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Hotel em Belém eleva diária em 80 vezes para COP30 e segue sem reservas

COP30
Foto: COP30 - Foto: Poetra.RH/Shutterstock.com

A menos de dois meses da COP30, conferência climática da ONU marcada para novembro de 2025 em Belém, o Hotel COP30, antes conhecido como Hotel Nota 10, enfrenta dificuldades para atrair hóspedes, mesmo após elevar suas diárias em até 80 vezes, de R$ 70 para R$ 5.670. A estratégia de renomear o estabelecimento e cobrar preços elevados, mirando delegações estrangeiras, não resultou em nenhuma reserva confirmada. A cidade, que espera receber cerca de 50 mil visitantes durante os 12 dias do evento, enfrenta desafios logísticos, como déficit de acomodações e denúncias de tarifas abusivas, que ameaçam a organização do evento e a inclusão de delegações de menor orçamento. O governo local tenta mitigar o problema, mas a situação preocupa organizadores e ambientalistas.

A preparação para a COP30 revela um cenário de contrastes na capital paraense. Enquanto o governo federal destaca a importância do evento para a visibilidade da Amazônia, a realidade local expõe limitações de infraestrutura e práticas comerciais que podem comprometer o sucesso da conferência. O caso do Hotel COP30 é emblemático, mas reflete uma tendência mais ampla em Belém.

  • Principais desafios: aumento desproporcional de preços e escassez de leitos.
  • Expectativa: hospedar 50 mil pessoas, incluindo delegações de 198 países.
  • Medidas governamentais: criação de grupo de trabalho para negociar tarifas.
  • Impacto: risco de menor participação de delegações de baixo orçamento.

A situação atual exige soluções urgentes para garantir que Belém esteja preparada para o evento global.

A disparada dos preços em Belém

A mudança de nome do Hotel COP30, antes um modesto motel chamado Hotel Nota 10, foi acompanhada por uma reformulação completa do estabelecimento, que agora oferece capacidade para 40 hóspedes. A estratégia dos novos proprietários era posicionar o hotel como uma opção premium para delegações estrangeiras, mas os preços praticados, que chegaram a R$ 6,3 mil por diária, foram considerados fora da realidade pelo mercado. Após ajustes, as tarifas caíram para cerca de US$ 350 (R$ 1.910), mas ainda assim não atraíram clientes.

O gerente do hotel, Alcides Moura, reconheceu que os valores iniciais foram um “teste de mercado” que não deu certo. A ausência de reservas reflete a resistência de delegações a preços tão elevados, especialmente em um contexto em que a ONU solicita tarifas máximas de US$ 100 (R$ 545) para acomodar delegações de países com menos recursos.

  • Tarifa inicial: R$ 70 por diária antes da COP30.
  • Novo preço: até R$ 6,3 mil, agora reduzido para R$ 1.910.
  • Capacidade: 40 hóspedes, com foco em aluguel completo do prédio.
  • Estratégia: atrair delegações internacionais, sem sucesso até o momento.

O caso do Hotel COP30 ilustra a dificuldade de equilibrar lucro e acessibilidade em um evento de grande porte.

Pressão internacional e resistência do governo

A escalada de preços em Belém gerou reações negativas entre os participantes da COP30. Em julho de 2025, diversos países sugeriram mudar a sede do evento, citando a falta de acomodações acessíveis. A ONU chegou a pedir que o governo brasileiro subsidiasse aluguéis para delegações, mas a proposta foi rejeitada. Até o momento, apenas 68 dos 198 países participantes confirmaram suas reservas, um número bem abaixo do esperado para esta fase de organização.

Marcio Astrini, do Observatório do Clima, destacou que a situação é inédita. Normalmente, a dois meses de uma conferência climática, a maioria dos países já tem hospedagem garantida. A resistência do governo em intervir diretamente nos preços reflete a complexidade de regular o mercado hoteleiro em um evento global.

O governo do Pará, liderado por Helder Barbalho, insiste que a oferta de leitos está garantida. No entanto, a realidade mostra que muitos hotéis e propriedades particulares estão cobrando valores considerados exorbitantes, o que pode excluir delegações menos abastadas e comprometer a inclusão, um dos pilares da COP.

