Yara menina desaparecida é encontrada em São Bernardo após desaparecer em Santos
Yara Melo Delfino, uma adolescente de 12 anos, desapareceu no último domingo, 6 de julho de 2025, após sair de sua casa no bairro Marapé, em Santos, litoral de São Paulo. Localizada na manhã de sexta-feira, 11 de julho, em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, a menina estava na residência de um jovem de 18 anos com quem mantinha contato pela internet. A Polícia Civil, que investiga o caso, confirmou que Yara retornou à sua cidade em um mototáxi, após ligar para a mãe, Maria Patrícia Melo, pedindo que um veículo fosse enviado para buscá-la. O caso, registrado inicialmente como desaparecimento no 2º Distrito Policial de Santos, está sob apuração da 3ª Delegacia de Investigações Criminais (DEIC), com acompanhamento do Conselho Tutelar. A investigação busca esclarecer as circunstâncias do sumiço e a natureza da relação entre a adolescente e o rapaz.
A Polícia Civil informou que Yara saiu de casa por volta das 18h30, levando uma mochila com poucas roupas, um baby doll, seu RG e o celular. Imagens de câmeras de segurança captaram a menina caminhando sozinha pela Rua Nove de Julho, em Marapé, vestindo roupas pretas e carregando uma sacola branca. A mãe, que estava trabalhando no momento do desaparecimento, foi alertada por familiares e tentou contato com a filha, mas o celular já estava desligado.

- Detalhes do caso: Yara não apresentava histórico de fugas ou comportamentos rebeldes, segundo a família.
- Investigação inicial: A polícia analisou mensagens no WhatsApp da adolescente, que incluíam conversas com o jovem, salvo como “amorzinho” em seu telefone.
- Apoio comunitário: Moradores e comerciantes de Santos compartilharam imagens e informações para auxiliar nas buscas.
A mãe de Yara relatou que, na noite anterior ao sumiço, encontrou a filha dormindo enquanto falava com um homem por chamada. Ao tentar interagir, o rapaz desligou, o que levantou suspeitas. A família, então, começou a rastrear o contato, mas enfrentou dificuldades, já que o jovem bloqueou os números dos parentes.
Buscas intensas no litoral paulista
As autoridades mobilizaram equipes especializadas em desaparecimentos e crimes cibernéticos para localizar Yara. O caso ganhou repercussão em Santos, com ampla divulgação em portais de notícias e redes sociais. A polícia analisou o histórico de mensagens no celular da adolescente, que permaneceu desligado durante os cinco dias de ausência. Segundo o delegado Thiago Nemi Bonametti, titular da 3ª Delegacia de Homicídios, a identificação do jovem e da cidade onde Yara estava ocorreu na quinta-feira, 10 de julho. Um apelo público foi feito para que a menina retornasse antes de uma operação policial no local.
Na mesma quinta-feira, Yara enviou um áudio à mãe, afirmando estar bem e na casa de uma amiga, com retorno previsto para o dia 23 de julho. A família, no entanto, suspeitou de coação, já que o tom da mensagem parecia incomum. A mãe entregou à polícia prints de conversas e o histórico de chamadas, que indicavam um contato frequente com o jovem de 18 anos.
A comunidade do bairro Marapé também desempenhou um papel crucial. Vizinhos relataram ter visto Yara caminhando rapidamente, olhando para trás como se estivesse preocupada. As imagens de monitoramento, obtidas por jornalistas da TV Tribuna, afiliada da Globo, reforçaram a hipótese de que a adolescente poderia ter entrado em um veículo próximo ao local onde foi vista pela última vez.
Retorno de Yara e depoimento
Mais sobre o assunto: Polícia de Tóquio busca Carmelita Rakdesha Paul, adolescente britânica de 12 anos desaparecida em viagem
Na manhã de sexta-feira, a adolescente entrou em contato com a mãe, pedindo que um carro fosse enviado para buscá-la em São Bernardo do Campo, a cerca de 70 km de Santos. Maria Patrícia, aliviada, providenciou um mototáxi para o retorno da filha. Ao chegar, Yara foi levada diretamente à 3ª Delegacia de Homicídios, onde prestou depoimento acompanhada da mãe e de representantes do Conselho Tutelar. A menina afirmou que estava na casa do jovem, a quem chamava de “namoradinho”, e negou ter sido mantida em cárcere.
O delegado Bonametti destacou que Yara permaneceu na residência por vontade própria, acompanhada pela família do rapaz. No entanto, a investigação segue para apurar se houve alguma irregularidade, como aliciamento de menor ou outros crimes. A adolescente, segundo o delegado, estava morando com a mãe há apenas 15 dias, em um regime de guarda compartilhada com a avó, o que pode indicar questões familiares a serem resolvidas.
Relação virtual sob análise
A origem do contato entre Yara e o jovem ainda é um ponto central da investigação. A mãe acredita que a filha conheceu o rapaz em um jogo online, mas a polícia não confirmou essa informação. O contato do jovem estava salvo no celular de Yara como “amorzinho”, sugerindo uma relação pré-existente. A tia de Yara, Michele Cristina de Melo, chegou a trocar mensagens com o rapaz, fingindo ser uma amiga da menina, mas ele negou saber do paradeiro dela e bloqueou os familiares.
