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Rede ultra-alta tensão da China avança e protege país de impactos de conflitos no Oriente Médio

Rede alta tensão
Foto: Rede alta tensão -Sunshine boy/shutterstock.com
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China acelera expansão da super-rede elétrica para reforçar segurança energética e mitigar impactos de crises globais. O país investe pesadamente em infraestrutura de transmissão de ultra-alta tensão, o que permite transportar grandes volumes de energia renovável de regiões remotas para centros de consumo. Essa estratégia ganha relevância diante de tensões geopolíticas recentes no Oriente Médio, que elevaram preços de petróleo e gás e afetaram importadores vizinhos como Japão e Coreia do Sul. O governo chinês busca reduzir dependência de combustíveis fósseis importados ao priorizar fontes limpas internas.

A super-rede, composta por linhas de transmissão em corrente contínua de ultra-alta tensão (UHVDC), conecta fontes de energia renovável no oeste e norte do país a áreas industriais no leste. Esse sistema minimiza perdas durante o transporte de longa distância e resolve gargalos que antes limitavam a integração de solar e eólica à rede nacional.

O plano inclui gastos de cerca de 5 trilhões de yuans em redes elétricas nos próximos cinco anos. Esses recursos complementam investimentos recordes realizados desde 2024, quando os gargalos de transmissão se intensificaram com o crescimento acelerado de renováveis.

Avanço em projetos UHV

A State Grid Corporation of China anunciou a operação de 15 novas linhas de ultra-alta tensão entre 2026 e 2030. Essas linhas vão adicionar capacidade para conectar cerca de 200 gigawatts-hora de energia renovável por ano à rede.

O aumento na transmissão interestadual deve chegar a 35%. Isso facilita o escoamento eficiente de geração limpa e reduz o desperdício de energia renovável em regiões produtoras.

Investimentos iniciais do ano mostram aceleração. Nos primeiros dois meses de 2026, a State Grid elevou aportes em ativos fixos para 75,7 bilhões de yuans, alta de 81% em relação ao mesmo período anterior.

Financiamento via emissão de títulos

Operadoras estatais de rede emitiram volumes recordes de títulos domésticos. Em 2026, já foram vendidos bilhões em bonds com yields próximos aos mínimos históricos, financiando expansões da infraestrutura.

A State Grid e a China Southern Power Grid lideram o mercado de dívida corporativa no país. Esses recursos direcionam-se diretamente à construção e modernização da super-rede.

O modelo de financiamento permite manutenção de investimentos elevados mesmo em cenários de volatilidade econômica externa.

Integração de renováveis e redução de dependência

A super-rede transporta eletricidade gerada em desertos e planaltos para cidades costeiras. Isso otimiza o uso de solar e eólica, fontes abundantes em áreas menos povoadas.

Com essa infraestrutura, a China eleva a proporção de não-fósseis na matriz energética. O país avança na meta de neutralidade carbônica até 2060 ao diminuir gradualmente o uso de carvão em regiões dependentes.

A capacidade cross-provincial cresce de forma significativa. Projeções indicam que o sistema alcance níveis mais altos de transmissão até o final da década.

Impacto na segurança energética nacional

A estratégia fortalece a resiliência do país contra flutuações em mercados internacionais de óleo e gás. Diferente de vizinhos que enfrentam escassez imediata, a China conta com diversificação interna e reservas estratégicas.

O foco em transmissão eficiente permite absorver choques externos sem interrupções graves no suprimento. Essa abordagem transforma a energia em fator de estabilidade econômica.

Investimentos em armazenamento e flexibilidade complementam a super-rede. O sistema como um todo reduz riscos associados a importações voláteis.

Expansão planejada para os próximos anos

Planos oficiais preveem elevação da capacidade de transmissão cross-country para níveis expressivos até 2030. Novas linhas UHVDC vão dobrar capacidades de troca flexível entre regiões.

A construção avança em ritmo acelerado. Projetos prioritários incluem corredores que ligam bases renováveis a centros de demanda intensiva.

Essas iniciativas alinham-se à política de longo prazo de autossuficiência energética. O país consolida liderança global em infraestrutura de transmissão de alta tensão.

A super-rede representa um pilar central da transição energética chinesa. Com investimentos contínuos, o sistema oferece proteção contra volatilidades globais e suporta o crescimento sustentável da economia.

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