Carros elétricos perdem autonomia em atualizações remotas na China

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Carro elétrico Foto: Carro elétrico - onurdongel/ Istockphoto.com

Fabricantes chinesas de veículos elétricos estão alterando a capacidade de carga e autonomia das baterias por meio de atualizações de software remotas, sem consentimento explícito dos proprietários. A prática, conhecida como “bloqueio de bateria”, reduz significativamente o desempenho dos carros e aciona investigações de órgãos reguladores.

A China Media Group revelou que veículos homologados para rodar 500 quilômetros no ciclo chinês CLTC estão entregando menos de 300 quilômetros em uso real após as atualizações. O tempo de carregamento rápido em corrente contínua também aumentou de 40 para 70 minutos em alguns casos.

O mecanismo do bloqueio de bateria

Na prática, as montadoras alteram o sistema de gerenciamento da bateria (BMS) para limitar seu uso. O procedimento reduz a potência de recarga, desacelera a velocidade de carregamento ou impede que o motorista utilize toda a energia disponível no armazenador.

Um proprietário consultado pela emissora estatal informou que seu veículo aceitava cargas superiores a 100 quilowatts antes da atualização. Após instalar a nova versão do software, o carro passou a aceitar apenas 80 quilowatts, apesar do indicador de saúde da bateria marcar 95%. A autonomia real caiu de aproximadamente 450 a 480 quilômetros para menos de 400.

Carros elétricos
Carros elétricos – Foto: baona/ Istockphoto.com

Justificativa das montadoras e investigações

Empresas como BYD, Tesla e Zeekr negaram as acusações de bloqueios não autorizados. Segundo especialistas do site Car News China, os fabricantes implementam essas restrições por questões de segurança. Forçar menos a bateria diminui riscos de incêndio e prolonga a vida útil do componente.

Contudo, uma investigação revelou que oito fabricantes foram convocadas por órgãos reguladores chineses. Três delas estão sob investigação formal. Os nomes não foram divulgados publicamente.

A China Association of Automobile Manufacturers alegou que as acusações careciam de “fonte oficial”. O governo chinês, no entanto, confirmou que faz investigações sobre o tema. Em março, o país criou novas regras proibindo atualizações silenciosas para esconder falhas ou evitar recalls.

Novas regulamentações e orientações ao consumidor

As autoridades chinesas estabeleceram diretrizes rigorosas para proteger proprietários. Consumidores que suspeitam de alterações não autorizadas foram orientados a desativar a instalação automática de atualizações. Registros de reclamações sobre modificações indevidas também foram incentivados junto aos órgãos competentes.

O governo deixou claro que fabricantes devem informar explicitamente qualquer alteração que afete desempenho ou funcionalidades do veículo. A transgressão dessa regra pode resultar em multas substanciais e processos legais.

Impacto nos modelos brasileiros

Não há indícios de que essas atualizações remotas ocorram em carros vendidos no Brasil. Ainda assim, o tema gera preocupação local. Entre janeiro e abril de 2026, 80,1 mil dos 168,1 mil veículos importados pelo país vieram da China, representando 47,7% do total. As montadoras chinesas já dominam metade das importações brasileiras.

O tema reacendeu polêmicas sobre incêndios em carros elétricos. Apesar das preocupações, uma empresa chinesa desenvolve mecanismo capaz de ejetar a bateria do veículo durante situações de fuga térmica. Especialistas indicam que gerenciamento térmico durante carregadores ultrarrápidos permanece como principal desafio do setor.

Bruna Santos é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve e colabora para o portal desde 2024. Formação: Professora.

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