Ebola mata 65 pessoas em surto na província de Ituri, na República Democrática do CongoPor Beatriz
4 min de leitura
![]() |
A agência de saúde africana declarou um surto de Ebola na província de Ituri, na República Democrática do Congo. Até o momento, 246 casos foram registrados e 65 pessoas morreram. Os casos concentram-se principalmente nas cidades de mineração de ouro de Mongwalu e Rwampara.
O Centro Africano de Controle e Prevenção de Doenças (CDC África) confirmou os números na sexta-feira. A agência anunciou que convocará uma reunião com a República Democrática do Congo, Uganda, Sudão do Sul e outros parceiros internacionais para discutir esforços de resposta e vigilância nas fronteiras.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
Confirmação do vírus em amostras coletadas
Testes preliminares realizados no Instituto Nacional de Pesquisa Biomédica (INRB) em Kinshasa detectaram o vírus Ebola em 13 das 20 amostras analisadas. Os testes foram conduzidos após consultas com o Ministério da Saúde da República Democrática do Congo e o Instituto Nacional de Saúde Pública. Das 65 mortes registradas, apenas quatro foram confirmadas entre casos com laboratório positivo, segundo o CDC África.
Casos adicionais suspeitos foram relatados em Bunia, capital provincial de Ituri, e aguardam confirmação laboratorial. O Ministério de Saúde congolês não realizou declaração oficial do surto até o momento. Autoridades indicaram que uma coletiva de imprensa estava prevista para a sexta-feira.

Histórico de surtos e características da doença
A República Democrática do Congo registra sua 17ª epidemia de Ebola. O vírus foi descoberto em 1976 no que é atualmente o território congolês e acredita-se que tenha se originado de morcegos. O contágio ocorre por contato direto com fluidos corporais de pessoas infectadas, causando sangramento severo e falha de órgãos.
Os sintomas iniciais incluem:
- Febre alta
- Dor muscular
- Fadiga extrema
- Dor de cabeça intensa
- Dor de garganta
Não existe cura para a doença de Ebola. Aproximadamente 50 mil pessoas morreram do vírus em diferentes países africanos nos últimos 50 anos. O surto mais letal da República Democrática do Congo ocorreu entre 2018 e 2020, quando quase 2.300 pessoas faleceram. No ano passado, 45 pessoas morreram após um surto na provincia central de Kasai.
Contexto de segurança na região de Ituri
A província de Ituri está sob controle militar desde 2021. O governo civil foi substituído por um general militar em tentativa de neutralizar dezenas de grupos armados que operam há muitos anos na região. Um desses grupos é a Força Democrática Aliada (ADF), afiliada ao grupo Estado Islâmico.
A instabilidade na região complica a resposta a surtos de doenças infecciosas. As operações militares reduzem a mobilidade das equipes de saúde e dificultam o rastreamento de contatos. A presença de conflito armado prejudica a confiança das comunidades em campanhas de educação pública sobre prevenção.
Plano de resposta regional
O CDC África iniciou coordenação imediata com autoridades nacionais e internacionais. Uganda, país fronteiriço, foi alertada sobre casos em áreas próximas à fronteira. O Sudão do Sul também será incluído nas discussões de vigilância transfronteiriça, dada a circulação frequente de pessoas entre as regiões.
As equipes trabalham no rastreamento de contatos de todos os casos confirmados e suspeitos. Centros de tratamento foram ativados para isolamento de pacientes infectados e redução da transmissão comunitária. Orientações para profissionais de saúde foram distribuídas sobre equipamento de proteção individual (EPI) adequado.
Transmissão e período de incubação
O Ebola é transmitido exclusivamente por contato direto com sangue ou fluidos corporais de pessoas doentes ou mortas. Superfícies contaminadas e objetos pessoais representam risco se houver ruptura de pele. O período de incubação varia de 2 a 21 dias.
Não há transmissão por ar, água ou alimentos. Pessoas sem sintomas não transmitem a doença. Profissionais de saúde e cuidadores de pacientes enfrentam maior risco ocupacional se não utilizarem proteção adequada. A doença afeta indiscriminadamente pessoas de qualquer idade, embora taxas de mortalidade variem conforme acesso a cuidados intensivos.














