrenta concorrência acirrada de montadoras chinesas e outras marcas tradicionais.
Montenegro chega ao Brasil com a missão de dar continuidade aos projetos iniciados por Gondo, como a produção do SUV Kardian e o desenvolvimento de novos modelos híbridos e elétricos. A Renault do Brasil destacou, em comunicado, a confiança na capacidade de Montenegro para liderar a operação em um mercado estratégico. Sua nomeação também reflete a tendência da empresa de promover executivos com experiência local, capazes de entender as particularidades do mercado sul-americano.
Saída de Ricardo Gondo
Ricardo Gondo, que comandava a Renault do Brasil desde 2019, deixou o cargo em 24 de junho de 2025, encerrando uma carreira de quase três décadas na empresa. Engenheiro mecânico, Gondo ingressou na Renault em 1996 como gerente de vendas e ocupou diversas posições, incluindo a presidência da Renault Espanha e Portugal entre 2013 e 2016. Durante sua gestão no Brasil, ele liderou o lançamento do Kardian, um SUV compacto que marcou uma nova fase para a marca no país, e supervisionou investimentos de R$ 5,1 bilhões entre 2021 e 2025.
A Renault, em nota oficial, agradeceu a contribuição de Gondo, destacando seu papel no fortalecimento da marca no mercado brasileiro. Sob sua liderança, a empresa ampliou sua linha de veículos eletrificados, com modelos como o Kwid E-Tech e o Megane E-Tech, e investiu em tecnologias sustentáveis, como o projeto Noronha Carbono Zero, que levou veículos elétricos a Fernando de Noronha. Apesar de sua saída, Gondo deixa um legado de crescimento, com a Renault registrando aumento nas vendas e consolidando sua fábrica no Paraná como um polo de inovação.
Reestruturação na América Latina
A saída de Luiz Fernando Pedrucci, anunciada em 3 de junho de 2025, foi o primeiro marco da reformulação na América Latina. Pedrucci, que presidia a Renault na região desde 2017, foi o primeiro brasileiro a ocupar o cargo de presidente da Renault do Brasil. Durante sua gestão, ele liderou o projeto do Kardian e negociou a parceria com a chinesa Geely, que trouxe novos investimentos ao grupo. Sua saída, comunicada via LinkedIn, foi acompanhada pela decisão da Renault de extinguir o cargo de CEO da América Latina, centralizando a gestão sob o comando global de Fabrice Cambolive.
Com a eliminação do cargo regional, Ricardo Gondo passou a responder diretamente a Cambolive antes de sua própria saída. A reestruturação visa simplificar a hierarquia da empresa, permitindo decisões mais ágeis em um mercado competitivo. A nomeação de Juan Camilo Vélez como presidente da Renault-Sofasa na Colômbia, substituindo Montenegro a partir de 1 de julho de 2025, completa o ciclo de mudanças na região. Vélez, com 22 anos de experiência no grupo, assume com a tarefa de manter o crescimento da Renault no mercado colombiano.
Mudanças no comando global
A reformulação na América do Sul ocorre em paralelo à saída de Luca de Meo, CEO global da Renault, anunciada em 15 de junho de 2025. De Meo, que comandava a empresa desde julho de 2020, deixou o cargo para assumir a presidência do grupo de luxo Kering, responsável por marcas como Gucci e Balenciaga. Sua saída gerou uma queda de até 8% nas ações da Renault, refletindo a preocupação dos investidores com o futuro da montadora sem sua liderança. Durante seu mandato, De Meo implementou o plano “Renaulution”, que focou na eletrificação e na renovação da linha de produtos, com metas ambiciosas para 2025.
A Renault já iniciou o processo de busca por um novo CEO global, com analistas apontando Denis Le Vot, vice-presidente executivo da marca Dacia, e Maxime Picat, executivo da Stellantis, como possíveis candidatos. A escolha do novo líder será crucial para manter a trajetória de recuperação da empresa, que enfrenta desafios como a transição para veículos elétricos e a concorrência em mercados emergentes.
