Um inquérito com júri vai investigar se atos ou omissões de agentes da polícia contribuíram para a morte de Henry Nowak. O estudante de 18 anos foi esfaqueado em Southampton, no sul da Inglaterra, em 3 de dezembro de 2025.
O legista Jason Pegg, de Hampshire, retomou a audiência nesta quarta-feira e determinou a realização de um inquérito completo. A data prevista é 20 de setembro de 2027, mas pode ser antecipada. A família do jovem não compareceu à sessão breve realizada em Winchester.
Nowak, que estudava finanças na University of Southampton, foi atacado enquanto voltava para a residência após uma noite com amigos. Vickrum Digwa, de 23 anos, o esfaqueou cinco vezes com uma lâmina de 21 cm. Digwa mentiu para os policiais que chegaram ao local. Ele alegou que Nowak o havia agredido e feito ofensas racistas.
Nowak relatou ferimento várias vezes aos agentes
Os policiais algemaram Nowak depois de ouvirem a versão de Digwa. Imagens de câmeras corporais mostram o jovem repetindo que havia sido esfaqueado e que não conseguia respirar. Um agente respondeu que não achava que ele tinha sido ferido.
Apenas depois de algum tempo os oficiais perceberam o ferimento grave no peito. Eles removeram as algemas e iniciaram manobras de ressuscitação. Nowak morreu no local. O patologista que atuou no caso afirmou que nenhum tratamento médico de emergência teria salvado a vida dele, devido à lesão na veia principal.
Digwa foi condenado por assassinato
Vickrum Digwa foi considerado culpado de assassinato. Na segunda-feira, um juiz o condenou à prisão perpétua, com período mínimo de 21 anos. O magistrado William Mousley KC destacou que Digwa carregava a lâmina como parte de sua fé sique, mas ressaltou o uso letal da arma.
A família de Nowak criticou o tratamento dado ao filho pela polícia. Eles descreveram a situação como desumana e degradante. A força policial de Hampshire pediu desculpas publicamente e encaminhou o caso ao Independent Office for Police Conduct para investigação interna.
- Nowak era de Chafford Hundred, em Essex
- Digwa entregou a faca para a mãe antes da chegada da polícia
- Imagens de bodycam foram liberadas com autorização da família
- O inquérito considera o Artigo 2 da Convenção Europeia de Direitos Humanos
- A audiência durou apenas oito minutos
Contexto do ataque em Southampton
O incidente ocorreu na rua Belmont Road, por volta das 23h30. Nowak filmava Digwa com o celular quando a discussão começou. Digwa atacou o estudante com a lâmina grande e também carregava outra arma. Ele e familiares ligaram para a emergência, mas omitiram o esfaqueamento.
A polícia chegou ao local cerca de uma hora depois. Os agentes trataram inicialmente Digwa como vítima de agressão racista. Nowak agonizava no chão e foi virado de lado e algemado. Só então os policiais iniciaram os primeiros socorros.
Legista destaca dever de investigação pública
Jason Pegg afirmou que o Estado tem obrigação de realizar uma apuração aberta, com participação plena da família. Isso não foi possível durante o julgamento criminal. O coroner destacou que as circunstâncias da morte ainda não foram totalmente esclarecidas.
O inquérito vai focar em possíveis atrasos no atendimento e na decisão de algemar o jovem. Especialistas acompanham o caso como exemplo de falhas no reconhecimento rápido de ferimentos graves em cenas de crime.
Repercussão do caso na Inglaterra
A morte de Henry Nowak gerou debates sobre o porte de facas e o atendimento policial em situações de emergência. Autoridades reforçaram o compromisso com investigações transparentes. A família do estudante cobra respostas claras sobre o que aconteceu nos minutos finais da vida dele.
Digwa e parentes enfrentam acusações adicionais relacionadas a armas. O caso continua a chamar atenção da opinião pública britânica meses após o crime.
Detalhes sobre as investigações em curso
A polícia de Hampshire liberou trechos das imagens das câmeras corporais. O material mostra a conversa inicial com Digwa e o momento em que Nowak foi algemado. As gravações foram editadas para preservar a privacidade e o impacto emocional.
O Independent Office for Police Conduct analisa as condutas dos agentes envolvidos. O objetivo é identificar eventuais erros de protocolo e propor mudanças no treinamento para casos semelhantes.
O inquérito com júri representa uma etapa importante para esclarecer os fatos. Ele permite que a família participe ativamente e que todas as versões sejam examinadas de forma independente.

