A BYD deu um passo histórico na indústria automotiva brasileira ao iniciar a montagem de seus primeiros carros elétricos em Camaçari, Bahia, em 1º de julho de 2025. A fábrica, adquirida da Ford em 2023, apresentou os modelos Dolphin Mini — o primeiro veículo elétrico produzido em série no Brasil — e Song Pro, marcando o começo de uma nova era para a mobilidade sustentável no país. A operação, ainda em fase de validação, ocorre em regime SKD (semi knocked-down), com montagem de peças importadas, mas a empresa planeja alcançar produção plena em 12 meses. A iniciativa promete gerar 3 mil empregos até o fim do ano e introduzir no Brasil uma tecnologia de recarga ultrarrápida, com 400 km de autonomia em cinco minutos. O projeto reforça a aposta da montadora chinesa na nacionalização de componentes e no fortalecimento da economia local.
A chegada da BYD ao Brasil vai além da simples montagem de veículos. A empresa está reconstruindo o complexo industrial de Camaçari, com três galpões em construção, sendo um de 160 mil metros quadrados já parcialmente operacional. A estrutura antiga da Ford foi quase toda reformulada, com novas linhas de montagem e áreas destinadas à produção de componentes.
- Principais destaques da iniciativa:
- Montagem inicial dos modelos Dolphin Mini e Song Pro.
- Produção do sedã King prevista para as próximas semanas.
- Capacidade anual de 150 mil veículos, com meta de 300 mil até outubro de 2026.
- Qualificação de 160 fornecedores brasileiros para peças.
O projeto, no entanto, enfrenta desafios, como obras embargadas pelo Ministério Público do Trabalho devido a denúncias de condições laborais inadequadas, o que limita a operação plena da fábrica.
Reconstrução do complexo industrial
A BYD optou por uma reformulação completa da antiga planta da Ford, desmontando grande parte da estrutura original. O galpão principal, onde ocorreu o evento de apresentação, abriga seis linhas de produção, duas delas destinadas à montagem final. Metade da área já está pronta, aguardando apenas licenças do Corpo de Bombeiros para operar plenamente. A outra metade segue em obras, com equipamentos ainda sendo instalados.
A empresa destaca que a reconstrução visa modernizar o espaço para atender às demandas de produção de veículos elétricos. Além disso, antigos galpões da Ford, hoje abandonados, serão transformados em fábricas de componentes, como baterias e peças elétricas, no futuro. Esse plano reforça o compromisso da BYD com a nacionalização, embora, por enquanto, a operação dependa de peças importadas no regime SKD.
Fase inicial em regime SKD
A montagem em Camaçari opera no modelo SKD, no qual os carros chegam desmontados da China e são finalizados no Brasil. Esse sistema, comum em marcas como Audi e Jaguar Land Rover no país, tem baixo índice de nacionalização, o que eleva os custos tributários, equiparáveis aos de veículos importados. A BYD negocia com o governo federal condições fiscais mais favoráveis para manter a competitividade no mercado brasileiro.
Os veículos apresentados, como o Dolphin Mini e o Song Pro, ainda fazem parte de uma fase de testes, destinada a validar processos e equipamentos. A produção comercial deve começar entre julho e agosto de 2025, com 50 mil unidades previstas até o fim do ano. A meta é ambiciosa: alcançar 150 mil carros em 2026 e dobrar essa capacidade até outubro do mesmo ano.
Empregos e impacto econômico
A BYD planeja criar 3 mil vagas de emprego até dezembro de 2025, abrangendo diversas áreas, desde engenharia até logística e administração. A empresa já qualificou 160 fornecedores locais, o que deve impulsionar a cadeia produtiva na Bahia e em outras regiões do Brasil.
- Áreas de contratação previstas:
- Engenheiros e técnicos especializados em veículos elétricos.
- Operadores de linha e profissionais de logística.
- Eletricistas, seguranças e equipe administrativa.
- Especialistas em tecnologia da informação.
O projeto é visto como um marco para a economia baiana, especialmente em Camaçari, que sofreu com a saída da Ford em 2021. A chegada da BYD promete revitalizar a região, atraindo investimentos e fortalecendo o setor automotivo.