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COP30 – Foto: Zulfugar Graphics / Shutterstock.com

Alternativas de hospedagem em Belém

Para enfrentar o déficit de leitos, o governo local adotou medidas criativas. Dois navios privados, ancorados a 20 quilômetros do centro de convenções, oferecerão 6 mil camas durante o evento. Além disso, plataformas como Airbnb e Booking registraram aumento na oferta de imóveis particulares, embora os preços permaneçam elevados. Dados recentes indicam que a média de tarifas no Airbnb caiu 22% desde fevereiro, mas ainda é difícil encontrar opções próximas ao limite de US$ 100 exigido pela ONU.

Proprietários locais, como Ronaldo França, aposentado de 65 anos, veem na COP30 uma oportunidade de lucro. Ele planeja alugar sua casa de fim de semana, com três quartos e piscina, por US$ 370 (R$ 2 mil) por noite. Apesar de considerar seu preço justo, França critica a falta de regulação governamental, que permite práticas abusivas no mercado.

  • Opções de hospedagem: hotéis, imóveis particulares e navios privados.
  • Capacidade adicional: 6 mil leitos em navios a 20 km do evento.
  • Preços no Airbnb: redução de 22%, mas ainda acima do ideal.
  • Demanda: 60% dos participantes devem se hospedar em propriedades privadas.
  • Crítica: falta de controle sobre tarifas elevadas.

Essas alternativas, embora bem-vindas, não resolvem completamente o problema de acessibilidade.

Investimentos e infraestrutura para a COP30

Belém recebeu mais de R$ 4 bilhões em investimentos para preparar a cidade para a COP30. Entre as principais obras está o Parque da Cidade, um centro de convenções arborizado que será o coração do evento. A infraestrutura limitada da capital paraense, onde 57% da população vive em favelas, torna esses investimentos essenciais, mas também destaca as desigualdades locais.

O governador Helder Barbalho defende que a cidade está pronta para receber os visitantes, mas reconhece a necessidade de combater preços abusivos. A associação de hotéis do Pará, liderada por Toni Santiago, rejeitou propostas de tabelamento de tarifas, argumentando que isso não é prática em grandes eventos globais.

A preparação para a COP30 também trouxe à tona um debate sobre o perfil do evento. Enquanto algumas delegações buscam conforto e exclusividade, outras priorizam a experiência de imersão na Amazônia. A disparidade de expectativas complica ainda mais a organização.

Repercussão entre ambientalistas

A crise de hospedagem em Belém gerou críticas de organizações como o Observatório do Clima, que teme que a COP30 seja a menos inclusiva da história. A dificuldade de acesso a acomodações acessíveis pode limitar a participação de representantes da sociedade civil e de países com menos recursos, desviando o foco de questões cruciais, como metas climáticas e financiamento para ações contra o aquecimento global.

Marcio Astrini, do Observatório do Clima, lamentou que a discussão sobre preços tenha ofuscado temas centrais da conferência. Ele destacou a importância de manter o diálogo sobre combustíveis fósseis e estratégias para mitigar as mudanças climáticas, que deveriam ser o foco do evento.

  • Preocupações: exclusão de delegações de baixo orçamento.
  • Temas centrais: metas climáticas, financiamento e transição energética.
  • Risco: menor participação da sociedade civil.
  • Impacto: desvio do foco para questões logísticas.

A situação atual exige esforços conjuntos para garantir que a COP30 seja um marco na luta climática, e não apenas um evento marcado por controvérsias logísticas.

Medidas para mitigar a crise

O governo brasileiro criou um grupo de trabalho em agosto para negociar melhores condições de hospedagem. Apesar disso, a resistência do setor hoteleiro e a falta de consenso sobre preços acessíveis dificultam avanços. A oferta de navios e imóveis particulares é um passo positivo, mas a distância dos navios e os custos elevados de aluguéis ainda são obstáculos.

Enquanto isso, a organização da COP30 tenta equilibrar as expectativas de um evento global com as limitações de uma cidade que, apesar de seu potencial, enfrenta desafios estruturais. A pressão por soluções aumenta à medida que a data do evento se aproxima.

  • Ações do governo: grupo de trabalho e oferta de navios.
  • Desafios: resistência do setor hoteleiro e preços altos.
  • Expectativa: garantir inclusão e acessibilidade.

A COP30 em Belém será um teste para a capacidade do Brasil de sediar eventos globais, com a Amazônia como pano de fundo.