Antonio Filosa, novo CEO da Stellantis, assumiu o comando global da gigante automotiva em junho de 2025, com a missão de unificar a empresa e corrigir falhas da gestão anterior. Após liderar a expansão de Jeep e Fiat no Brasil, o italiano com raízes brasileiras implementa mudanças organizacionais em escala global, sediadas em Amsterdã, na Holanda. Sua primeira medida foi proibir que funcionários se identifiquem como ex-FCA ou ex-PSA, reforçando a identidade única da Stellantis, formada pela fusão dos dois grupos em 2021. A estratégia visa fortalecer a coesão interna e reposicionar marcas como Chrysler e Maserati, enquanto enfrenta desafios com Abarth e Lancia. Filosa também reverte decisões polêmicas, como o fim do motor Hemi V8, e promete ajustes para recuperar a competitividade do grupo no mercado global. A meta descrição está integrada aqui: o novo CEO da Stellantis, Antonio Filosa, unifica a empresa, corrige erros passados e foca na recuperação de marcas como Chrysler.
A abordagem de Filosa marca um contraste com a gestão de Carlos Tavares, que enfrentou críticas por decisões controversas. Para detalhar suas prioridades, o executivo destacou ações específicas:
- Fortalecer a identidade corporativa: eliminar divisões internas entre ex-FCA e ex-PSA.
- Recuperar marcas negligenciadas: investir em Chrysler e integrar Maserati com Alfa Romeo.
- Corrigir erros estratégicos: reintroduzir o motor Hemi V8 e ajustar a estratégia elétrica da Abarth.
A Stellantis, que engloba 14 marcas, incluindo Jeep, Fiat, Peugeot e Ram, enfrenta um momento crítico. A nova liderança busca consolidar sua posição em um mercado automotivo em transformação, com foco em eletrificação e eficiência.
Unificação da cultura Stellantis
Filosa deixou claro que a fusão entre FCA e PSA, concretizada há quatro anos, deve ser vista como um processo concluído. Durante uma reunião interna, segundo fontes do setor, ele afirmou: “Somos todos Stellantis”. A proibição de referências a ex-FCA ou ex-PSA reflete a necessidade de superar rivalidades internas que ainda persistem em algumas divisões. Essa unificação é essencial para alinhar estratégias globais, especialmente em mercados competitivos como Europa e América do Norte.
A decisão enfrenta resistências. Funcionários de longa data, habituados às culturas distintas de FCA e PSA, relatam dificuldades em adotar a nova identidade. No entanto, Filosa aposta que a coesão interna fortalecerá a inovação e a eficiência operacional. A Stellantis emprega cerca de 250 mil pessoas globalmente, e a integração cultural é vista como um passo para melhorar a colaboração entre equipes.
O CEO também planeja revisar processos internos para reduzir custos. A colaboração entre Maserati e Alfa Romeo, por exemplo, visa compartilhar plataformas e tecnologias, mantendo a exclusividade de cada marca. Essa sinergia pode gerar economias significativas, especialmente em pesquisa e desenvolvimento.
Reversão de decisões polêmicas
A gestão de Carlos Tavares, que liderou a Stellantis até 2024, foi marcada por decisões que geraram controvérsias. Uma delas foi a descontinuação do motor Hemi V8, ícone da Ram e Dodge, que desagradou consumidores nos Estados Unidos. Filosa anunciou a retomada da produção do Hemi, atendendo à demanda por veículos de alta performance. A medida foi bem recebida por concessionárias e fãs das marcas.
Outro ponto de inflexão é a Chrysler, que sofreu com falta de investimentos na última década. A marca, que já foi sinônimo de inovação nos EUA, agora opera com uma linha reduzida, centrada na minivan Pacifica. Filosa revelou planos para um novo centro de design em Auburn Hills, Michigan, dedicado à Chrysler. A marca também desenvolverá modelos para segmentos de SUVs e sedãs, visando recuperar espaço no mercado americano.
Os planos incluem:
- Lançamento de uma Pacifica elétrica até 2027.
- Desenvolvimento de um SUV médio para competir com Toyota RAV4 e Honda CR-V.
- Reforço na rede de concessionárias, com expansão para mercados regionais nos EUA.
Desafios com Abarth e Lancia
Enquanto Chrysler e Maserati recebem atenção, Abarth e Lancia enfrentam cenários incertos. A Abarth, divisão esportiva da Fiat, apostou em modelos elétricos na Europa, como o 500e Abarth, mas as vendas não atingiram as metas. O foco na eletrificação, embora alinhado às regulamentações europeias, alienou parte do público que prefere os motores a combustão. No Brasil, a Abarth tem se saído melhor, com modelos como o Fiat Pulse Abarth e a futura Toro Abarth, ambos com motores turbo flex.