Investimentos no Brasil
Apesar das mudanças na liderança, a Renault mantém seu compromisso com o mercado brasileiro, onde opera há mais de 25 anos. A empresa anunciou investimentos de R$ 2 bilhões para o ciclo 2023-2025, com foco na produção do Kardian e no desenvolvimento de uma nova plataforma modular. A fábrica de São José dos Pinhais, no Paraná, é um dos pilares da operação, empregando cerca de 5 mil funcionários e utilizando tecnologias como inteligência artificial e impressão 3D para otimizar a produção.
Entre os projetos em andamento, destacam-se:
- Lançamento da picape Niagara, prevista para 2025, que competirá com a Fiat Toro.
- Desenvolvimento de um SUV de sete lugares, baseado na plataforma do Kardian, para o segmento D.
- Expansão da linha E-Tech, com novos modelos híbridos e elétricos até 2027.
- Parceria com a Geely para trazer tecnologias avançadas ao Brasil.
Esses investimentos reforçam a confiança da Renault no potencial do mercado brasileiro, mesmo em um cenário de transição na liderança.
Foco em mobilidade sustentável
A Renault tem intensificado seus esforços em mobilidade sustentável, especialmente no Brasil. O projeto Noronha Carbono Zero, iniciado em 2019, levou cerca de 50 veículos elétricos a Fernando de Noronha e apoiou a criação de um ecoposto de carregamento solar. Além disso, a empresa planeja lançar modelos híbridos flex, aproveitando a flexibilidade da plataforma CMF-B, que permite a produção de veículos com diferentes motorizações.
A fábrica no Paraná é um exemplo de inovação, com cerca de 700 robôs e 350 veículos guiados automaticamente. A Renault também utiliza realidade virtual para treinar seus colaboradores, garantindo eficiência e qualidade na produção. Essas iniciativas posicionam a empresa como uma das líderes em sustentabilidade no setor automotivo brasileiro.
Competitividade no mercado
O mercado automotivo brasileiro é marcado por uma concorrência acirrada, com a entrada de montadoras chinesas e o fortalecimento de marcas tradicionais. A Renault, que ocupa uma posição consolidada no segmento de SUVs compactos com o Kardian, busca expandir sua presença em categorias de maior valor agregado. O lançamento de um SUV de porte médio em 2025, anunciado por Gondo em 2024, é parte dessa estratégia.
A empresa também enfrenta desafios regulatórios, como a oitava fase do Proconve, que exige motores mais eficientes. A Renault já adequou sua linha à sétima fase, iniciada em 2022, e trabalha para cumprir as novas exigências. A parceria com fornecedores locais tem sido essencial para aumentar o índice de integração nacional, reduzindo custos e fortalecendo a cadeia de suprimentos.
Trajetória de Ariel Montenegro
Ariel Montenegro, o novo presidente da Renault do Brasil, tem uma trajetória marcada por sua ascensão dentro do grupo. Após ingressar como aprendiz na Renault Argentina, ele ocupou cargos de liderança em diferentes mercados, incluindo a presidência da Renault-Sofasa na Colômbia. Sua experiência na gestão de operações complexas e sua familiaridade com o mercado sul-americano foram fatores decisivos para sua escolha.
No Brasil, Montenegro terá a tarefa de manter o ritmo de crescimento da Renault, que registrou aumento de 24% nas vendas no primeiro semestre de 2025. Sua gestão será acompanhada de perto, especialmente em um momento de transição global para a montadora. A expectativa é que ele traga uma abordagem inovadora, alinhada com as metas de eletrificação e sustentabilidade da empresa.
Planos até 2027
A Renault anunciou um plano ambicioso de lançar oito novos modelos em mercados fora da Europa até 2027, com investimentos de 3 bilhões de euros. No Brasil, pelo menos quatro desses modelos serão produzidos localmente, incluindo a picape Niagara e um SUV de sete lugares. A plataforma CMF-B, utilizada no Kardian, será a base para esses lançamentos, permitindo a criação de veículos com diferentes tamanhos e motorizações.
A empresa também planeja fortalecer sua linha E-Tech, com a introdução de modelos híbridos e elétricos. A parceria com a Geely, iniciada durante a gestão de Pedrucci, trará tecnologias avançadas para os novos produtos, aumentando a competitividade da Renault no mercado global.

