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Gov.br adota criptografia pós-quântica em 2025 para proteger dados

Criptografia, proteção de dados
Criptografia, proteção de dados - Foto: Alones/ Shutterstock.com Criptografia, proteção de dados - Foto: Alones/ Shutterstock.com

O Brasil está prestes a se tornar referência global em segurança digital com a adoção de assinaturas digitais baseadas em computação pós-quântica na plataforma Gov.br ainda em 2025. A iniciativa, liderada pela Kryptus, multinacional brasileira de segurança da informação, promete reforçar a proteção de dados sensíveis dos cidadãos. Anunciada por Roberto Gallo, CEO da empresa, durante o Febraban Tech 2025, a tecnologia será implementada em parceria com a VoxData. O projeto visa antecipar os desafios da computação quântica, prevista para revolucionar a criptografia a partir de 2030. Com isso, o país busca garantir maior segurança em transações digitais, em um momento em que a cibersegurança é prioridade global.

A Kryptus, fornecedora da tecnologia, destaca que a solução é um marco para o Brasil. A computação pós-quântica utiliza algoritmos resistentes a ataques de computadores quânticos, que podem quebrar sistemas de criptografia atuais. A implementação no Gov.br será um dos primeiros casos práticos no mundo, colocando o país na vanguarda da inovação em segurança digital.

  • Principais objetivos da iniciativa:
    • Proteger dados sensíveis de cidadãos brasileiros.
    • Antecipar os impactos da computação quântica.
    • Posicionar o Brasil como líder em cibersegurança.

A urgência da adoção reflete a necessidade de preparar infraestruturas digitais para o futuro, especialmente em plataformas críticas como o Gov.br, que centraliza serviços públicos.

Por que a computação pós-quântica é necessária
A computação quântica, embora ainda em desenvolvimento, promete capacidade de processamento exponencialmente superior aos computadores atuais. Roberto Gallo, em entrevista ao portal Convergência Digital, alertou que 90% das instituições financeiras brasileiras ainda não estão preparadas para essa transição. Ele explica que os algoritmos de criptografia atuais, como RSA e ECC, podem se tornar obsoletos diante de ataques quânticos. A computação pós-quântica, portanto, é uma resposta preventiva, desenvolvendo sistemas que resistam a essas ameaças antes que elas se concretizem.

O CEO da Kryptus enfatiza que a janela de tempo para adaptação é curta. A expectativa é que computadores quânticos comerciais surjam entre 2029 e 2030, mas os dados criptografados hoje já podem ser armazenados por agentes maliciosos para descriptografia futura. Essa prática, conhecida como “harvest now, decrypt later” (coletar agora, descriptografar depois), reforça a importância de agir rapidamente.

Detalhes da implementação no Gov.br
A plataforma Gov.br, que integra serviços como emissão de documentos e acesso a benefícios sociais, será a primeira a adotar assinaturas digitais pós-quânticas. A tecnologia da Kryptus garantirá que transações realizadas na plataforma sejam protegidas contra futuros ataques quânticos. A parceria com a VoxData, segundo Gallo, é essencial para escalar a solução, especialmente nas regiões Norte e Nordeste, onde a empresa tem forte atuação.

O projeto envolve algoritmos selecionados pelo Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST), dos Estados Unidos, que lidera a padronização global de criptografia pós-quântica. Esses algoritmos foram testados por anos para garantir robustez e eficiência. A Kryptus adaptou essas soluções para o contexto brasileiro, considerando a infraestrutura do Gov.br e as necessidades de escalabilidade.

  • Características da tecnologia:
    • Algoritmos resistentes a computadores quânticos.
    • Compatibilidade com sistemas existentes.
    • Alta eficiência em plataformas de grande escala.
    • Foco na proteção de dados sensíveis.

Desafios da segurança cibernética no Brasil
Apesar do avanço, o Brasil enfrenta obstáculos na consolidação de uma estratégia nacional de cibersegurança. Roberto Gallo critica a falta de coordenação centralizada, apontando que cada setor atua de forma isolada. Ele menciona que a proposta de uma Agência Cyber, em discussão no governo, ainda apresenta lacunas e não abrange todas as necessidades do país.