A Polícia Civil analisa o celular de Yara, que foi recuperado, para verificar o histórico de conversas e chamadas. Especialistas em crimes cibernéticos foram acionados para rastrear a identidade do jovem e confirmar se ele usou informações falsas para se aproximar da adolescente. A investigação também considera a possibilidade de que o contato tenha começado em outras plataformas, além de jogos online.
- Possíveis plataformas: Jogos online, WhatsApp e outras redes sociais são alvos da análise.
- Riscos digitais: A ausência de verificação de identidade em jogos facilita contatos anônimos.
- Ações policiais: A polícia busca mapear o padrão de comportamento do jovem em interações digitais.
- Prevenção: Autoridades reforçam a importância de monitoramento parental em plataformas digitais.
Envolvimento do conselho tutelar
No mesmo tema: Mãe de Melodee Buzzard é presa após descoberta de corpo da filha em área visitada durante viagem
O Conselho Tutelar de Santos foi acionado para acompanhar o caso e garantir a proteção de Yara. Representantes do órgão participaram do depoimento da adolescente na delegacia, avaliando as condições emocionais e familiares da menina. O conselho deve monitorar a situação para identificar se há necessidade de medidas adicionais, como apoio psicológico ou encaminhamento para serviços sociais.
A guarda compartilhada entre a mãe e a avó de Yara foi mencionada pelo delegado como um fator a ser considerado. A adolescente havia se mudado recentemente para a casa da mãe, o que pode ter influenciado sua decisão de sair de casa. O Conselho Tutelar trabalha para esclarecer se houve conflitos familiares que contribuíram para o episódio.
Apoio da família do jovem
Durante os cinco dias em que esteve em São Bernardo do Campo, Yara permaneceu na casa do jovem, com a presença de familiares dele. Segundo a polícia, a família do rapaz estava ciente da idade da adolescente, mas não há indícios, até o momento, de que Yara tenha sofrido violência ou coerção. A menina chegou a afirmar que o jovem não era maior de idade, mas a polícia confirmou que ele tem 18 anos.
A investigação agora busca entender o papel da família do jovem no caso. Uma prima do rapaz teria organizado o transporte de Yara de Santos para São Bernardo, o que levanta questões sobre a responsabilidade dos adultos envolvidos. A Delegacia de Defesa da Mulher de Santos assumiu parte das apurações, com foco em possíveis crimes contra menores.
Riscos das interações online
O desaparecimento de Yara trouxe à tona os perigos das interações digitais, especialmente em plataformas de jogos online. Especialistas alertam que adolescentes são alvos frequentes de indivíduos que utilizam jogos para estabelecer contatos. A falta de supervisão em muitas plataformas facilita a criação de laços com desconhecidos, o que pode levar a situações de risco.
A Polícia Civil de São Paulo tem intensificado ações de conscientização sobre segurança digital. Campanhas voltadas para pais e responsáveis destacam a importância de monitorar as atividades online dos filhos, limitar o acesso a plataformas sem verificação de identidade e ensinar os jovens a identificar comportamentos suspeitos.
- Falta de filtros: Muitos jogos online não exigem autenticação rigorosa, permitindo perfis falsos.
- Engajamento prolongado: Adolescentes passam horas em jogos, criando vínculos com estranhos.
- Sinais de alerta: Mudanças de comportamento ou segredos sobre contatos online devem ser monitorados.
- Recomendações: Configurar controles parentais e dialogar abertamente com os filhos são medidas eficazes.
Mobilização comunitária em Santos
A busca por Yara mobilizou não apenas as autoridades, mas também a comunidade de Santos. Moradores dos bairros Marapé e Embaré compartilharam fotos e descrições da adolescente em redes sociais, aumentando a visibilidade do caso. Comerciantes locais forneceram imagens de câmeras de segurança, que ajudaram a traçar o trajeto da menina após sair de casa.
A solidariedade da população foi destacada pela mãe de Yara, que agradeceu o apoio recebido. A rápida divulgação do caso em portais de notícias, como G1 e Metrópoles, também contribuiu para pressionar por uma resolução. O apelo público feito pela polícia na quinta-feira foi decisivo para que Yara entrasse em contato com a família no dia seguinte.
Próximos passos da investigação
A Polícia Civil continua as diligências para esclarecer todos os aspectos do caso. O jovem de 18 anos pode ser investigado, dependendo do depoimento de Yara e das evidências coletadas. O delegado Bonametti afirmou que, caso não haja indícios de atos libidinosos ou coerção, o rapaz pode não ser responsabilizado criminalmente. No entanto, a apuração segue para determinar se houve aliciamento ou outras irregularidades.
A Delegacia de Defesa da Mulher de Santos conduz uma análise detalhada das circunstâncias do desaparecimento, com foco na proteção da adolescente. O Conselho Tutelar deve apresentar um relatório sobre as condições de Yara, que pode influenciar decisões sobre sua guarda e acompanhamento psicológico.
Acompanhamento psicológico para Yara
Após o retorno, Yara foi avaliada por profissionais de saúde em Santos. Embora não haja relatos de violência física, a adolescente passou por uma situação de vulnerabilidade que exige atenção. O Conselho Tutelar recomendou sessões de apoio psicológico para ajudar Yara a processar o ocorrido e reintegrar-se à rotina familiar.
A mãe da adolescente, Maria Patrícia, expressou alívio com o retorno da filha, mas também preocupação com os eventos dos últimos dias. A família planeja buscar orientação para lidar com os desafios da adolescência e reforçar a segurança de Yara no ambiente digital.

















