A Mitsubishi Motors anunciou o fim de sua parceria de 25 anos com a GAC (Guangzhou Automobile Group) na China, marcando a saída definitiva da montadora japonesa do maior mercado automotivo do mundo. A decisão, comunicada em 2025, ocorre após uma sequência de dificuldades financeiras, queda nas vendas e pressão de marcas locais, como BYD e Geely. A joint venture, que já foi uma das mais promissoras na China, enfrentou desafios agravados pela transição para veículos elétricos e barreiras comerciais, como tarifas impostas pelos Estados Unidos. A saída inclui o encerramento da produção de motores e o fechamento de fábricas, impactando a presença global da marca. Este movimento reflete a reestruturação estratégica da Mitsubishi em meio a um cenário competitivo e mudanças na aliança Renault-Nissan.
A montadora japonesa, que já vendeu 144 mil veículos na China em 2012, viu sua participação de mercado encolher drasticamente. A parceria com a GAC, iniciada em 2000, gerou modelos icônicos como o Outlander, mas não resistiu à concorrência acirrada. A interrupção da produção local começou em 2023, com o fechamento de uma fábrica em Changsha, na província de Hunan, e o fim do Airtrek EV, um SUV elétrico baseado na minivan Aion Y da GAC.
- Queda de 84% no lucro operacional da Mitsubishi na China.
- Tarifas americanas intensificaram a crise financeira.
- Concorrência local com BYD, Geely e GAC dominou o mercado.
O fim da joint venture não é um caso isolado. A GAC também enfrentou a falência de sua parceria com a Stellantis (Jeep e Fiat) no início de 2025, evidenciando as dificuldades das colaborações internacionais no mercado chinês.
Histórico da parceria Mitsubishi-GAC
A joint venture entre Mitsubishi e GAC, formalizada como GAC Mitsubishi Motors, foi criada em 2000 com o objetivo de produzir veículos para o crescente mercado chinês. Nos anos 2000, a parceria prosperou, com o Outlander se tornando o modelo mais vendido da Mitsubishi na China por vários anos. A colaboração também incluiu a produção de outros SUVs, como o Pajero Sport, e a introdução de modelos híbridos e elétricos, como o Airtrek EV, lançado em 2021.
A parceria era vista como estratégica para ambas as empresas. A Mitsubishi se beneficiava da infraestrutura de manufatura da GAC, enquanto a chinesa ganhava acesso à tecnologia japonesa. No entanto, a partir de 2018, a montadora começou a perder terreno para marcas locais que ofereciam veículos elétricos mais acessíveis. A produção local foi suspensa em 2023, e a Mitsubishi passou a depender de importações, o que elevou custos e reduziu a competitividade.
- Pico de vendas: 144 mil unidades em 2012.
- Outlander: carro-chefe da marca na China por uma década.
- Airtrek EV: lançado em 2021, descontinuado em 2023.
- Importações: estratégia inviável após aumento de custos.
A crise culminou em uma queda de 84% no lucro operacional, com perdas estimadas em 10 bilhões de ienes (cerca de 66 milhões de dólares). A decisão de encerrar a parceria foi inevitável, segundo analistas do setor.
Fim da produção de motores na China
Além de abandonar a produção de veículos, a Mitsubishi também encerrou as operações da Shenyang Aerospace Mitsubishi Engine Manufacturing Ltd., uma joint venture criada em 1998 para fabricar motores a combustão. A empresa fornecia propulsores para diversas montadoras chinesas, incluindo modelos como o Ford Territory.
A Shenyang era uma das maiores fornecedoras de motores na China, mas a transição para veículos elétricos reduziu a demanda por seus produtos. A joint venture empregava cerca de 1.500 trabalhadores e produzia mais de 200 mil motores anualmente em seu auge. O fechamento reflete a mudança estrutural no mercado automotivo chinês, onde os motores a combustão estão sendo rapidamente substituídos por tecnologias elétricas.
- 1998: criação da Shenyang Aerospace Mitsubishi.
- 200 mil motores: produção anual no pico.
- Ford Territory: um dos modelos equipados com motores da joint venture.
- Transição elétrica: principal fator para o encerramento.
