IPCA-15 registra deflação de 0,14% em agosto com queda na energia elétrica, diz IBGE

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IPCA Foto: IPCA - Foto: Rmcarvalho/iStock.com

A prévia da inflação oficial do Brasil, medida pelo IPCA-15, registrou deflação de 0,14% em agosto de 2025, conforme divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (26), em São Paulo. A queda, que surpreendeu o mercado, foi impulsionada principalmente pela redução de 4,93% nos preços da energia elétrica residencial, devido ao crédito do Bônus de Itaipu nas faturas, e pela terceira queda consecutiva nos preços de alimentos e bebidas (-0,53%). O resultado marca uma desaceleração em relação a julho, quando o índice subiu 0,33%. Apesar da bandeira tarifária vermelha patamar 2 em vigor, que adiciona R$ 7,87 a cada 100 kWh consumidos, o alívio nos custos de itens básicos trouxe impacto positivo. O índice acumula alta de 4,95% em 12 meses, abaixo das projeções de mercado, que esperavam deflação entre 0,19% e 0,22%. Essa redução reflete um momento de alívio para consumidores, mas levanta questões sobre a continuidade da tendência em meio a ajustes tarifários.

O cenário econômico de agosto trouxe sinais mistos, com quatro dos nove grupos pesquisados pelo IBGE apresentando queda. A deflação foi liderada pelo setor de habitação (-1,13%), influenciado diretamente pela energia elétrica, seguida por alimentação e bebidas, transportes (-0,47%) e comunicação (-0,17%). Por outro lado, despesas pessoais (1,09%) e educação (0,78%) registraram altas, puxadas por reajustes em jogos de azar e cursos regulares.

  • Energia elétrica: Queda de 4,93% devido ao Bônus de Itaipu.
  • Alimentos no domicílio: Recuo de 1,02%, com destaque para manga (-20,99%) e batata-inglesa (-18,77%).
  • Despesas pessoais: Alta de 1,09%, influenciada por jogos de azar (11,45%).
  • Transportes: Redução de 0,47%, com combustíveis mais baratos.
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Alívio na conta de luz

A queda de 4,93% nos preços da energia elétrica foi o principal fator para a deflação do IPCA-15 em agosto. O Bônus de Itaipu, creditado nas faturas, trouxe alívio significativo para os consumidores, especialmente em regiões metropolitanas como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte. Apesar disso, a bandeira tarifária vermelha patamar 2, que eleva os custos por consumo, limitou o impacto positivo. Regiões como Curitiba e Porto Alegre ainda enfrentaram ajustes tarifários adicionais, o que gerou variações regionais no índice. O setor de habitação, que inclui energia elétrica, água e esgoto, registrou a maior queda entre os grupos analisados, com -1,13%. Esse movimento reflete uma política temporária de redução de custos, mas analistas alertam que novas altas podem ocorrer nos próximos meses com o fim do bônus e possíveis mudanças nas bandeiras tarifárias.

O impacto do setor energético no orçamento das famílias tem sido um ponto de atenção em 2025. No primeiro semestre, a energia elétrica acumulou alta de 6,93%, a maior desde 2018, o que pressionou os custos domésticos. A deflação de agosto, portanto, representa uma pausa em um cenário de aumentos constantes, mas não necessariamente uma tendência de longo prazo.

Queda nos preços de alimentos

O grupo de alimentação e bebidas registrou deflação de 0,53% em agosto, marcando o terceiro mês consecutivo de recuo. A redução foi puxada pelo subgrupo de alimentação no domicílio, que caiu 1,02%, com destaque para produtos como manga (-20,99%), batata-inglesa (-18,77%), cebola (-13,83%), tomate (-7,71%), arroz (-3,12%) e carnes (-0,94%). Esses itens, que compõem a cesta básica de muitas famílias, aliviaram os custos de alimentação em um momento de alta sensibilidade econômica.

  • Manga: Queda de 20,99%, refletindo maior oferta sazonal.
  • Batata-inglesa: Recuo de 18,77%, influenciado por boas safras.
  • Cebola: Redução de 13,83%, com aumento na produção regional.
  • Tomate: Diminuição de 7,71%, devido à estabilidade no abastecimento.
  • Arroz e carnes: Quedas de 3,12% e 0,94%, respectivamente, com preços mais acessíveis.