A Lancia, por sua vez, tenta se reposicionar como marca premium global. O novo Ypsilon, lançado em 2024, é baseado no Peugeot 208, mas seu design polarizante e preço elevado não conquistaram os consumidores. Com apenas 10 mil unidades vendidas na Europa em 2024, a Lancia enfrenta rumores de descontinuação. Filosa, no entanto, mantém o compromisso de expandir a rede de concessionárias da marca, que já conta com 160 pontos na Itália e novas unidades na França e Espanha.
Fortalecimento da Maserati
Os rumores de venda da Maserati para a Chery foram descartados por Filosa. A marca de luxo, que enfrenta dificuldades financeiras, será integrada à estratégia da Alfa Romeo para reduzir custos. A colaboração inclui o uso de plataformas compartilhadas, como a base STLA Medium, que já equipa modelos como o Jeep Compass e o Peugeot 3008. A Maserati planeja lançar um novo SUV compacto em 2026, visando competir com Porsche Macan e BMW X3.
A marca também investirá em eletrificação. O Maserati GranTurismo Folgore, primeiro modelo 100% elétrico da empresa, recebeu elogios pela performance, mas suas vendas são limitadas pelo alto preço. A integração com a Alfa Romeo pode ampliar o acesso a tecnologias de baterias, reduzindo custos de produção.
Investimentos em eletrificação
A Stellantis enfrenta pressão para acelerar sua transição para veículos elétricos, especialmente na Europa, onde metas de emissões são rigorosas. Filosa anunciou um investimento de 2 bilhões de euros até 2027 para desenvolver baterias mais eficientes e ampliar a produção de modelos elétricos. A fábrica de Melfi, na Itália, será modernizada para produzir veículos baseados na plataforma STLA Large, que equipará futuros modelos de Jeep, Dodge e Alfa Romeo.
A estratégia inclui:
- Lançamento de 10 novos modelos elétricos até 2028.
- Expansão da rede de carregamento rápido em parceria com empresas de energia.
- Redução de 20% nos custos de produção de baterias até 2026.
- Foco em mercados emergentes, como Brasil e Índia, com modelos híbridos flex.
Expansão no Brasil
No Brasil, a Stellantis mantém sua posição de liderança, com Fiat e Jeep dominando os segmentos de hatches, SUVs e picapes. Filosa, que comandou a operação brasileira por seis anos, planeja lançar a nova Fiat Toro Abarth em 2026, equipada com motor 1.3 turbo flex de 185 cv. A Ram também ganhará uma versão da Rampage com motor Hemi V8, voltada para o mercado premium.
A fábrica de Betim, em Minas Gerais, será ampliada para aumentar a produção de motores turbo flex, que equiparão modelos como Fiat Fastback e Jeep Compass. A Stellantis também investirá em veículos híbridos para o mercado brasileiro, com o Peugeot 3008 híbrido previsto para 2026.
Competição no mercado global
A Stellantis enfrenta concorrência acirrada de grupos como Volkswagen, Toyota e BYD. A ascensão de marcas chinesas, como Chery e Great Wall, pressiona a empresa a reduzir preços e acelerar inovações. Filosa aposta na diversificação de portfólio, com modelos que atendam desde o segmento popular até o mercado de luxo.
A colaboração entre marcas do grupo é um diferencial. A plataforma STLA Small, por exemplo, será usada por Fiat, Peugeot e Citroën para lançar hatches e SUVs compactos acessíveis. Já a STLA Large atenderá Dodge e Jeep em modelos de alta performance. Essa estratégia modular reduz custos e agiliza o desenvolvimento de novos veículos.
Planos para a Ram
A Ram, que já foi sinônimo de Dodge, mantém sua força no mercado de picapes. A retomada do motor Hemi V8 reforça a Ram 1500 como líder no segmento full-size nos EUA. A marca também planeja uma versão elétrica da Ram 1500 para 2027, com autonomia de 500 km. A Stellantis aposta na combinação de motores a combustão e elétricos para manter a competitividade.
A Ram também expandirá sua presença na América Latina. No Brasil, a Rampage, lançada em 2023, ganhará uma variante com tração 4×4 em 2025, visando competir com Toyota Hilux e Ford Ranger. A produção em Goiana, Pernambuco, será ampliada para atender a demanda regional.
Cenário financeiro
A Stellantis reportou receita de 189 bilhões de euros em 2024, mas sua margem de lucro caiu para 8,5%, ante 10% em 2023. A queda reflete os altos custos de transição para elétricos e a desaceleração nas vendas na Europa. Filosa planeja recuperar a lucratividade com cortes de custos operacionais e aumento da eficiência produtiva.
A empresa também enfrenta pressões de investidores para melhorar o desempenho de marcas como Lancia e Abarth. A colaboração entre Maserati e Alfa Romeo é vista como um passo para estabilizar os resultados financeiros, enquanto os investimentos na Chrysler visam retomar o crescimento nos EUA.

