Economia

Moeda do BRICS defendida por Lula desafia dólar e provoca reação dos EUA

Moeda do BRICS
Moeda do BRICS - Foto: Niphon Subsri/ Shutterstock.com Moeda do BRICS - Foto: Niphon Subsri/ Shutterstock.com

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou, em 12 de agosto de 2025, em São Paulo, uma proposta ambiciosa para criar uma moeda comum para o BRICS, bloco econômico formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul e novos membros como Egito, Irã, Emirados Árabes Unidos, Arábia Saudita e Etiópia. A iniciativa, apresentada durante uma entrevista, visa reduzir a dependência do dólar no comércio entre os países do grupo, especialmente após a cotação da moeda americana atingir R$ 5,3870, o menor valor desde junho de 2024. A proposta surge em um momento de tensões comerciais com os Estados Unidos, intensificadas pelas ameaças de tarifas de até 10% sobre produtos do bloco, feitas pelo presidente americano Donald Trump. Lula destacou a necessidade de fortalecer a integração econômica do BRICS, citando o acordo de 2004 com a Argentina, que permitiu transações em reais e pesos, como um exemplo de alternativa viável. O Brasil, que assumiu a presidência do bloco em 2025, planeja liderar as discussões para viabilizar a moeda, apesar dos desafios técnicos e geopolíticos que envolvem sua criação.

A proposta de Lula não é apenas econômica, mas também geopolítica, buscando um sistema financeiro global mais equilibrado. A ideia de uma moeda do BRICS ganhou destaque na cúpula do Rio de Janeiro, em julho de 2025, e reflete o desejo de reduzir a influência americana no comércio internacional.

  • Objetivo principal: Facilitar transações internas do BRICS sem conversão para dólar.
  • Contexto econômico: A valorização do real em 3,7% frente ao dólar fortalece a proposta.
  • Reação global: Líderes como Xi Jinping e Narendra Modi apoiam, mas pedem estudos técnicos.
  • Desafios: Integração financeira e rivalidades internas dificultam a implementação.

Avanço da proposta na liderança brasileira

A liderança do Brasil no BRICS em 2025 coloca o país no centro das negociações para a criação de uma moeda comum. Durante a cúpula de julho de 2025, no Rio de Janeiro, Lula reforçou que a moeda não pretende substituir o dólar globalmente, mas sim criar um sistema alternativo para transações internas do bloco. A proposta ganhou força com a desvalorização do dólar, que caiu para R$ 5,3870, refletindo a força do real e a busca por maior autonomia econômica. O Banco de Desenvolvimento do BRICS, presidido pela ex-presidente Dilma Rousseff, será peça-chave para financiar estudos e projetos que viabilizem a iniciativa.

O Brasil planeja apresentar um plano detalhado na próxima cúpula, com foco em um sistema de compensação baseado em moedas locais ou em uma unidade lastreada em ouro e moedas nacionais. No entanto, a implementação exige acordos complexos, como a criação de um mecanismo unificado de pagamentos.

  • Cronograma inicial: Discussões técnicas em 2025, com protótipo previsto para 2026.
  • Apoio interno: O Brasil busca consenso com novos membros, como Arábia Saudita e Egito.
  • Obstáculos externos: Sanções americanas e divergências entre China e Índia.

Tensões com os Estados Unidos e a reação de Trump

As ameaças de Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, intensificaram o debate sobre a moeda do BRICS. Em postagens na rede Truth Social, Trump anunciou tarifas de até 10% sobre produtos do bloco como resposta à proposta de desdolarização, classificando o BRICS como “antiamericano”. Ele justificou as medidas como uma defesa da hegemonia do dólar, que representa cerca de 90% das transações globais. Lula, por sua vez, descartou negociações diretas com Trump, mas prometeu retaliar com medidas na Organização Mundial do Comércio (OMC) para proteger os interesses brasileiros.

A postura de Trump reflete a preocupação com a perda de influência econômica dos EUA. Economistas apontam que a desvalorização do dólar, aliada a sanções contra países como Rússia e Irã, incentivou o bloco a buscar alternativas. A China, por exemplo, já negocia 20% de seu comércio de petróleo em yuan, enquanto a Índia busca acordos em rupias.

