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As Ilhas Canárias foram atingidas por uma forte tempestade nomeada Therese, que causou uma combinação incomum de neve, ventos intensos e chuvas torrenciais, levando as autoridades de Tenerife a ativar planos de emergência. A situação climática adversa resultou em interrupções significativas na rotina da ilha, afetando residentes e turistas.

Eventos ao ar livre foram suspensos, diversas estradas foram interditadas e alguns voos precisaram ser cancelados, com alertas meteorológicos programados para permanecer em vigor durante todo o fim de semana. A precipitação de neve foi notável em áreas elevadas, especialmente ao redor do vulcão Teide, no centro da ilha, surpreendendo muitos que associam as Canárias a um clima predominantemente ensolarado.

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A intensa chuva levantou preocupações com inundações e deslizamentos de terra, enquanto os ventos fortes e o mar agitado apresentavam riscos adicionais. A tempestade Therese, batizada pelo serviço meteorológico português, inicialmente focou na Madeira e nos Açores, mas seu impacto mais severo acabou sendo sentido nas Canárias.

Alerta máximo e interrupções locais

O Cabildo de Tenerife, conselho insular da ilha, ativou seu plano de emergência na quarta-feira anterior, emitindo um aviso crucial para moradores e visitantes. A principal recomendação era exercer cautela e evitar viagens desnecessárias, visando a segurança de todos frente às condições meteorológicas extremas.

Como parte das medidas preventivas, abrigos temporários foram rapidamente montados nas áreas mais vulneráveis. Além disso, as estradas de acesso ao Parque Nacional do Teide foram totalmente fechadas, uma decisão necessária para prevenir acidentes em decorrência da neve e do gelo nas vias, além da baixa visibilidade.

Variações climáticas: ventos, chuvas e o risco de inundações

O serviço meteorológico espanhol, AEMET, emitiu alertas meteorológicos de nível laranja para Tenerife, mantendo-os válidos ao longo da sexta-feira e estendendo-se para o sábado. Esses avisos sublinhavam a seriedade da situação, preparando a população para os impactos iminentes.

Nas regiões do norte da ilha, as rajadas de vento puderam atingir velocidades entre 90 e 100 km/h, equivalentes a 56-62 mph, criando condições perigosas e potencializando danos estruturais. A metade sul de Tenerife, por sua vez, estava sob alerta de chuva intensa, com previsões de que cerca de 100 mm (4 polegadas) poderiam cair em apenas um período de 12 horas, elevando drasticamente o risco de inundações súbitas, deslizamentos de terra e severas interrupções nos transportes.

Fenômeno da neve no monte Teide

Um dos aspectos mais marcantes da tempestade Therese foi a ocorrência de neve nas áreas de grande altitude que circundam o Monte Teide, o imponente vulcão localizado no coração de Tenerife. Embora possa parecer surpreendente para muitos ver neve nas Ilhas Canárias, um destino conhecido por seu sol durante todo o ano, esse fenômeno não é incomum, principalmente nos meses de inverno e início da primavera.

O Monte Teide, com seus 3.718 metros (12.200 pés) acima do nível do mar, ostenta o título de montanha mais alta da Espanha, superando qualquer pico dos Pirineus. Assim, enquanto as praias de Tenerife podem estar molhadas pela chuva, é uma ocorrência regular que neve caia sobre as encostas do vulcão, criando uma paisagem de contrastes climáticos única na região.

Impacto em outras ilhas do arquipélago

A abrangência da tempestade Therese não se restringiu apenas a Tenerife; as ilhas vizinhas também sentiram os efeitos do sistema climático. Gran Canaria e La Gomera, por exemplo, foram incluídas nos avisos de vento e chuva, experimentando condições meteorológicas desafiadoras que exigiam precaução de seus habitantes.

Ainda mais ao oeste, La Palma e El Hierro enfrentaram advertências de ondas que podiam alcançar até 6 metros (20 pés) de altura. Essas condições marítimas perigosas representavam uma ameaça significativa ao longo das costas, com riscos para a navegação e atividades litorâneas, reforçando a necessidade de manter a vigilância em todo o arquipélago.

Cronologia da tempestade e previsão futura

A tempestade Therese foi nomeada pelo serviço meteorológico de Portugal no início da semana, com a expectativa inicial de causar perturbações significativas nas regiões da Madeira e dos Açores. No entanto, sua trajetória e intensidade se alteraram, fazendo com que as Ilhas Canárias acabassem por sofrer o impacto mais direto e severo.

Este evento marcou a 19ª tempestade a ser nomeada nesta temporada pelo grupo de nomeação do sudoeste da Europa, que inclui serviços meteorológicos da Espanha, Portugal, França, Bélgica, Luxemburgo e Andorra, desde que começaram a nomear tempestades em 2017. Este número representa um novo recorde para o grupo, indicando uma temporada de tempestades particularmente ativa.

As autoridades esperam que o pior da tempestade comece a diminuir até domingo, embora alguns alertas de nível amarelo possam persistir. No entanto, as previsões indicam que as chuvas continuarão durante a primeira metade da próxima semana, sugerindo que a recuperação total das condições climáticas normais levará algum tempo.

Preparação e resiliência regional frente a eventos extremos

A rápida resposta das autoridades canárias na ativação de planos de emergência e na coordenação de esforços demonstra a importância da preparação contínua diante de fenômenos climáticos extremos. A experiência adquirida em eventos anteriores tem sido fundamental para aprimorar os protocolos de segurança e a capacidade de resposta da região.

Os múltiplos órgãos de segurança e serviços públicos trabalham em conjunto para garantir que as informações sejam disseminadas de forma eficaz e que os recursos estejam disponíveis para quem precisar. Essa sinergia entre as entidades governamentais é crucial para mitigar os danos e proteger a vida dos cidadãos e dos muitos visitantes que anualmente escolhem as Canárias como destino.

A resiliência das comunidades locais é constantemente testada por esses eventos, mas a colaboração e a observância rigorosa das orientações de segurança são pilares para superar os desafios. A população demonstra uma notável capacidade de adaptação, seguindo as recomendações e contribuindo para a ordem em momentos de adversidade.

Tais ocorrências, embora desafiadoras, reforçam a necessidade de manter a infraestrutura preparada e a população consciente dos riscos. A cada tempestade, são extraídas lições valiosas que alimentam a revisão e o aperfeiçoamento dos planos de contingência, garantindo que as Canárias estejam cada vez mais aptas a enfrentar o futuro climático.

Lições e adaptação climática nas Canárias

Eventos como a tempestade Therese oferecem valiosas oportunidades para as Ilhas Canárias avaliarem e aprimorarem suas estratégias de adaptação às mudanças climáticas. O arquipélago, já exposto a diversas influências meteorológicas, continua a fortalecer sua capacidade de resposta e gestão de riscos, incorporando novas abordagens e tecnologias para proteger seu ecossistema e sua população.

Luís Henrique Costa é jornalista formado pela FMU, editor-chefe e fundador do Mix Vale, portal de notícias em atividade desde 2013. Responde pela direção editorial do veículo, que cobre Brasil e mundo em economia, benefícios sociais, esportes, tecnologia, ciência e entretenimento. Atua na área há mais de 15 anos e lidera uma equipe de cerca de 15 colaboradores.

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