Ex-guitarrista do Motörhead, Phil Campbell, nos deixa aos 64 anos após complicações cirúrgicasPor Luís Henrique Costa
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A comunidade do rock mundial recebeu com pesar a notícia do falecimento de Philip Anthony Campbell, o icônico guitarrista que marcou uma era no Motörhead por mais de três décadas. O músico britânico, que completou 64 anos, faleceu pacificamente na noite passada, após enfrentar uma longa e árdua batalha na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), resultado de uma complexa cirurgia de grande porte. A confirmação de sua partida foi feita por sua banda Phil Campbell And The Bastard Sons, formada por ele e seus filhos, que emitiram um comunicado emocionante, reverberando a tristeza por sua perda e a gratidão por seu legado artístico e pessoal que jamais será esquecido.
Em seu comunicado, a família Campbell descreveu Phil como um marido dedicado, um pai exemplar e um avô orgulhoso e amoroso, carinhosamente conhecido por todos como “Bampi”. A nota ressaltou o profundo amor que o cercava, vindo de todos que tiveram a oportunidade de conhecê-lo, e o vazio imenso que sua ausência deixará, enquanto sua música e as memórias que ele construiu com inúmeras pessoas continuarão a ecoar eternamente.
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A família, diante do momento de luto e dor profunda, solicitou gentilmente que sua privacidade fosse respeitada, permitindo que pudessem lidar com a perda de forma íntima. O impacto de sua morte já se faz sentir no cenário musical, onde fãs e colegas lamentam a despedida de uma figura lendária do rock’n’roll.
A jornada musical de um ícone do rock
Nascido em Pontypridd, País de Gales, em 1961, Phil Campbell iniciou sua precoce jornada musical sob a forte influência de mestres da guitarra como Tony Iommi, Jimmy Page e Jimi Hendrix. Sua paixão pela música foi acesa ainda jovem, e um momento crucial em sua vida aconteceu aos 12 anos, quando assistiu a uma apresentação do Hawkwind, banda na qual Lemmy Kilmister já mostrava seu talento no baixo e vocais. O encontro foi tão marcante que o jovem Campbell não hesitou em pedir um autógrafo ao que viria a ser seu futuro colega de banda.
Aos 13 anos, ele já estava ativo em sua primeira banda, Contrast, demonstrando o talento e a dedicação que o acompanhariam por toda a carreira. Posteriormente, integrou o grupo local Rocktopus, antes de cofundar a banda de NWOBHM (New Wave of British Heavy Metal) Persian Risk em 1979, com a qual lançou os singles “Calling for You” em 1981 e “Ridin’ High” em 1982, consolidando sua presença na cena underground do rock.
O legado no Motörhead e a parceria com Lemmy
A virada definitiva na carreira de Campbell ocorreu em 1984, quando, após a saída do guitarrista Brian Robertson, ele foi convidado a fazer um teste para o Motörhead. Curiosamente, ele fez o teste ao lado de outro talentoso guitarrista, Michael ‘Würzel’ Burston. Lemmy Kilmister, incapaz de escolher entre os dois talentos, decidiu contratá-los ambos, dando início a uma das formações mais emblemáticas da banda.
A dupla fez sua estreia musical na coletânea “No Remorse” de 1984, onde contribuíram com a composição e execução de quatro músicas inéditas. A partir de então, Phil Campbell se tornou uma peça fundamental na engrenagem do Motörhead, emprestando seu estilo inconfundível aos riffs da banda.
Seu primeiro álbum de estúdio completo com o Motörhead foi “Orgasmatron”, lançado em 1986, que solidificou sua posição na banda. Ao longo dos anos, Campbell participaria de 16 álbuns de estúdio, culminando com “Bad Magic” em 2015. Após a saída de Würzel em 1995, Phil assumiu a posição de guitarrista único do Motörhead, carregando a responsabilidade de manter a sonoridade marcante do grupo até seu fim.