Tecnologia de recarga ultrarrápida
Um dos anúncios mais aguardados foi a introdução da Super e-Platform, uma tecnologia de recarga que permite carregar baterias com 1 megawatt de potência, recuperando 400 km de autonomia em apenas cinco minutos. Segundo a BYD, o Brasil será o primeiro país da América a receber esse sistema, que equipara o tempo de recarga de um elétrico ao de um carro a combustão.
Embora a empresa não tenha divulgado uma data exata para a implementação, a novidade reforça a liderança da BYD no setor de mobilidade elétrica. A tecnologia, que alcança velocidades de até 2 km por segundo, pode transformar a infraestrutura de recarga no Brasil, incentivando a adoção de veículos elétricos.
Desafios tributários e regulatórios
A operação em regime SKD enfrenta barreiras fiscais significativas. Desde 1º de julho de 2025, os impostos sobre veículos elétricos e híbridos importados aumentaram, o que pressiona a BYD a acelerar a nacionalização de sua produção. Sem incentivos tributários, os custos elevados podem impactar os preços dos modelos no mercado brasileiro.
A empresa negocia com o governo federal para obter benefícios fiscais, argumentando que a montagem local, mesmo em SKD, gera empregos e movimenta a economia. A resolução dessas questões será crucial para que a BYD mantenha preços competitivos frente a concorrentes como Tesla e marcas tradicionais.
Expansão planejada da fábrica
A fábrica de Camaçari foi projetada para crescer em fases. Na primeira etapa, a capacidade anual é de 150 mil veículos, com foco nos modelos Dolphin Mini, Song Pro e King. A partir de outubro de 2026, a BYD pretende dobrar essa produção, alcançando 300 mil unidades por ano.
Uma terceira fase, sem prazo definido, prevê a expansão para 600 mil carros anuais, consolidando a planta como uma das maiores da América Latina. Para isso, a empresa investe em infraestrutura, como linhas de estamparia, pintura e solda, que já estão em construção.
Compromisso com a comunidade local
A BYD enfatiza seu compromisso com a comunidade baiana, destacando a geração de empregos e o desenvolvimento tecnológico. Durante o evento de apresentação, executivos da empresa reforçaram a importância de integrar fornecedores locais e capacitar mão de obra brasileira.
- Iniciativas da BYD na Bahia:
- Treinamento de trabalhadores para tecnologias de veículos elétricos.
- Parcerias com universidades para pesquisa e inovação.
- Investimento em infraestrutura local, como estradas e serviços.
A empresa também planeja programas sociais para apoiar a comunidade, embora detalhes ainda não tenham sido divulgados. Esse enfoque busca contrapor as críticas relacionadas às condições de trabalho, que levaram ao embargo de parte das obras.
Modelos em destaque na produção
O Dolphin Mini, primeiro elétrico produzido em série no Brasil, é um hatch compacto voltado para o mercado urbano. Com preço competitivo e autonomia adequada para uso diário, o modelo é uma aposta da BYD para popularizar os elétricos no país. O Song Pro, um SUV híbrido, complementa a linha, enquanto o sedã King, previsto para as próximas semanas, deve atrair consumidores de carros premium.
Cada modelo será montado inicialmente em regime SKD, mas a BYD planeja aumentar o índice de nacionalização à medida que a produção avança. Essa estratégia visa reduzir custos e atender à demanda crescente por veículos sustentáveis no Brasil.
Futuro da mobilidade elétrica no Brasil
A entrada da BYD na produção local marca um momento de transformação para o setor automotivo brasileiro. A combinação de montagem de veículos, geração de empregos e introdução de tecnologias como a Super e-Platform posiciona o Brasil como um polo de inovação em mobilidade elétrica.
A fábrica de Camaçari, mesmo com desafios regulatórios e trabalhistas, é um passo estratégico para consolidar a liderança da BYD no mercado latino-americano. A empresa aposta na crescente aceitação dos elétricos, impulsionada por incentivos governamentais e pela conscientização ambiental dos consumidores.

