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Governo do Rio de Janeiro anunciou nesta sexta-feira (31) a identificação de 59 corpos na Operação Contenção, deflagrada nos complexos da Penha e do Alemão. A ação, realizada na terça-feira (28), resultou em 121 mortes, sendo quatro policiais e 117 suspeitos de ligação com o Comando Vermelho. A coletiva de imprensa ocorreu na Cidade da Polícia, com a promessa de divulgação iminente da lista parcial de nomes. Autoridades destacaram que 22 dos identificados procedem de outros estados, reforçando o caráter interestadual da operação.

A estratégia policial visou cumprir 100 mandados de prisão e desarticular bases do tráfico. Planejada há mais de 60 dias, a operação mobilizou cerca de 2.500 agentes das polícias Civil e Militar. Confrontos concentraram-se em áreas de mata, onde criminosos se refugiaram após bloqueios iniciais. O governador Cláudio Castro classificou o resultado como êxito, com foco na redução da presença do crime organizado nas comunidades.

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mais 50 corpos no Rio de Janeiro
mais 50 corpos no Rio de Janeiro – Foto: reprodução GloboNews
  • Foram apreendidas 118 armas, incluindo 91 fuzis de calibre 5.56 mm.
  • Entre os armamentos, modelos originários de forças armadas de Brasil, Venezuela, Argentina e Peru.
  • Prisões totalizaram 113 pessoas, com 33 vindas de estados como Amazonas, Ceará e Pará.

Estratégia do muro do Bope

Agentes avançaram pela Serra da Misericórdia para formar uma linha de contenção. Essa tática, batizada de “muro do Bope”, empurrou os suspeitos para áreas de mata já vigiadas. O secretário da Polícia Militar, Marcelo de Menezes, explicou que o objetivo era isolar os alvos e evitar fugas. A manobra contribuiu para o alto número de confrontos registrados.

Equipamentos como drones e helicópteros foram usados para monitoramento aéreo. Câmeras corporais em policiais documentaram as ações, conforme regras do Supremo Tribunal Federal. O planejamento incluiu análise de inteligência de mais de um ano sobre rotas de tráfico.

Armas apreendidas revelam rede regional

O arsenal coletado inclui fuzis de alta potência, aptos para disparos a longa distância. Delegados da Coordenadoria de Recursos Especiais notaram a presença de modelos sul-americanos, sinal de comércio transfronteiriço. Apreensões ocorreram em pontos de venda de drogas e depósitos improvisados.

Investigações da Delegacia de Repressão a Entorpecentes indicam que traficantes negociavam drones com câmeras térmicas. Esses dispositivos visavam detectar movimentos policiais à noite. Mensagens interceptadas confirmam tentativas de aquisição para vigilância em comunidades.

Identificação avança no IML

Mais de 100 corpos passaram por perícia no Instituto Médico-Legal Afrânio Peixoto. O local foi fechado exclusivamente para a operação, priorizando necropsias. Técnicas como papiloscopia e análise de DNA aceleraram o processo. Famílias aguardam liberação para traslados, com alguns velórios previstos em Irajá e Inhaúma.

A Secretaria de Polícia Civil autorizará a divulgação dos nomes em breve. Dos identificados, 22 vieram de fora do estado, o que exige coordenação interestadual. Rabecões da Defesa Civil transportaram os restos de áreas remotas para análise.

Lideranças do tráfico visadas

Washington César Braga da Silva, conhecido como Grandão, coordenava escalas de segurança no Complexo da Penha. Ele organizava pagamentos e logística para pontos de venda. Edgar Alves Andrade, o Doca da Penha, liderava a cúpula local do Comando Vermelho. Ambos figuravam na lista de alvos prioritários.

Thiago do Nascimento Mendes, o Belão do Quitungo, atuava como braço armado de Doca. Operadores financeiros foram detidos, interrompendo fluxos de recursos. A operação transferiu líderes capturados para presídios de segurança máxima.

Cooperação entre governos

Governadores de seis estados reuniram-se na quinta-feira (30) no Rio. Eles formaram o “consórcio da paz” para integrar forças de segurança e inteligência. A proposta, liderada por Cláudio Castro, prevê sede no Rio de Janeiro. Discussões envolveram compartilhamento de experiências contra o crime organizado.

Após divergências iniciais, o governador e o ministro Ricardo Lewandowski anunciaram força-tarefa federal-estadual. A iniciativa inclui apoio da Força Nacional, vigente até dezembro de 2025. Medidas visam operações conjuntas em áreas de fronteira.

Procedimentos de perícia em foco

Necropsias detalham causas de óbito e trajetórias de projéteis. O Instituto Médico-Legal analisou ferimentos compatíveis com confrontos armados. Laudos preliminares confirmam uso de armamento pesado pelos suspeitos. Equipes periciais trabalharam em turnos contínuos para agilizar resultados.

A operação elevou o estágio operacional da cidade para nível 2, com reforço em vias como Linha Amarela e Avenida Brasil. Escolas e universidades suspenderam aulas durante o dia da ação. O Centro de Operações registrou 71 ônibus bloqueando acessos, removidos ao longo do dia.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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