Ibovespa reflete otimismo com eleição de 2026, aponta pesquisa do BTG
O mercado financeiro brasileiro está começando a refletir as expectativas para as eleições presidenciais de 2026, com investidores precificando uma probabilidade significativa de mudança no cenário político. Uma pesquisa recente conduzida pelo BTG Pactual, realizada com 75 gestores durante o evento CEO Conference, indica que o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, embute entre 25% e 50% de chance de alternância de poder no próximo pleito. Esse dado reflete a percepção de 63% dos entrevistados, que veem no horizonte eleitoral um fator determinante para os preços dos ativos. O levantamento destaca o crescente interesse dos investidores pelo cenário político, superando até mesmo preocupações fiscais, que, embora ainda relevantes, perderam espaço no radar do mercado.
A análise do BTG aponta que a possibilidade de uma guinada política está influenciando as decisões de investimento, com gestores ajustando suas carteiras para setores considerados mais resilientes a mudanças econômicas. O setor de serviços básicos, por exemplo, foi apontado como o preferido para posições compradas, enquanto o varejo continua sendo o mais evitado, com 35% dos gestores apostando na queda de papéis desse segmento. A pesquisa também revela um aumento no otimismo em relação ao Ibovespa, com 31% dos gestores se declarando otimistas e 9% muito otimistas, números superiores aos registrados em janeiro.
- Principais setores para posições compradas: serviços básicos (57%), financeiro (17%) e construção civil (6%).
- Setores mais vendidos: varejo (35%), recursos básicos (17%) e alimentos e bebidas (12%).
- Expectativa para o Ibovespa: 26% dos gestores preveem o índice na casa dos 140 mil pontos até o fim do ano.
A atenção às eleições de 2026 reflete um momento de transição no mercado financeiro, com investidores buscando antecipar os impactos de possíveis mudanças na condução da política econômica a partir de 2027.
Cenário político ganha peso no mercado
A pesquisa do BTG Pactual, realizada em fevereiro de 2025, sinaliza uma mudança no foco dos investidores. Pela primeira vez, as eleições de 2026 foram apontadas como o principal tema macroeconômico no Brasil, com 47% dos respondentes destacando o cenário político como fator dominante, contra 42% que ainda priorizam questões fiscais. Esse movimento ocorre em um contexto de recuperação na popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, segundo o agregador de pesquisas do UBS BB, atingiu 31,4% de aprovação (ótimo/bom) em setembro de 2025. Apesar disso, os níveis ainda são considerados insuficientes para garantir uma vitória em 2026, o que alimenta especulações sobre uma possível alternância de poder.

O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) também tem contribuído para a volatilidade do mercado. Embora gestores como os da Western Asset considerem o julgamento mais um gerador de ruído do que um fator determinante para os preços dos ativos, uma eventual condenação mais severa pode intensificar a percepção de risco político. Além disso, a possibilidade de sanções internacionais, como as relacionadas à Lei Magnitsky, adiciona uma camada extra de cautela, especialmente para instituições como o Banco do Brasil, que enfrenta pressões adicionais devido a campanhas de desinformação.
O mercado também está atento a declarações de figuras políticas, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, apontado como possível candidato do Centrão em 2026. Apesar de suas negativas, os rumores seguem influenciando as projeções de investidores, que buscam setores menos expostos a mudanças bruscas na política econômica.
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Perspectivas para o Ibovespa em 2025
O Ibovespa tem mostrado resiliência em 2025, com projeções indicando um potencial de alta até o fim do ano. Segundo o BTG, 26% dos gestores consultados acreditam que o índice pode alcançar os 140 mil pontos, enquanto 39% projetam um patamar entre 130 mil e 140 mil pontos. Essa perspectiva é impulsionada por fatores domésticos, como a expectativa de cortes na taxa Selic a partir de dezembro, e externos, como a flexibilização monetária nos Estados Unidos, iniciada pelo Federal Reserve em setembro de 2025.
A análise da Genial Investimentos reforça o otimismo, apontando que o Ibovespa superou a resistência de 142.380 pontos em novembro, com potencial para atingir 147.636 pontos no curto prazo. No entanto, a volatilidade permanece, especialmente em setores sensíveis à política monetária, como varejo e imobiliário. A alta da Selic, que impacta 48% da dívida das empresas domésticas listadas na bolsa, pressiona segmentos como varejo de alimentos e locadoras de veículos, enquanto empresas exportadoras de commodities, como Vale, enfrentam menos impacto, com apenas 18% de sua dívida atrelada à taxa básica de juros.
- Fatores que impulsionam o Ibovespa:
- Expectativa de cortes na Selic a partir de dezembro de 2025.
- Flexibilização monetária nos EUA, com três cortes projetados para 2025.
- Resultados corporativos acima das expectativas em 2025.
- Fluxo de investidores estrangeiros, com saldo positivo de R$ 19,7 bilhões no ano.
Influência do cenário externo
O ambiente global também desempenha um papel crucial nas projeções para o Ibovespa. A recente flexibilização monetária nos Estados Unidos, com o Federal Reserve sinalizando dois cortes adicionais até dezembro de 2025, reduz a pressão sobre os mercados emergentes, incluindo o Brasil. No entanto, a possibilidade de tarifas comerciais impostas pelo governo de Donald Trump, especialmente contra a China, preocupa os investidores brasileiros devido à dependência das exportações de commodities para o mercado asiático.
