A Nissan firmou um memorando de entendimento com dois grupos empresariais argentinos. O documento abre caminho para transferência da operação comercial da marca no país vizinho. A medida segue o encerramento da produção da picape Frontier na fábrica de Santa Isabel, em Córdoba.
O acordo envolve o Grupo SIMPA e o Grupo Tagle. Ele prevê análise de uma possível migração para estrutura baseada em importação e distribuição por parceiros locais. A montadora japonesa mantém que as atividades comerciais seguem sem interrupção durante o processo.
Produção da Frontier chega ao fim em Córdoba
A fabricação local da Nissan Frontier terminou em outubro de 2025. A última unidade saiu da linha de montagem no dia 9 daquele mês na planta de Santa Isabel.
A picape começou a ser produzida em 2018 no complexo compartilhado com a Renault. O período totalizou sete anos de operação industrial da Nissan no país. Depois do fim, os veículos vendidos na Argentina passaram a ser importados. A fábrica continuou vinculada às atividades da Renault.
- A produção da Frontier iniciou em 2018 na linha compartilhada.
- O anúncio do encerramento ocorreu em março de 2025.
- A última unidade foi fabricada em 9 de outubro de 2025.
- A picape agora chega ao mercado argentino por importação.
- O complexo de Santa Isabel segue com projetos da Renault.
A decisão integrou ajustes na aliança entre as duas montadoras. A Renault planeja novos modelos no local a partir de 2026.
Memorando abre caminho para mudança no modelo de negócios
A Nissan confirmou a assinatura do memorando com o Grupo SIMPA e o Grupo Tagle. Os dois grupos atuam no setor automotivo argentino. O SIMPA representa várias marcas. O Tagle tem experiência em concessionárias e varejo de veículos.
O documento permite avaliação detalhada de aspectos comerciais, jurídicos e operacionais. Ainda não há acordo final. Caso avance, a operação passaria a um modelo de distribuidor local sem presença direta da subsidiária Nissan na Argentina.
O Grupo SIMPA deve assumir a maior parte da nova estrutura. Fontes indicam cerca de 90% da operação de importação. O Tagle ficaria com os 10% restantes. A transição envolveria gestão comercial, logística e rede de concessionárias.
Atividades comerciais seguem normalmente no país
A montadora garantiu continuidade das vendas de veículos. Lançamentos previstos permanecem no cronograma. O atendimento ao consumidor e os serviços de pós-venda também não sofrem alterações imediatas.
A rede de concessionárias continua a operar em todo o território argentino. O plano de ahorro da marca segue ativo. Clientes mantêm acesso a revisões, peças e suporte técnico durante a análise do memorando.
A Nissan reforçou que o memorando representa apenas etapa inicial de avaliação. Qualquer decisão final depende da conclusão dos estudos conjuntos.
Estratégia global orienta reorganização na América Latina
A mudança na Argentina se alinha ao plano Re:Nissan. O programa busca maior competitividade, revisão de portfólio e eficiência em diferentes mercados. A empresa concentra recursos em áreas estratégicas e adota modelos de distribuição em outros países da região.
No Chile e no Peru, a Nissan já fechou acordos com a Astara para distribuição oficial. Os dois mercados adotaram estrutura de importador com parceiro local. A unidade de negócios de importadores da Nissan reúne 36 mercados na América Latina.
A Argentina passaria a integrar esse grupo caso o acordo com SIMPA e Tagle se concretize. A montadora destaca o foco em bases para crescimento sustentável. Não foram informados prazos exatos para conclusão da análise.
Impacto na estrutura industrial e próximos passos
Com o fim da produção da Frontier, a Nissan deixou de atuar como fabricante na Argentina. A empresa passou a operar apenas com veículos importados antes mesmo da atual negociação comercial.
A planta de Santa Isabel, onde a picape era montada, permaneceu com a Renault. A francesa mantém atividades industriais no complexo de Córdoba e prepara lançamento de nova picape compacta chamada Niagara a partir de 2026.
A Nissan informou que não haverá interrupção no atendimento aos consumidores argentinos. A rede de concessionárias segue responsável por vendas, revisões e serviços. O processo de análise com os grupos locais continua em andamento.