A alimentação fora do domicílio, como lanches e refeições, também desacelerou, passando de 0,46% em julho para 0,22% em agosto. Esse movimento reflete uma menor pressão inflacionária em serviços de alimentação, embora os preços de snacks e refeições ainda apresentem alta.

Altas em despesas pessoais e educação

Enquanto energia e alimentos aliviaram o índice, o grupo de despesas pessoais registrou a maior alta em agosto, com 1,09%, impulsionada pelo reajuste de 11,45% nos jogos de azar, em vigor desde 9 de julho. Esse aumento impactou diretamente consumidores que utilizam serviços como loterias, que têm peso relevante no orçamento de algumas famílias. O setor de educação também apresentou alta de 0,78%, com destaque para cursos regulares, como creches (1,91%) e ensino superior (1,12%).

O aumento nos preços de educação reflete ajustes sazonais típicos do segundo semestre, quando instituições educacionais revisam mensalidades. Além disso, cursos preparatórios e de idiomas registraram altas, contribuindo para o resultado do grupo. Esses reajustes, embora esperados, pesam no orçamento familiar, especialmente em um contexto de inflação acumulada de 4,95% em 12 meses.

Variações regionais no índice

As variações regionais do IPCA-15 em agosto mostram diferenças significativas entre as áreas pesquisadas. Fortaleza registrou a maior alta (0,73%), impulsionada por combustíveis como gasolina (5,92%) e energia elétrica (3,23%). Em contrapartida, Belo Horizonte teve a menor variação (-0,18%), influenciada pela queda de 20,91% nas tarifas de ônibus urbanos.

  • Fortaleza: Alta de 0,73%, com impacto de gasolina e energia elétrica.
  • Belo Horizonte: Queda de 0,18%, devido a tarifas de transporte público.
  • São Paulo: Variação moderada, com energia elétrica como principal alívio.
  • Curitiba: Ajustes tarifários limitaram a deflação no setor de habitação.

Essas diferenças regionais destacam a complexidade do cenário inflacionário no Brasil, com fatores locais, como políticas de transporte e ajustes tarifários, influenciando os resultados.

Impactos para consumidores e mercado

A deflação de 0,14% no IPCA-15 de agosto trouxe alívio para consumidores, especialmente em itens essenciais como energia elétrica e alimentos. No entanto, o resultado ficou abaixo das expectativas do mercado, que projetava uma queda mais acentuada, entre 0,19% e 0,22%. Analistas apontam que o Bônus de Itaipu foi um fator determinante, mas sua natureza temporária levanta dúvidas sobre a sustentabilidade da deflação. A bandeira tarifária vermelha, por exemplo, pode pressionar os preços nos próximos meses, especialmente se houver aumento no consumo energético.

O acumulado de 4,95% em 12 meses, embora abaixo do teto da meta de inflação (4,5% com tolerância de 1,5 ponto percentual), indica que a pressão inflacionária ainda está presente, especialmente em setores como despesas pessoais e educação. A queda nos preços de alimentos, por outro lado, beneficia diretamente as famílias de baixa renda, que destinam maior parte de seus gastos a itens básicos.

Cenário econômico em 2025

O resultado do IPCA-15 de agosto reflete um momento de transição na economia brasileira. A desaceleração da inflação, impulsionada por fatores temporários como o Bônus de Itaipu e a sazonalidade agrícola, contrasta com pressões persistentes em setores como energia e serviços. A projeção do mercado para o IPCA de 2025, segundo o relatório Focus do Banco Central, caiu para 4,86%, sinalizando otimismo cauteloso. No entanto, a manutenção da taxa Selic em 15% sugere que o Banco Central permanece vigilante, equilibrando o controle inflacionário com a necessidade de estimular o crescimento econômico, projetado em 2,18% para o próximo ano.

A deflação de agosto, embora positiva, não elimina os desafios estruturais do país, como a dependência de ajustes tarifários e a volatilidade nos preços de commodities agrícolas. Para os consumidores, o alívio nos custos de energia e alimentos é bem-vindo, mas a incerteza sobre a continuidade dessas quedas mantém a atenção voltada para os próximos indicadores.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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