Colisão aérea em Washington: governo dos EUA assume falhas em tragédia que vitimou 67 pessoas

4 min de leitura
Departamento de Justiça EUA Foto: Departamento de Justiça EUA - Mehaniq/shutterstock.com

O governo dos Estados Unidos admitiu responsabilidade parcial pela colisão aérea ocorrida em 29 de janeiro de 2025, que resultou na morte de 67 pessoas.

O acidente envolveu um jato regional da American Eagle, operado pela PSA Airlines, e um helicóptero Black Hawk do Exército americano, sobre o rio Potomac, próximo ao Aeroporto Nacional Ronald Reagan, em Washington.

A confissão veio em documento judicial de 209 páginas apresentado pelo Departamento de Justiça em resposta a ação movida pela família de uma das vítimas.

  • O helicóptero realizava missão de treinamento com óculos de visão noturna.
  • O jato transportava 64 pessoas, incluindo passageiros e tripulação.
  • Não houve sobreviventes nos dois aeronaves.

Detalhes da colisão

A colisão aconteceu por volta das 20h47 horário local, quando o jato se aproximava da pista 33 do aeroporto.

Os pilotos do Black Hawk relataram ao controle de tráfego aéreo que mantinham separação visual com o avião comercial.

No entanto, o governo reconheceu que a tripulação do helicóptero falhou em manter vigilância adequada para evitar outras aeronaves.

Essa falha foi considerada causa direta do acidente.

Falhas no controle de tráfego

Um controlador de tráfego aéreo na torre do aeroporto gerenciava simultaneamente o tráfego de helicópteros e as operações de chegadas e partidas.

O documento judicial aponta que o controlador violou procedimentos da Administração Federal de Aviação (FAA) ao não seguir regras de separação visual entre as aeronaves.

O governo admitiu que essa negligência contribuiu para a proximidade perigosa entre o helicóptero e o jato.

Autoridades destacaram que o espaço aéreo ao redor do aeroporto é um dos mais complexos do mundo, com rotas de helicópteros militares próximas às trajetórias de aviões comerciais.

Contexto do espaço aéreo

O aeroporto Ronald Reagan opera em área restrita devido à proximidade com edifícios governamentais em Washington.

Rotas de helicópteros passam a poucos metros verticalmente das abordagens de pouso.

Nos anos anteriores ao acidente, registraram-se milhares de eventos de proximidade entre helicópteros e aviões comerciais na região.

A FAA implementou restrições a voos de helicópteros não essenciais após o incidente e eliminou o uso de separação visual em certas áreas.

Investigação em andamento

A investigação do Conselho Nacional de Segurança nos Transportes (NTSB) continua em curso.

Relatórios preliminares indicaram riscos conhecidos no espaço aéreo, incluindo eventos de quase colisão nos anos anteriores.

O NTSB emitiu recomendações urgentes à FAA para melhorar a segurança na área.

O relatório final deve ser divulgado nos próximos meses.

Reações das famílias

Familiares do copiloto Sam Lilley defenderam que a tripulação do jato seguiu todos os procedimentos corretos.

Eles afirmaram que o capitão Jonathan Campos e o copiloto Lilley cumpriram normas federais e práticas padrão da indústria.

A ação judicial inicial foi movida pela família de Casey Crafton, passageiro do voo.

Outras famílias buscam responsabilização total pelas falhas identificadas.

Medidas adotadas após o acidente

A FAA restringiu operações mistas de helicópteros e aviões de asa fixa próximas ao aeroporto.

Eliminou-se a dependência excessiva em separação visual dentro de certos raios.

O Exército revisou protocolos para missões de treinamento em áreas congestionadas.

Essas mudanças visam reduzir riscos semelhantes em espaços aéreos complexos.

O acidente marcou o mais grave desastre aéreo comercial nos Estados Unidos desde 2001, destacando desafios na gestão de tráfego aéreo em regiões de alta densidade.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

Notícias relacionadas