Dólar
Dólar – Foto: Hammarby Studios/istock

Histórico da desdolarização no BRICS

A discussão sobre reduzir a dependência do dólar não é recente. Desde 2022, sanções americanas contra a Rússia impulsionaram o debate no BRICS. Em 2023, durante uma visita à China, Lula questionou: “Quem decidiu que o dólar seria a moeda do comércio após o fim da paridade com o ouro?”. A cúpula de Kazan, na Rússia, em 2024, apresentou o conceito de uma moeda chamada “Unit”, lastreada em ouro e moedas nacionais, como um passo simbólico.

O Brasil tem defendido acordos bilaterais como alternativa. Em 2023, o país firmou um acordo com a China para usar real e yuan no comércio, reduzindo custos de conversão. A experiência de 2004 com a Argentina, que permitiu transações em moedas locais, é frequentemente citada como prova de viabilidade. No entanto, a criação de uma moeda comum exige maior integração financeira, algo desafiador diante das diferenças econômicas entre os membros do bloco.

  • Primeiros passos: Acordos bilaterais já reduzem o uso do dólar em 20% no comércio do BRICS.
  • Inspiração no euro: A moeda única europeia é referência, mas exige anos de planejamento.
  • Rivalidades internas: Conflitos entre China e Índia dificultam consensos.
  • Papel do ouro: Um lastro em ouro pode aumentar a confiança na nova moeda.

Barreiras técnicas para a moeda do BRICS

A implementação de uma moeda comum enfrenta obstáculos significativos. Economistas destacam a necessidade de um sistema bancário unificado e regras claras para emissão e governança. As economias do BRICS variam amplamente: a China é a segunda maior do mundo, enquanto países como Etiópia enfrentam crises econômicas. Essa disparidade complica a criação de uma moeda estável. Além disso, rivalidades geopolíticas, como as tensões entre China e Índia, dificultam acordos multilaterais.

O Banco de Desenvolvimento do BRICS, sob liderança de Dilma Rousseff, já financia projetos em moedas locais, como o real e o yuan, mas sua capacidade é limitada em comparação com instituições como o Banco Mundial. A proposta de uma moeda lastreada em ouro ou em um conjunto de moedas nacionais exige consenso sobre quem controlará sua emissão, um ponto sensível para países com forte controle sobre suas políticas monetárias.

Alternativas ao dólar no comércio global

Além da moeda comum, o BRICS explora outras formas de reduzir a dependência do dólar. Acordos bilaterais, como o firmado entre Brasil e China em 2023, permitem transações em moedas locais, reduzindo custos de conversão. A China busca expandir o uso do yuan no comércio de petróleo com a Arábia Saudita, enquanto a Índia negocia acordos em rupias com os Emirados Árabes Unidos. Essas iniciativas refletem uma tendência global: em 2023, 20% do comércio de petróleo foi feito em moedas alternativas.

A valorização do real e a queda do dólar para R$ 5,3870 fortalecem a posição do Brasil no debate. No entanto, o dólar ainda domina 90% das transações globais e 59% das reservas cambiais, segundo o Banco Internacional de Compensações. A fragmentação das reservas cambiais, impulsionada por políticas americanas, pode acelerar a adoção de alternativas, mas a transição será lenta.

  • Acordos bilaterais: Brasil e China já usam real e yuan em 15% de seu comércio.
  • Comércio de petróleo: China e Arábia Saudita negociam em yuan, desafiando o dólar.
  • Resistência do dólar: A moeda americana segue dominante em transações globais.
  • Riscos externos: Sanções americanas podem limitar o avanço da desdolarização.

Papel do Brasil na agenda do BRICS

Com a presidência do BRICS em 2025, o Brasil busca consolidar sua posição como mediador. Lula enfatizou que a moeda do BRICS é um passo rumo a um “mundo multipolar” com menos assimetrias econômicas. O país planeja fortalecer o Banco de Desenvolvimento do BRICS, que financia projetos de infraestrutura e sustentabilidade. A cúpula de 2025 também discutirá temas como combate à fome e mudanças climáticas, reforçando a relevância do bloco.

Novos membros, como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, podem ampliar a influência do BRICS, que representa 39% da economia global e 48,5% da população mundial. No entanto, a dependência do Brasil de reservas em dólar (80% de suas reservas internacionais) limita sua capacidade de liderar uma mudança radical. Lula admitiu que a proposta será testada, mas mantém o otimismo: “Se falhar, alguém terá que me convencer que estou errado”.

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