Afeganistão sofre com terremoto de 5,4 na região sísmica do Hindu Kush

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Afeganistão Foto: Afeganistão - Pinky En Pe/Shutterstock.com

Um novo terremoto de magnitude 5,4 abalou o Afeganistão na quinta-feira, 4 de setembro de 2025, intensificando a crise humanitária em uma região já devastada por tremores recentes. O abalo, registrado pelo Centro Alemão de Pesquisa em Geociências (GFZ), ocorreu a uma profundidade de 10 km na região sudeste do país, próxima às províncias de Kunar e Nangarhar. A área, situada na cordilheira Hindu Kush, é marcada pela colisão das placas tectônicas indiana e eurasiana, o que torna o Afeganistão altamente suscetível a atividades sísmicas. Este novo tremor, parte de uma sequência de abalos, dificulta os esforços de resgate após um terremoto de magnitude 6 no domingo, 31 de agosto, que deixou mais de 1.400 mortos e 3.100 feridos. A combinação de construções precárias e terrenos montanhosos agrava a situação, enquanto equipes de socorro lutam para alcançar vilarejos isolados.

O Afeganistão enfrenta uma onda de tremores que expõe sua vulnerabilidade geológica e social. A sequência de abalos, incluindo um de magnitude 5,2 na terça-feira, 2 de setembro, reflete a instabilidade tectônica da região. Autoridades locais e organizações humanitárias alertam para a possibilidade de mais vítimas, enquanto o país tenta se recuperar de uma tragédia recente.

Afeganistão
Afeganistão – Allexxandar/Shutterstock.com
  • Principais impactos do terremoto de magnitude 5,4:
    • Ocorrido a 10 km de profundidade, intensificando danos em construções frágeis.
    • Afetou áreas rurais de Kunar e Nangarhar, já devastadas por tremores anteriores.
    • Dificultou operações de resgate devido a deslizamentos e acesso limitado.

Frequência sísmica no Hindu Kush

A região do Hindu Kush, onde o terremoto de 5,4 foi registrado, é um hotspot sísmico devido à colisão entre as placas tectônicas indiana e eurasiana. Essa interação geológica gera tremores frequentes, com profundidades geralmente inferiores a 70 km, classificados como superficiais e altamente destrutivos. O abalo de quinta-feira, embora menos intenso que o de magnitude 6 no domingo, ocorreu em um momento crítico, quando equipes de resgate ainda buscavam sobreviventes sob escombros. A Sociedade do Crescente Vermelho Afegão informou que muitas vítimas permanecem presas, e a contagem de mortos pode aumentar à medida que áreas remotas são acessadas.

A história sísmica do Afeganistão revela um padrão de catástrofes. Em 2022, um terremoto de magnitude 6,1 matou mais de mil pessoas, e em 2023, tremores em Herat deixaram 1.500 mortos, segundo dados da ONU. A repetição de eventos sísmicos expõe a fragilidade de vilarejos construídos com materiais como barro e madeira, incapazes de resistir a vibrações intensas.

Condições locais amplificam danos

As características geográficas e estruturais do Afeganistão agravam os impactos dos terremotos. Solos argilosos e arenosos, comuns em Kunar e Nangarhar, podem sofrer liquefação durante tremores, comprometendo a estabilidade de construções. Muitas casas na região são feitas de tijolos de barro cru, sem fundações de concreto ou reforços metálicos, tornando-as vulneráveis a colapsos. O terreno montanhoso, aliado a deslizamentos de terra, bloqueia estradas e isola comunidades, dificultando o acesso de equipes de resgate.

  • Fatores que intensificam a destruição:
    • Construções precárias, com materiais como barro e madeira.
    • Solos instáveis, suscetíveis à liquefação em tremores.
    • Geografia montanhosa, que impede acesso rápido a vilarejos.
    • Falta de normas de construção resistentes a abalos sísmicos.

A profundidade rasa do terremoto, a apenas 10 km, amplificou os danos, já que a energia liberada atinge a superfície com maior intensidade. Autoridades afegãs relataram que helicópteros e comandos militares foram mobilizados, mas a logística permanece desafiadora devido à infraestrutura limitada.

Esforços de resgate em meio ao caos

Os esforços de resgate enfrentam obstáculos significativos. Após o terremoto de magnitude 6, que destruiu vilarejos inteiros, equipes de emergência já estavam sobrecarregadas. O novo tremor de 5,4, embora menos letal, complicou as operações, especialmente em áreas rurais onde estradas estão bloqueadas por deslizamentos. O Ministério da Defesa do Afeganistão informou que 40 voos transportaram feridos e mortos, mas a falta de equipamentos e a geografia acidentada limitam o progresso.

Organizações humanitárias, como o Crescente Vermelho e a missão da ONU no Afeganistão, intensificaram suas operações. A ONU mobilizou equipes para fornecer assistência de emergência, incluindo água potável e abrigos temporários. No entanto, o inverno rigoroso e a destruição de centros de saúde e escolas aumentam os riscos para a população, especialmente para crianças, que representam a maioria das vítimas.

Vulnerabilidade do Afeganistão a desastres

O Afeganistão enfrenta uma combinação de fatores que o torna particularmente suscetível a desastres naturais. Além da atividade tectônica intensa, o país sofre com décadas de conflitos, pobreza extrema e dependência de ajuda internacional. A volta do Talibã ao poder em 2021 reduziu o acesso a fundos humanitários, dificultando a reconstrução de infraestrutura danificada. Vilarejos remotos, como os de Kunar, carecem de serviços básicos, o que agrava as consequências de tremores.

  • Elementos que aumentam a vulnerabilidade:
    • Décadas de instabilidade política e econômica.
    • Dependência de ajuda humanitária internacional.
    • Infraestrutura precária em áreas rurais.
    • Alta densidade populacional em zonas de risco sísmico.

A crise humanitária no Afeganistão, já agravada por enchentes e secas recentes, atinge níveis alarmantes com a sequência de terremotos. O Unicef relatou que 96 mil crianças foram afetadas por tremores anteriores em 2023, e o novo abalo deve aumentar esse número. A organização pede mais recursos para saúde, água potável e saneamento, enquanto famílias enfrentam o inverno em tendas improvisadas.

Histórico de tremores devastadores

O Afeganistão tem um longo histórico de terremotos letais, especialmente na região do Hindu Kush. A colisão entre as placas indiana e eurasiana cria uma zona de alta atividade sísmica, com tremores frequentes. Em abril de 2025, um abalo de magnitude 5,6 atingiu a mesma região, a 121 km de profundidade, causando danos limitados devido à maior profundidade. Já o tremor de domingo, 31 de agosto, com epicentro a 42 km de Jalalabad, foi um dos mais mortais desde 2022, com vilarejos inteiros destruídos.

  • Terremotos notáveis no Afeganistão:
    • 2022: Magnitude 6,1, mais de 1.000 mortos.
    • 2023: Herat, magnitude 6,3, 1.500 mortos (ONU).
    • Agosto 2025: Magnitude 6,0, mais de 1.400 mortos.
    • Setembro 2025: Magnitude 5,4, danos ainda em avaliação.

A repetição de tremores em curtos intervalos destaca a necessidade de medidas preventivas, como normas de construção mais rigorosas e monitoramento geológico avançado. Especialistas do GFZ alertam que a região pode enfrentar novos abalos, dada a constante pressão tectônica.

Carolina Costa é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2019. Formação: Administração

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