Ataque em Zapopan ceifa a vida de Ernesto Barajas, vocalista da Enigma NorteñoPor Luís Henrique Costa
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Na tarde de 19 de agosto de 2025, Ernesto Barajas, vocalista e um dos fundadores da banda Enigma Norteño, foi assassinado em um ataque violento na cidade de Zapopan, Jalisco, no México. O incidente ocorreu em uma pensão de automóveis localizada na colônia Arenales Tapatíos, chocando a comunidade local e o cenário musical regional mexicano.
Dois homens, que se aproximaram em uma motocicleta, abriram fogo contra Barajas e outras duas pessoas que o acompanhavam no momento. O cantor, amplamente reconhecido por suas composições no gênero narcocorrido, faleceu no próprio local do crime, juntamente com um de seus acompanhantes, cuja identidade não foi divulgada imediatamente.
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Uma mulher que estava presente durante o ataque foi atingida por um tiro na perna, recebendo atendimento médico e sendo encaminhada a uma unidade hospitalar. A polícia de Zapopan iniciou as investigações para apurar os fatos, mas até o presente momento, nenhum suspeito foi detido em conexão com o assassinato.
Detalhes do ataque em Zapopan
O ataque foi executado com precisão, evidenciando uma ação premeditada contra o vocalista. Relatos iniciais indicam que os atiradores agiram rapidamente, surpreendendo as vítimas no estabelecimento. A área foi isolada pelas autoridades para a coleta de provas e o início dos procedimentos periciais.
A cena do crime, uma pensão de veículos, é um local de grande movimento, o que levanta questões sobre a audácia dos criminosos e a segurança na região. A violência no estado de Jalisco tem sido uma preocupação constante, com o aumento de incidentes relacionados a grupos criminosos organizados.
A Fiscalía do Estado de Jalisco assumiu a condução do inquérito, buscando identificar os responsáveis e a motivação por trás do assassinato. As equipes de investigação estão analisando imagens de segurança e coletando depoimentos de possíveis testemunhas para traçar o perfil dos agressores e suas rotas de fuga.
Trajetória musical e controvérsias
Ernesto Barajas nasceu em 16 de setembro de 1986, em Culiacán, Sinaloa, e fundou a Enigma Norteño aos 18 anos. Ele desempenhava múltiplos papéis na banda, atuando como vocalista, baixista, produtor e diretor. A banda, que iniciou sua jornada com Humberto Pérez, ganhou destaque com o álbum independente “El Jardinero” em 2004.
Após a incorporação de José Baldenegro e Freddy Hernández, o grupo assinou contrato com a Discos Sol, lançando “Infiel” em 2008 e solidificando sua presença no cenário musical. Barajas era conhecido por sua voz marcante e pela capacidade de compor narcocorridos, músicas que frequentemente narravam histórias de figuras ligadas ao crime organizado, como “Chavo Félix” e “El Ondeado”.
A Enigma Norteño conquistou grande popularidade, especialmente nos Estados Unidos, onde suas músicas eram amplamente veiculadas em rádios e alcançavam um público fiel. Contudo, o gênero dos narcocorridos frequentemente expunha Barajas a questionamentos e controvérsias, devido à sua temática e associações implícitas.
Embora o cantor sempre tenha negado ligações diretas com organizações criminosas, ele admitiu em entrevistas que recebia encomendas para a criação de corridos personalizados. O valor cobrado por essas composições era de cerca de 421 mil pesos mexicanos por música, com as letras passando por aprovação de intermediários antes da gravação final.
Histórico de ameaças contra o artista
Em 2023, Ernesto Barajas foi alvo de uma “narcomanta”, uma faixa com mensagens de grupos criminosos, assinada pelo Cártel Jalisco Nova Geração (CJNG). A mensagem acusava Barajas de receber proteção dos irmãos Alfonso Arzate García, conhecido como “El Aquiles”, e René Arzate García, apelidado de “La Rana”.
Esses indivíduos são apontados como operadores do Cártel de Sinaloa, com envolvimento no tráfico de fentanilo na região de Tijuana. A narcomanta, exibida em Baja California, proibia Barajas de realizar uma apresentação na Feria de Rosarito, alertando-o para não “cantar corridos de sua bandeira”.
Diante da ameaça, o cantor optou por cancelar o show na Feria de Rosarito, seguindo recomendações das autoridades locais para garantir sua segurança e a do público. Barajas manteve silêncio sobre as acusações contidas na faixa, evitando comentários públicos sobre a situação.
A ameaça de 2023 não foi um evento isolado; em 2017, outra advertência similar em Tijuana já havia alertado artistas do gênero a evitarem certas composições. Essas pressões são reflexo da intensa disputa territorial entre o CJNG e o Cártel de Sinaloa, que tem escalado a violência em estados como Baja California e Jalisco. Informações preliminares sugerem que, temendo retaliações, Barajas havia se mudado de Culiacán para Guadalajara, onde o ataque fatal ocorreu.
Repercussão no regional mexicano
A notícia da morte de Ernesto Barajas gerou uma onda de comoção e tristeza entre os fãs e artistas do gênero regional mexicano. As redes sociais foram tomadas por homenagens e mensagens de luto, onde muitos destacaram a contribuição do cantor à música e sua proximidade com o público. Sua voz e estilo eram considerados pilares para a Enigma Norteño.
Barajas mantinha um podcast intitulado “Puntos de Vista”, um espaço onde ele entrevistava figuras proeminentes do cenário musical, como Tano Elizalde e Eduin Caz, fortalecendo a conexão entre o gênero e seus admiradores. Sua presença digital, marcada por publicações sobre sua família, carros de luxo e o amor pelo clube Chivas, o tornava uma figura carismática e acessível.
A violência contra artistas do regional mexicano, infelizmente, não é um fenômeno recente. Casos como os assassinatos de Valentín Elizalde e Sergio Gómez, do grupo K-Paz de la Sierra, são precedentes que evidenciam os riscos inerentes à profissão. A tragédia de Barajas reacende o debate sobre a vulnerabilidade de cantores de narcocorridos, que frequentemente se encontram sob pressão de cartéis rivais.
Andamento das investigações policiais
A Fiscalía de Jalisco prossegue com as investigações para esclarecer os detalhes do assassinato de Ernesto Barajas, embora a ausência de pistas concretas sobre os responsáveis mantenha o caso envolto em mistério. O ataque, ocorrido em uma área residencial de Zapopan, reforça a preocupação com a segurança pública em Jalisco, um estado que enfrenta uma forte presença e atuação do Cártel Jalisco Nova Geração (CJNG). Relatórios recentes indicam um aumento da violência ligada a cartéis na região, com o registro de aproximadamente 1.200 homicídios em Jalisco ao longo de 2024, de acordo com dados estaduais. A conexão entre o universo dos narcocorridos e o crime organizado permanece um tema delicado e complexo, com as autoridades analisando todas as possíveis vertentes para desvendar o crime.
O legado de Ernesto Barajas e Enigma Norteño
Ernesto Barajas deixa uma lacuna no regional mexicano, mas seu trabalho com a Enigma Norteño perdura. A banda, que celebrou 20 anos de carreira em 2024, tinha planos de turnês nos Estados Unidos, mas enfrentava desafios com a obtenção de vistos de trabalho. A morte de Barajas levanta incertezas sobre o futuro do grupo, que perdeu sua principal referência criativa e carismática.
