A cultura brasileira, segundo o executivo, é outro entrave. A percepção de risco em segurança digital é baixa, e a legislação, embora tenha avançado com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), ainda é aplicada de forma leniente. A LGPD incentivou empresas a investirem em proteção de dados, mas a ausência de penalidades rigorosas limita seu impacto.

Impacto da inteligência artificial na cibersegurança
A inteligência artificial (IA) também foi abordada por Gallo como um fator transformador na segurança da informação. Embora a IA não interfira diretamente na criptografia, ela amplia a escala de ataques cibernéticos. Agentes de IA podem realizar testes de invasão em velocidade e volume muito superiores aos humanos, exigindo defesas mais sofisticadas.

No cenário atual, a coordenação de segurança ainda depende de pessoas, mas Gallo prevê que, no futuro, agentes de IA assumirão esse papel. Essa transição exige investimentos em tecnologias que acompanhem o ritmo das ameaças, algo que o Brasil ainda precisa desenvolver.

Assinatuva GOV
Assinatuva GOV – Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

Inovação e barreiras tributárias
A Kryptus, como empresa brasileira, enfrenta desafios adicionais para inovar. Gallo destaca que o sistema tributário do país penaliza o custo da inovação, e não o lucro, desmotivando investimentos em pesquisa e desenvolvimento. O ciclo de criação de um produto inovador, que pode levar de dois a cinco anos, exige capital elevado, dificultado pelas altas taxas de juros e pela burocracia.

Mesmo assim, a empresa conseguiu se posicionar como referência em criptografia, fornecendo soluções não apenas para o Gov.br, mas também para o setor privado. A parceria com a VoxData, por exemplo, amplia o alcance da tecnologia pós-quântica para outras regiões do país, reforçando a capilaridade da Kryptus.

Preparação do setor financeiro
O setor financeiro, um dos mais avançados em tecnologia no Brasil, ainda está atrasado na adoção de criptografia pós-quântica. Gallo alerta que a maioria dos bancos e fintechs não reconhece a urgência da transição. A Febraban, organizadora do evento onde o anúncio foi feito, tem discutido o tema, mas a implementação prática ainda é limitada.

A resistência, segundo o CEO, vem da complexidade de atualizar sistemas legados e do alto custo inicial. No entanto, ele reforça que o investimento é necessário para evitar vulnerabilidades futuras. Países como Estados Unidos e China já avançam na padronização de tecnologias pós-quânticas, e o Brasil precisa acompanhar esse movimento para não ficar para trás.

Cronologia da computação pós-quântica
A adoção da criptografia pós-quântica no Brasil segue um cronograma alinhado com esforços globais:

  • 2016: O NIST inicia o processo de padronização de algoritmos pós-quânticos.
  • 2022: Primeiros algoritmos finalizados pelo NIST.
  • 2025: Gov.br implementa assinaturas digitais pós-quânticas.
  • 2030: Previsão para a chegada de computadores quânticos comerciais.

Essa linha do tempo reforça a antecipação do Brasil em relação a outros países, mas também destaca a necessidade de continuidade nos investimentos.

Parcerias estratégicas
A colaboração entre Kryptus e VoxData é um dos pilares do projeto. A VoxData, com expertise em soluções tecnológicas, complementa a tecnologia da Kryptus, garantindo a implementação eficiente no Gov.br. A parceria também abre portas para a expansão da criptografia pós-quântica em outros setores, como saúde e educação, que dependem de plataformas digitais seguras.

O foco nas regiões Norte e Nordeste reflete a intenção de democratizar o acesso à segurança digital. Essas áreas, muitas vezes negligenciadas em projetos de tecnologia, serão priorizadas para garantir que a inovação beneficie todo o país.

Próximos passos do projeto
A implementação no Gov.br será acompanhada por testes rigorosos para garantir a estabilidade do sistema. A Kryptus planeja expandir a tecnologia para outras plataformas do governo, como sistemas de votação eletrônica e cadastros nacionais. A empresa também busca parcerias com o setor privado para acelerar a adoção da criptografia pós-quântica em larga escala.

O projeto é visto como um passo estratégico para posicionar o Brasil como líder em inovação tecnológica. A expectativa é que, ao longo de 2025, outros países observem o caso brasileiro como um modelo a ser seguido.

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