A nova fase com The Bastard Sons e projetos solo
Com o falecimento de Lemmy Kilmister em dezembro de 2015, o Motörhead encerrou suas atividades, e Phil Campbell se viu em um momento de incerteza. Por cerca de quatro meses, ele considerou seriamente a aposentadoria, exausto após décadas de estrada e a perda de um parceiro musical tão importante. No entanto, o destino tinha outros planos para o guitarrista.
A inspiração para continuar veio de uma celebração. Durante a festa de 30 anos de seu filho mais velho, Todd, em Cardiff, Phil subiu ao palco com os filhos e tocaram alguns covers. A experiência foi tão gratificante que deu origem a Phil Campbell And The Bastard Sons. A banda lançou um EP e quatro álbuns, com o mais recente, “Kings Of The Abyss”, chegando ao público em 2023.
Além de seu trabalho com os Bastard Sons, Phil também embarcou em uma jornada solo, lançando o aclamado álbum “Old Lions Still Roar” em 2019, que contou com participações de grandes nomes do rock. Essa fase pós-Motörhead demonstrou sua versatilidade e a contínua paixão pela criação musical, mostrando que o “leão” ainda tinha muito a rugir.
Detalhes da batalha pela saúde e o comunicado familiar
A saúde de Phil Campbell já era motivo de preocupação nos últimos tempos, com eventos que indicavam uma luta contínua. Em fevereiro do corrente ano de 2026, a banda Phil Campbell And The Bastard Sons precisou cancelar uma turnê pela Austrália, citando “recomendações médicas que Phil acabara de receber”. Na ocasião, a banda pediu desculpas aos fãs pelo transtorno, mas enfatizou que a saúde do guitarrista seria sempre a prioridade número um.
Esse comunicado anterior serve como um triste prelúdio para a notícia de seu falecimento, confirmando que Phil vinha enfrentando sérios desafios de saúde que culminaram na “complexa cirurgia e de grande porte”. A internação na UTI, mencionada pela família, ressalta a gravidade de seu estado e a coragem com que enfrentou a doença, características que o acompanharam tanto na vida pessoal quanto em sua postura no palco. O apelo por privacidade neste momento delicado sublinha a dor que a família está vivenciando, buscando um espaço para o luto longe dos holofotes.
O impacto de sua perda na cena do rock
A partida de Phil Campbell deixa um vazio imenso no panorama do rock e metal. Sua contribuição para o Motörhead não foi apenas a de um guitarrista; ele era parte integrante da identidade sonora da banda, ajudando a moldar o som bruto e inconfundível que conquistou milhões de fãs ao redor do globo. Sua energia no palco e sua habilidade com a guitarra eram lendárias, e ele será lembrado como um dos pilares do rock pesado.
Imediatamente após a notícia de seu falecimento, diversas homenagens começaram a surgir. Doro Pesch, a “Rainha do Metal”, foi uma das primeiras a expressar sua tristeza e admiração no Instagram. Ela escreveu: “Estou sem palavras. Isso é tão triste… Phil, foi uma honra te chamar de amigo. Nunca te esqueceremos! Descanse em paz!”, ecoando o sentimento de milhares de fãs e colegas que agora se despedem de um verdadeiro gigante da música. Sua ausência será sentida profundamente em cada acorde e em cada palco que ele um dia incendiou com sua presença e talento.
A influência duradoura e as memórias
O legado de Phil Campbell transcende suas composições e performances; ele inspirou gerações de músicos e fãs a abraçarem o espírito indomável do rock’n’roll. Sua música e o caráter que demonstrou ao longo de sua vida permanecerão vivos nas gravações icônicas do Motörhead e nos projetos subsequentes, servindo como um testamento de sua paixão pela arte e sua inegável contribuição para o gênero. As memórias de seus shows eletrizantes e sua personalidade autêntica continuarão a ser valorizadas por todos que tiveram a honra de testemunhar seu talento.