O BTG destaca que 72% dos gestores consultados veem as taxas de juros americanas como a principal preocupação macroeconômica global, seguidas pelas tensões comerciais (17%) e desafios geopolíticos (6%). A retaliação comercial da China, com tarifas de 34% sobre produtos americanos, intensifica os temores de uma desaceleração global, que poderia reduzir a demanda por produtos brasileiros, como minério de ferro e petróleo.
Por outro lado, a perspectiva de um ciclo de corte de juros sincronizado entre Brasil e EUA é vista como um gatilho positivo para o Ibovespa. Gestores como os da Armor Capital têm aumentado posições táticas compradas no índice, apostando em fluxos adicionais de capital estrangeiro.
Setores em destaque no mercado
A pesquisa do BTG revela preferências claras dos gestores em relação aos setores da bolsa. O setor de serviços básicos, que inclui empresas como Equatorial e Eletrobras, lidera as apostas compradas, beneficiado por sua estabilidade em cenários de incerteza política. O setor financeiro, com destaque para Itaú e BTG Pactual, também atrai interesse, embora papéis como os do Banco do Brasil enfrentem desafios devido a resultados corporativos abaixo do esperado e ruídos políticos.
No lado oposto, o varejo continua sendo o setor mais vendido, com empresas como Ambev e Lojas Renner entre as mais evitadas. A pressão da Selic elevada e a desaceleração do consumo doméstico explicam a cautela com o segmento. O setor de recursos básicos, impactado pela volatilidade nos preços das commodities, também enfrenta desconfiança, especialmente em um cenário de tensões comerciais globais.
- Empresas mais compradas:
- Equatorial (31%).
- Itaú (22%).
- Eletrobras (18%).
- Empresas mais vendidas:
- Ambev (28%).
- Bradesco (22%).
- Lojas Renner (19%).
Fatores de risco no horizonte
Apesar do otimismo com o Ibovespa, os gestores permanecem atentos a riscos domésticos e internacionais. A situação fiscal brasileira, embora menos dominante que as eleições, ainda preocupa 42% dos entrevistados. A possibilidade de o governo adotar medidas populistas antes de 2026, como aumento de gastos públicos, pode elevar o prêmio de risco e limitar a valorização das ações.
No cenário externo, a escalada de tensões comerciais, especialmente entre EUA e China, representa uma ameaça às exportadoras brasileiras. Além disso, a incerteza sobre a magnitude dos cortes de juros nos EUA, com o mercado esperando uma redução para a faixa de 3,25% a 3,50% até 2026, pode gerar volatilidade nos fluxos de capital para mercados emergentes.
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O julgamento de Jair Bolsonaro e suas implicações políticas também adicionam incerteza. Embora o impacto direto no mercado seja limitado, uma condenação severa poderia reacender debates sobre sanções internacionais, afetando a percepção de risco do Brasil.
Movimentos recentes do Ibovespa
O Ibovespa tem registrado desempenho robusto em 2025, com alta acumulada de 19,90% até setembro, segundo dados da B3. O índice atingiu a máxima de 146.047,38 pontos no mês, impulsionado por setores como bancos e commodities. No entanto, eventos como a derrota eleitoral de Javier Milei na Argentina e a deterioração do sentimento em relação a bancos argentinos, como Patagonia e Galicia, geraram correções pontuais no mercado brasileiro, com quedas em papéis de instituições como Bradesco e Banco do Brasil.
A análise técnica da Genial Investimentos sugere que o Ibovespa está em uma tendência de alta, com suportes em 139.863,62 pontos e resistências próximas de 147.636 pontos. A superação dessas marcas pode abrir espaço para novas máximas históricas, especialmente se os cortes de juros nos EUA e no Brasil se concretizarem no curto prazo.
- Marcos recentes do Ibovespa:
- Alta de 19,90% em 2025.
- Máxima de 146.047,38 pontos em setembro.
- Volume financeiro médio diário de R$ 16,3 bilhões.
Cenário para 2026 e além
A precificação de uma possível mudança política em 2026 reflete a busca dos investidores por setores e empresas que possam se beneficiar de um ambiente econômico mais liberal ou de maior abertura comercial. O Morgan Stanley, por exemplo, projeta o Ibovespa em 189 mil pontos em meados de 2026, destacando a atratividade do mercado brasileiro devido à baixa alocação em ações e ao potencial de crescimento em setores como tecnologia e energia.
No entanto, a incerteza em torno do cenário político permanece elevada. A recuperação na aprovação de Lula, impulsionada por fatores como o julgamento de Bolsonaro, pode alterar as expectativas eleitorais, reduzindo a probabilidade de alternância de poder. Além disso, a condução da política monetária pelo Banco Central do Brasil, que manteve a Selic inalterada em setembro de 2025, será crucial para determinar o ritmo de crescimento do Ibovespa.
A combinação de fatores domésticos, como a desaceleração econômica indicada pelo IBC-Br (-0,53% em julho), e externos, como a política monetária americana, moldará o desempenho da bolsa nos próximos meses. Para os investidores, o desafio será equilibrar o otimismo com a cautela, em um cenário marcado por volatilidade e oportunidades.

















