Cardiologista é detido no RS acusado de estuprar pacientes sob sedativos; 14 mulheres depõem
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul prendeu preventivamente um cardiologista em Taquara, na Região Metropolitana de Porto Alegre, por suspeita de crimes sexuais graves cometidos contra suas pacientes durante consultas médicas. Até o momento, 14 mulheres já foram identificadas como possíveis vítimas, tendo registrado ocorrências e prestado depoimentos detalhados às autoridades. A investigação, que está em curso, revela um padrão de conduta alarmante, com o profissional supostamente utilizando medicação controlada para sedar as pacientes antes dos abusos, explorando a vulnerabilidade delas no ambiente clínico.
O delegado responsável pelo caso ressaltou que a apuração tem como foco a busca ativa por mais vítimas, pois há uma forte convicção de que o número de pessoas afetadas possa ser ainda maior. As denúncias e os relatos iniciais apontam para uma atuação sistemática do médico, cardiologista Daniel Pereira Kollet, que teria mantido esse comportamento por pelo menos dois anos. Após cada consulta, ele exigia segredo das pacientes, buscando silenciar as vítimas e evitar que os crimes viessem à tona. A comunidade local está em alerta diante da gravidade das acusações e da repercussão do caso.
Detalhes da investigação policial e o número de vítimas
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul intensificou as ações para desvendar a extensão dos crimes atribuídos ao cardiologista. Com 14 vítimas já formalmente ouvidas e seus depoimentos anexados ao inquérito, a força-tarefa da delegacia de Taquara opera com a premissa de que a rede de abusos é mais ampla do que o inicialmente imaginado. A identificação dessas mulheres foi crucial para solidificar as evidências contra o profissional, que agora responde por crimes de estupro de vulnerável e importunação sexual, conforme as tipificações legais.
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A diligência da equipe investigativa inclui a análise de prontuários, agendas e outros documentos pertinentes ao consultório do médico. Este trabalho minucioso visa mapear possíveis lacunas ou inconsistências que possam indicar um número maior de pacientes em risco ou que já foram vítimas. A busca ativa, como descrita pelo delegado, envolve a análise de padrões de atendimento e a comunicação com a população para encorajar novas denúncias, garantindo que todas as vozes sejam ouvidas e que a justiça seja aplicada de forma irrestrita.
O modus operandi do suspeito durante as consultas
Os depoimentos colhidos pela polícia delineiam um padrão de conduta perturbador por parte do cardiologista Daniel Pereira Kollet. Uma das pacientes, em seu relato, descreveu como o médico prescrevia medicação controlada e exigia retornos periódicos ao consultório. Foi nesses retornos, em um ambiente de suposta confiança e cuidado médico, que os estupros teriam ocorrido repetidamente. O delegado Valeriano explicou que o profissional “dopava a vítima e praticava estupros reiterados de forma sistemática”, resultando em um estado de vulnerabilidade extrema para as mulheres. As vítimas, sob o efeito dos sedativos, apresentavam-se “dopadas, se arrastando”, o que configura o crime de estupro de vulnerável devido à incapacidade de oferecer resistência ou consentimento. Este padrão de ação demonstra uma premeditação e um aproveitamento calculado da fragilidade das pacientes.
A voz das vítimas e a percepção de irregularidades
A coragem das vítimas em denunciar foi fundamental para o avanço das investigações. Uma das mulheres, desconfiada da conduta do cardiologista, decidiu levar uma familiar a uma consulta de retorno. Essa precaução se mostrou crucial, pois, na presença da acompanhante, o médico não realizou nenhum tipo de contato físico inadequado. A experiência levantou ainda mais suspeitas e motivou a paciente a buscar uma segunda opinião médica.
Ao consultar outro profissional de saúde, a vítima foi informada de que não apresentava nenhum problema de saúde que justificasse a medicação controlada que lhe havia sido prescrita, nem a necessidade dos retornos frequentes. Essa revelação solidificou a crença de que algo estava profundamente errado com os procedimentos e diagnósticos do cardiologista, impulsionando a formalização da denúncia à Polícia Civil. A identificação de padrões de comportamento e a troca de experiências entre as vítimas têm sido importantes para corroborar as acusações.
