Trump determina banimento de mulheres trans em competições femininas nos EUA

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Donald Trump - Foto: Instagram

O Comitê Olímpico e Paralímpico dos Estados Unidos (USOPC) anunciou, em 21 de julho de 2025, a proibição de mulheres transgênero em competições femininas, seguindo uma ordem executiva assinada pelo presidente Donald Trump em fevereiro. A decisão, publicada discretamente no site oficial da entidade, alinha-se à política federal que exclui pessoas designadas como sexo masculino ao nascimento de torneios femininos, mesmo que se identifiquem como mulheres. A medida, que entrou em vigor imediatamente, impacta todas as confederações filiadas ao USOPC e segue a linha adotada pela NCAA, que baniu atletas trans de competições universitárias femininas no início do ano. A mudança ocorre em meio a debates globais sobre elegibilidade no esporte, com o caso da nadadora Lia Thomas como exemplo central. A ordem de Trump também pressiona o Comitê Olímpico Internacional (COI) a revisar suas políticas para os Jogos de Los Angeles 2028.

A decisão do USOPC foi comunicada por meio de uma carta assinada pela CEO Sarah Hirshland e pelo presidente Gene Sykes, enviada às confederações esportivas na terça-feira, 22 de julho. O documento reforça a obrigatoriedade de cumprimento da nova política, que substitui regras anteriores baseadas em critérios internacionais de cada modalidade. A revisão foi motivada pela necessidade de cumprir determinações federais, segundo a entidade, que destacou a importância de ambientes competitivos “justos e seguros” para mulheres.

  • Principais mudanças: A nova política veta a participação de mulheres trans em eventos femininos.
  • Abrangência: A regra se aplica a todas as competições sob jurisdição do USOPC.
  • Contexto: A decisão segue a ordem executiva de Trump, que define sexo com base no nascimento.
  • Impacto imediato: Confederações nacionais devem atualizar suas políticas em conformidade.

Nova política de elegibilidade do USOPC

A alteração na política de elegibilidade do USOPC marca uma mudança significativa em relação às diretrizes anteriores, que permitiam a participação de mulheres trans desde que atendessem aos critérios de cada federação esportiva. Até 2021, o COI dava autonomia às federações internacionais para definir regras sobre atletas transgênero e intersexuais, resultando em regulamentos variados entre esportes. A nova política americana, no entanto, unifica a exclusão de mulheres trans em todas as competições femininas organizadas pela entidade, independentemente de critérios internacionais.

A carta enviada pelo USOPC às confederações destaca o diálogo com autoridades federais desde a assinatura da ordem executiva. A entidade reforçou que, como organização com estatuto federal, tem a obrigação de seguir as diretrizes do governo. A política foi publicada na seção “Política de Segurança de Atletas” do site do USOPC, mas não houve anúncio público amplo, o que gerou críticas de organizações de defesa dos direitos trans.

  • Diálogo com o governo: O USOPC negociou com autoridades para alinhar sua política à ordem de Trump.
  • Sem consulta pública: A mudança foi implementada sem debate aberto com a comunidade esportiva.
  • Critérios antigos: Antes, mulheres trans podiam competir se seguissem regras internacionais.

Caso Lia Thomas e o impacto no esporte

A nadadora Lia Thomas, de 26 anos, tornou-se um símbolo do debate sobre a participação de mulheres trans no esporte. Em 2022, ela foi impedida de competir na seletiva americana para as Olimpíadas de Paris devido às restrições da World Aquatics, que proíbe atletas trans que passaram pela puberdade masculina. Thomas recorreu à Corte Arbitral do Esporte (CAS), mas o tribunal considerou que ela não tinha legitimidade para questionar as regras da federação internacional.

A World Aquatics, responsável pela natação em nível global, estabeleceu em 2022 que apenas mulheres trans que completaram sua transição antes dos 12 anos podem competir em eventos femininos. Essa regra, segundo a federação, visa equilibrar a competição, já que a puberdade masculina pode conferir vantagens físicas, como maior massa muscular. No entanto, a Associação Mundial para Saúde de Transgêneros recomenda que a transição de gênero ocorra a partir dos 14 anos, o que torna a regra da World Aquatics praticamente excludente para a maioria das atletas trans.

