Uma jovem de 22 anos, Leticia Paul, faleceu após sofrer um choque anafil ático durante uma tomografia com contraste no Hospital Regional Alto Vale, em Rio do Sul, Santa Catarina, na quarta-feira, 20 de agosto de 2025. A reação alérgica grave ocorreu logo após a administração do contraste, substância usada para melhorar a visualização em exames de imagem. Apesar de ser entubada e receber atendimento emergencial, a jovem, que tinha histórico de pedras nos rins e realizava o exame de rotina, não resistiu e morreu em menos de 24 horas. O caso, relatado por familiares, gerou comoção e levantou debates sobre a segurança de procedimentos com contraste. O hospital emitiu nota lamentando o ocorrido e reforçando o cumprimento de protocolos clínicos. A jovem, formada em Direito, foi velada em Rio do Sul e cremada em Balneário Camboriú.
Leticia, natural de Lontras, cidade vizinha com cerca de 12 mil habitantes, era conhecida por sua dedicação aos estudos e paixão por beach tennis. A tragédia abalou familiares e amigos, que usaram redes sociais para expressar luto e pedir orações.
- Histórico médico: Leticia realizava tomografias regularmente devido a problemas renais.
- Formação acadêmica: Era graduada em Direito e cursava pós-graduação em Negócios Imobiliários.
- Velório e cremação: O corpo foi velado na Casa Mortuária Jardim Primavera e cremado no Crematório Vaticano.
Detalhes do procedimento com contraste
Exames de imagem, como tomografias, frequentemente utilizam contrastes à base de iodo para destacar estruturas internas do corpo, facilitando diagnósticos. Apesar de serem considerados seguros, esses procedimentos podem, em casos raros, desencadear reações alérgicas. Segundo especialistas, choques anafiláticos, como o que vitimou Leticia, ocorrem em menos de 0,01% dos casos, mas exigem atenção médica imediata. A jovem passou mal logo após a administração do contraste, e a equipe médica tentou reanimá-la, sem sucesso.
O Hospital Regional Alto Vale informou que todos os protocolos foram seguidos, mas não detalhou se Leticia tinha histórico de alergias ou se foram realizados testes prévios. A família relatou que o exame fazia parte da rotina da jovem, sugerindo que ela já havia sido submetida ao procedimento anteriormente sem complicações.
O que é o choque anafilático
O choque anafilático é uma reação alérgica grave e de início rápido, que pode ser desencadeada por substâncias como medicamentos, alimentos, venenos de insetos ou contrastes radiológicos. A condição exige intervenção médica urgente, pois pode levar a complicações fatais em minutos.
- Sintomas principais: Dificuldade para respirar, queda de pressão, urticária, inchaço nos lábios e língua.
- Fatores de risco: Histórico de alergias ou exposição prévia a substâncias alérgenas.
- Tratamento imediato: Administração de adrenalina e suporte respiratório.
- Prevenção: Relato de histórico alérgico e testes prévios, quando indicados.
A alergista Jane da Silva, do Hospital Universitário da UFSC, destaca que esses casos são raros, mas reforça a importância de pacientes informarem históricos de alergias antes de exames.
Repercussão e luto em Lontras
A morte de Leticia Paul gerou comoção em Lontras e Rio do Sul. Amigos e familiares compartilharam mensagens de despedida nas redes sociais, destacando a personalidade vibrante da jovem. O Colégio Sinodal Ruy Barbosa, onde ela estudou, publicou nota de pesar, descrevendo-a como uma ex-aluna de “muita luz”.
Sandra Paul, tia de Leticia, publicou um pedido de orações na terça-feira, 19 de agosto, quando a jovem já estava em estado grave. A mensagem mobilizou a comunidade, mas a evolução rápida do quadro impediu a recuperação. A cremação, realizada no Crematório Vaticano, marcou o último adeus à jovem, que completaria 23 anos em 2 de setembro.
Segurança em exames com contraste
Os contrastes radiológicos, amplamente usados em tomografias e ressonâncias, são considerados seguros, com estudos comprovando sua eficácia. No entanto, casos como o de Leticia reacendem discussões sobre os protocolos de segurança. Médicos alertam que, embora raras, as reações adversas requerem preparação das equipes de saúde para agir rapidamente.
- Protocolos recomendados: Avaliação prévia de histórico alérgico e monitoramento durante o exame.
- Riscos raros: Reações graves afetam menos de 0,01% dos pacientes.
- Alternativas: Exames sem contraste ou outras técnicas de imagem, quando viável.
- Capacitação médica: Equipes devem estar preparadas para emergências anafiláticas.
A Polícia Civil foi questionada sobre a possibilidade de investigação, mas não havia informações sobre inquérito até a última atualização. O hospital reiterou seu compromisso com a transparência, mas não confirmou se o caso será apurado internamente.
Impacto na comunidade médica
Casos raros como esse levantam debates entre profissionais de saúde sobre a necessidade de reforçar medidas preventivas. Especialistas sugerem que a triagem de pacientes deve incluir perguntas detalhadas sobre alergias, mesmo em exames de rotina. Além disso, a disponibilidade de medicamentos como adrenalina em salas de exames é essencial para lidar com emergências.
A jovem, descrita como uma pessoa amável e dedicada, deixa um legado de carinho entre amigos e familiares. Sua trajetória acadêmica, com formação em Direito e especialização em andamento, reflete o potencial interrompido pela tragédia. A comunidade de Lontras segue em luto, enquanto o caso reforça a importância de cuidados médicos rigorosos.