O término da produção de motores marca o fim de uma era para a Mitsubishi na China, que já foi uma das principais fornecedoras do setor.
Impacto das tarifas americanas
As tarifas impostas pelo governo de Donald Trump aos produtos chineses, incluindo componentes automotivos, agravaram a situação da Mitsubishi. Desde 2018, as barreiras comerciais entre Estados Unidos e China elevaram os custos de exportação, afetando diretamente as operações da montadora japonesa, que dependia de peças fabricadas na China para seus mercados globais.
A Mitsubishi tentou contornar a crise com importações para o mercado chinês, mas os custos logísticos e as tarifas tornaram a estratégia insustentável. A marca também enfrentou dificuldades para competir com os preços agressivos das montadoras locais, que dominam o segmento de veículos elétricos e híbridos.
A combinação de fatores externos, como as tarifas, e internos, como a falta de novos modelos competitivos, selou o destino da Mitsubishi na China. A empresa agora foca em mercados como Japão, Sudeste Asiático e Austrália, onde mantém uma presença sólida.
Concorrência com marcas locais
O mercado automotivo chinês é dominado por marcas locais como BYD, Geely, GWM e a própria GAC, que investiram fortemente em veículos elétricos e tecnologias de conectividade. Essas empresas oferecem modelos com preços competitivos e designs alinhados às preferências dos consumidores chineses, o que colocou as montadoras estrangeiras em desvantagem.
A Mitsubishi, que já foi líder no segmento de SUVs, não conseguiu acompanhar o ritmo de inovação das rivais. O Outlander, apesar de sua popularidade inicial, perdeu espaço para modelos como o BYD Song Plus e o Geely Boyue. O Airtrek EV, que prometia revitalizar a marca, teve vendas abaixo do esperado e foi descontinuado após apenas dois anos.
- BYD: líder em vendas de elétricos na China.
- Geely: forte presença no segmento de SUVs.
- GAC Aion: linha de elétricos em ascensão.
- Preços: modelos locais custam até 30% menos que importados.
A incapacidade de oferecer veículos elétricos competitivos foi um dos principais motivos para a saída da Mitsubishi.
Reestruturação global da Mitsubishi
A saída da China faz parte de uma reestruturação global da Mitsubishi, que enfrenta desafios dentro da aliança Renault-Nissan. A parceria entre as três montadoras, que já foi uma das mais sólidas do setor, passa por tensões desde a crise envolvendo Carlos Ghosn, ex-CEO da aliança, em 2018. A Mitsubishi busca agora concentrar esforços em mercados onde tem maior rentabilidade, como o Sudeste Asiático, onde modelos como o Xpander e o Pajero Sport são líderes de vendas.
A empresa também planeja lançar novos modelos híbridos e elétricos globalmente, mas a China não está nos planos de curto prazo. A decisão de abandonar o mercado chinês permite que a Mitsubishi redirecione investimentos para outras regiões e tecnologias, como a eletrificação de sua linha.
- Sudeste Asiático: principal mercado da Mitsubishi atualmente.
- Xpander: MPV líder em países como Indonésia e Filipinas.
- Eletrificação: foco em híbridos e elétricos fora da China.
- Aliança Renault-Nissan: reestruturação em andamento.
A saída da China, embora dolorosa, é vista como um passo necessário para a sobrevivência da marca em um mercado global cada vez mais competitivo.
Futuro da GAC após o fim das parcerias
A GAC, apesar de perder duas parcerias importantes em 2025 (Mitsubishi e Stellantis), continua em ascensão como uma das principais montadoras chinesas. A marca investe pesado em sua linha de veículos elétricos, como a Aion, que já é vendida em mercados internacionais, incluindo o Brasil. A GAC também mantém parcerias com outras montadoras, como Toyota e Honda, que seguem operando com sucesso na China.
A empresa planeja expandir sua presença global, com foco em mercados emergentes. A saída da Mitsubishi e da Stellantis pode abrir espaço para a GAC reforçar sua marca própria, especialmente no segmento de SUVs e elétricos.
A crise das joint ventures destaca a força das montadoras chinesas, que deixaram de depender de parcerias internacionais para competir globalmente. A GAC, com sua linha Aion e novos modelos, está bem posicionada para aproveitar essa nova dinâmica.

