A B3, a bolsa de valores brasileira sediada em São Paulo, acionou o circuit breaker na manhã desta segunda-feira (26) e suspendeu as negociações por 30 minutos após o Ibovespa atingir queda de 10% em relação ao fechamento anterior. Por volta do meio-dia, o principal índice de ações do país recuava 15,81%, operando aos 172.669 pontos, no primeiro pregão após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A desvalorização acentuada das ações brasileiras ocorreu simultaneamente à disparada da moeda norte-americana no mercado de câmbio doméstico. O movimento reflete a reação dos investidores ao resultado do segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25), quando Luiz Inácio Lula da Silva derrotou o senador Flávio Bolsonaro (PL) e garantiu o quarto mandato na Presidência da República. “Com as expectativas tão baixas, o mercado retira suas apostas do Brasil e prefere vender as ações a qualquer preço para poder remeter dólar daqui. Por isso, o movimento é muito forte de queda nas bolsas, alta do dólar e alta expressiva nos juros”, afirmou Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital.
Oscilação do Ibovespa e disparada do dólar em 26 de outubro de 2026
Antes da paralisação automática das operações na abertura desta segunda-feira, o índice de referência da bolsa brasileira vinha de um fechamento anterior na faixa de 205.082,56 pontos. Mesmo após a pausa obrigatória de meia hora determinada pelas normas operacionais da bolsa, a pressão vendedora continuou elevada no retorno dos negócios, levando o indicador a renovar mínimas ao longo da manhã antes de reduzir parte das perdas perto do início da tarde.
“Embora o Ibovespa tenha iniciado as negociações na faixa dos 204 mil pontos, a intensa pressão vendedora levou ao acionamento do circuit breaker logo nos primeiros minutos do pregão. O mecanismo de defesa da B3, que suspende as operações por 30 minutos quando o índice principal atinge 10% de queda, foi ativado pela primeira vez desde março de 2020″, declarou Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad.
No mercado de câmbio, o dólar comercial registrou forte valorização desde os primeiros negócios do dia, superando a barreira de R$ 5,60 na máxima da manhã e mantendo alta próxima de 10% no fim do período matutino. A sequência de eventos da eleição e do pregão na B3 registrou as seguintes marcas de horário, pontuação e cotação:
Leia também: Eleições 2026 no segundo turno têm liderança inicial de Lula por 57,66% a 42,34% de Flávio Bolsonaro
- 25 de outubro de 2026 — Realização do segundo turno da eleição presidencial, com vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL).
- 26 de outubro de 2026, às 9h30 — Dólar dispara 12,52% na abertura do mercado de câmbio e chega a ser cotado a R$ 5,605.
- 26 de outubro de 2026, às 10h00 — B3 aciona o circuit breaker nos primeiros minutos de operação após o Ibovespa cair 10%, paralisando o pregão por 30 minutos.
- 26 de outubro de 2026, às 10h41 — Negociações são retomadas na bolsa brasileira após o término do período de suspensão.
- 26 de outubro de 2026, às 10h56 — Ibovespa amplia a desvalorização e opera em queda de 16,26%, marcando 171.738,28 pontos.
- 26 de outubro de 2026, às 11h30 — Índice atinge recuo de 17,15%, enquanto o dólar opera em alta de 9,75%, cotado a R$ 5,4813.
- 26 de outubro de 2026, às 12h00 — Ibovespa reduz parte da baixa e registra queda de 15,81%, aos 172.669 pontos.
Ativos travados no Ibovespa e regras dos três estágios na B3
Para os investidores pessoas físicas e institucionais que operam na B3, o acionamento do mecanismo de proteção trava imediatamente a compra e a venda de uma série de produtos financeiros listados. Durante os 30 minutos de interrupção registrados a partir das 10h, ficaram suspensas todas as negociações de ações no mercado à vista, de BDRs (recibos de ações de empresas estrangeiras negociados no Brasil), de ETFs (fundos de índice negociados em bolsa) e de títulos de renda fixa privada, além das opções referenciadas em ações e nos índices Ibovespa, Ibovespa B3 BR+, IBrX-50 e Índice Small Cap.
Continue lendo: Apuração ao vivo MIx Vale nas Eleições 2026 definem presidente entre Lula e Flávio Bolsonaro
“O circuit breaker é um procedimento operacional da B3 previsto para momentos de forte queda do mercado. O mecanismo interrompe temporariamente as negociações e tem como referência a variação do Ibovespa B3, principal índice do mercado brasileiro de ações”, informou a B3, em nota oficial.
De acordo com o regulamento da bolsa brasileira, o sistema de interrupção funciona em três estágios progressivos, calculados sempre sobre o fechamento do dia útil anterior. Quando o Ibovespa atinge recuo de 10%, ocorre a primeira parada por 30 minutos; caso as vendas persistam após a reabertura e a desvalorização alcance 15%, o pregão sofre uma segunda interrupção, desta vez com duração de uma hora; se na volta dos negócios a queda chegar a 20%, a própria B3 pode suspender as operações por um prazo a ser definido pela instituição.
Histórico do circuit breaker na B3 e recorde de queda desde 1990
Criado em 1997 para conter oscilações abruptas no mercado acionário brasileiro, o circuit breaker chegou ao seu 24º acionamento na história com a paralisação registrada em 26 de outubro de 2026. Antes deste episódio, a última vez em que a trava havia sido ativada ocorreu em março de 2020, período em que a bolsa interrompeu os negócios seis vezes devido à crise financeira global provocada pela pandemia de covid-19.
Em termos percentuais, o recuo superior a 16% contabilizado ao longo da manhã desta segunda-feira representa a maior desvalorização diária do Ibovespa em mais de três décadas. O índice não registrava uma perda percentual dessa magnitude desde 21 de março de 1990, data em que a bolsa brasileira despencou 22,27% logo após o anúncio das medidas econômicas do Plano Collor.