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A defesa do médico e sua versão dos fatos
O advogado Rômulo Campana, representante legal do cardiologista Daniel Pereira Kollet, refutou veementemente as acusações. Em nota oficial, a defesa declarou que o médico, com quase 30 anos de carreira, possui uma “conduta ilibada” e que sua atuação profissional “sempre foi pautada pela ética, responsabilidade e compromisso com a saúde de seus pacientes”. A equipe jurídica enfatizou que, até o momento, não teve acesso integral ao inquérito policial que levou à prisão preventiva de seu cliente.
A defesa informou que está aguardando o acesso completo aos autos do processo para então emitir uma nota oficial mais abrangente e que permitirá um esclarecimento mais detalhado dos fatos. Informalmente, durante sua prisão, o médico teria admitido à polícia que abraçava as vítimas, mas com a “intenção de demonstrar carinho e de orientações espirituais”. Essa declaração, contudo, contrasta com os depoimentos das vítimas, que descrevem toques não consensuais durante as consultas.
Posicionamento do Conselho Regional de Medicina
Diante da gravidade das denúncias envolvendo o cardiologista, o Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio Grande do Sul (Cremers) manifestou-se por meio de uma nota oficial. O órgão regulador expressou profundo conhecimento dos fatos e garantiu que medidas administrativas já foram tomadas para a devida investigação do caso. A entidade reforçou a seriedade da situação e a necessidade de uma apuração rigorosa e transparente.
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A nota do Cremers sublinha o compromisso com a ética médica e a proteção dos pacientes. O conselho afirmou que, caso as denúncias sejam comprovadas, todas as ações necessárias serão tomadas para punir os responsáveis, em conformidade com o Código de Ética Médica e as regulamentações profissionais. O órgão enfatizou que não compactua com condutas que desvirtuem a relação médico-paciente e que agirá com firmeza para salvaguardar a integridade da profissão e a confiança da população.
A condução do processo administrativo pelo Cremers correrá em paralelo à investigação criminal, podendo resultar em sanções que vão desde advertências até a cassação do registro profissional. A celeridade na apuração dos fatos é prioritária para o conselho, visando dar uma resposta à sociedade e às vítimas. A instituição também se coloca à disposição para colaborar com as autoridades policiais e judiciais, fornecendo subsídios técnicos e éticos para o esclarecimento completo da situação, buscando garantir a máxima transparência.
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Procedimentos legais e apelos à comunidade
Após a prisão preventiva, o cardiologista Daniel Pereira Kollet foi encaminhado para o Núcleo de Gestão Estratégica do Sistema Prisional (Nugesp), um centro de triagem localizado na capital gaúcha. A medida preventiva visa garantir a ordem pública, a conveniência da instrução criminal e a aplicação da lei penal, impedindo que o suspeito possa interferir na coleta de provas ou intimidar possíveis novas vítimas. O processo legal agora seguirá as etapas de inquérito, oferecimento de denúncia pelo Ministério Público e, se aceita, o início da ação penal.
A Polícia Civil reitera a importância da colaboração da comunidade para que a investigação possa ser concluída com a maior abrangência possível. As autoridades disponibilizaram um canal específico para denúncias anônimas, o telefone (51) 98443-3481. Este número serve como uma ferramenta vital para que outras possíveis vítimas ou pessoas com informações relevantes possam se manifestar, contribuindo para a elucidação completa do caso e a garantia de que a justiça seja feita para todas as mulheres afetadas.
O crime de estupro de vulnerável e suas implicações
O crime de estupro de vulnerável, conforme tipificado pelo Código Penal brasileiro, ocorre quando alguém tem conjunção carnal ou pratica outro ato libidinoso com pessoa que não tem o necessário discernimento para a prática do ato ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência. No contexto deste caso, a sedação das pacientes pelo cardiologista as tornaria incapazes de consentir ou resistir, enquadrando os atos alegados na definição desse crime grave. A pena para estupro de vulnerável é severa, podendo variar de 8 a 15 anos de reclusão, além de outras implicações legais e éticas que recaem sobre o profissional de saúde.

