Pressão sobre o COI para 2028

A ordem executiva de Trump não se limita ao cenário americano. O presidente tem pressionado o COI para adotar regras semelhantes em eventos internacionais, incluindo as Olimpíadas de Los Angeles, em 2028. A nova presidente do COI, Kirsty Coventry, afirmou que a entidade está comprometida em “proteger a categoria feminina” e anunciou a criação de uma força-tarefa com cientistas e representantes de federações esportivas para revisar as políticas de elegibilidade.

O COI enfrenta um desafio delicado: equilibrar a inclusão de atletas trans com a pressão de governos e federações por regras mais rígidas. Desde 2021, quando delegou às federações a responsabilidade por definir critérios, o COI tem evitado uma política unificada. A decisão do USOPC pode influenciar outras nações e federações a adotarem medidas semelhantes, especialmente em esportes como natação, atletismo e ciclismo, que já restringem a participação de mulheres trans.

  • Força-tarefa do COI: Cientistas e federações discutirão novas regras de elegibilidade.
  • Prazo: A revisão deve ser concluída antes das Olimpíadas de 2028.
  • Pressão americana: Trump busca impor sua política em eventos internacionais.
  • Esportes impactados: Natação, atletismo e ciclismo já têm restrições semelhantes.

Reações e debates no esporte americano

A decisão do USOPC gerou reações polarizadas. Grupos de defesa dos direitos trans, como a Transgender Legal Defense and Education Fund, criticaram a medida, argumentando que ela viola princípios de inclusão e discrimina atletas com base em sua identidade de gênero. Por outro lado, defensores da política, incluindo organizações como a Save Women’s Sports, afirmam que a exclusão de mulheres trans é necessária para preservar a equidade nas competições femininas.

Atletas como Lia Thomas enfrentam barreiras crescentes. A nadadora, que competiu pela Universidade da Pensilvânia, foi alvo de debates intensos após vencer competições universitárias em 2022. A nova política do USOPC elimina qualquer possibilidade de participação de atletas trans em eventos femininos sob sua jurisdição, o que pode impactar carreiras de competidoras em diversas modalidades.

  • Críticas à exclusão: Grupos de direitos trans veem a medida como discriminatória.
  • Apoio à política: Entidades defendem a equidade para atletas nascidas mulheres.
  • Impacto em carreiras: Atletas trans podem ser forçadas a abandonar competições.

Contexto político e social

A ordem executiva de Trump reflete sua plataforma de campanha, que inclui a promessa de “manter os homens fora das competições femininas”. Desde o início de seu segundo mandato, em janeiro de 2025, o presidente implementou políticas que definem sexo exclusivamente com base no nascimento, afetando áreas como documentação oficial e alocação em prisões federais. A medida no esporte é parte de uma agenda mais ampla que tem gerado protestos de ativistas pelos direitos trans.

Nos Estados Unidos, o debate sobre atletas trans ganhou força nos últimos anos, especialmente após casos de destaque como o de Lia Thomas. A NCAA, que regula o esporte universitário, já havia adotado uma política semelhante em fevereiro de 2025, proibindo a participação de mulheres trans em competições femininas. A decisão do USOPC reforça essa tendência e pode incentivar outros países a revisarem suas regras.

Perspectivas para o esporte global

A exclusão de mulheres trans no esporte americano levanta questões sobre o futuro da inclusão em competições internacionais. Federações como a World Aquatics e a World Athletics já adotaram regras restritivas, enquanto outras, como a União Ciclística Internacional, também limitam a participação de atletas trans. A pressão de Trump para que o COI siga o mesmo caminho pode intensificar o debate global, especialmente com a proximidade das Olimpíadas de 2028.

A força-tarefa do COI terá a tarefa de conciliar evidências científicas com demandas políticas e sociais. Estudos sobre as vantagens físicas de atletas trans que passaram pela puberdade masculina são inconclusivos, mas a narrativa de “equidade” tem dominado o discurso em muitos esportes. Enquanto isso, atletas trans enfrentam barreiras crescentes, com poucas alternativas para competir em categorias que respeitem sua identidade de gênero.

  • Federações restritivas: Natação, atletismo e ciclismo já limitam atletas trans.
  • Estudos científicos: Dados sobre vantagens físicas ainda são debatidos.
  • Inclusão em xeque: Atletas trans enfrentam exclusão em diversas modalidades.
  • Olimpíadas 2028: Los Angeles pode ser palco de novas regras globais.
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