Itaú Unibanco compra a totalidade das ações da startup brasileira de IA NeoSpace por R$ 2,925 bilhões

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Itaú Foto: Itaú - Foto: rafapress/depositphotos.com

A aquisição da totalidade das ações da startup brasileira de inteligência artificial NeoSpace A.I. Technologies foi oficializada pelo banco Itaú Unibanco nesta segunda-feira (26), em São Paulo. O preço total acordado para a compra integral da empresa de tecnologia é de R$ 2,925 bilhões, conforme comunicado oficial enviado pelo banco à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão que regula o mercado de capitais no Brasil.

A operação financeira busca fortalecer as capacidades proprietárias da instituição bancária no uso de inteligência artificial e expandir serviços voltados diretamente aos correntistas. Segundo o documento divulgado pelo banco ao mercado, a NeoSpace é especializada na criação de grandes modelos fundacionais de dados, tecnologia desenhada para identificar padrões e relações dentro de grandes volumes de informações financeiras e operacionais.

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Aplicação da tecnologia da NeoSpace nos serviços do Itaú Unibanco

Com a incorporação definitiva da empresa de tecnologia, o banco pretende ampliar o uso de ferramentas automatizadas em áreas como concessão de crédito, gestão financeira, prevenção a fraudes e gestão de relacionamento com clientes (CRM, na sigla em inglês para o sistema que organiza o atendimento ao consumidor). Além dessas frentes internas e comerciais, a compra está ligada ao aprimoramento do assistente virtual disponibilizado aos usuários no aplicativo da instituição.

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No fato relevante enviado à CVM, o banco detalhou como a integração tecnológica afeta os produtos oferecidos ao público e o desenvolvimento do seu assistente virtual próprio, chamado ‘ia.i’, que começou a ser liberado no aplicativo da instituição ao longo de 2026. “A transação também se conecta diretamente à evolução do ‘ia.i’, assistente de inteligência artificial generativa do Itaú, potencializando a individualização das experiências e a capacidade de oferecer interações e soluções cada vez mais contextualizadas às necessidades de cada”, informou o Itaú Unibanco.

Estrutura de pagamento dos R$ 2,925 bilhões e gestão da NeoSpace

O contrato assinado em 26 de outubro de 2026 estabelece que a quitação do valor total da compra ocorrerá de maneira parcelada, combinando um desembolso inicial e repasses vinculados a metas e condições previstas no acordo comercial. Mesmo com a transferência total do controle acionário para a instituição financeira, a estrutura operacional da empresa adquirida não será dissolvida dentro do conglomerado bancário, garantindo a continuidade dos projetos técnicos já em andamento.

O modelo de governança definido pelas duas empresas preserva a independência da rotina de trabalho da startup após a conclusão do negócio. A NeoSpace continuará operando de maneira autônoma, com a manutenção integral da sua equipe técnica, a continuidade das atividades de pesquisa e desenvolvimento e a permanência do diretor-executivo (CEO, cargo máximo de comando executivo de uma empresa) Bruno Pierobon na liderança da companhia.

O cronograma financeiro e os números centrais que compõem o histórico da transação entre o banco e a empresa de tecnologia envolvem os seguintes parâmetros:

  • Preço total pela aquisição de 100% das ações: R$ 2,925 bilhões.
  • Prazo para quitação das parcelas restantes após o fechamento do negócio: 5 anos.
  • Participação acionária prévia adquirida pelo banco em janeiro de 2025: 15%.
  • Aporte realizado pelo banco em janeiro de 2025: US$ 15 milhões (cerca de R$ 74,5 milhões na época), dentro de uma rodada total de captação de US$ 18 milhões.

Histórico da parceria entre Itaú e NeoSpace desde 2025

A compra integral anunciada em outubro de 2026 consolida uma relação societária e comercial que já existia entre as duas companhias no setor de tecnologia bancária. Antes de decidir pela aquisição da totalidade do capital da startup, o Itaú Unibanco havia entrado no quadro de sócios da empresa em janeiro de 2025, quando comprou a fatia inicial de 15% acompanhada da assinatura de um acordo comercial para fornecimento de soluções tecnológicas.

Durante o período de parceria prévia, as equipes atuaram juntas na construção de ferramentas baseadas nas informações operacionais da própria instituição financeira. “A NeoSpace já presta serviços ao Itaú há quase 2 anos, por meio do desenvolvimento de modelos treinados com dados do próprio Itaú e que permitem a aplicação de inteligência artificial generativa em escala no desenvolvimento de soluções voltadas aos negócios e clientes do Itaú, inclusive para uma gestão financeira e de crédito de seus clientes cada vez mais personalizada”, afirmou o Itaú Unibanco, em fato relevante.

Aprovação da compra da NeoSpace pelo Cade e pelo Banco Central

Apesar de o valor global de R$ 2,925 bilhões estar fixado no contrato, o valor exato da parcela que será paga à vista no ato de fechamento da operação não foi detalhado no fato relevante divulgado pelo banco. Os valores específicos ou os percentuais exatos de cada uma das parcelas que serão pagas de forma diferida ao longo do prazo de cinco anos também não foram informados pela instituição.

A conclusão definitiva da compra e o pagamento da primeira parcela ainda dependem do cumprimento de condições precedentes exigidas pela legislação brasileira para operações desse porte no sistema financeiro. O negócio aguarda agora a análise e a aprovação prévia do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), órgão federal responsável por avaliar a concorrência no mercado, e do Banco Central do Brasil.

Thiago Lemos é colaborador da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2020: Formação: Administração.

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