Menopausa vai além do calor: libido, sono e humor pedem atenção e tratamentoPor Janderson Luiz
4 min de leitura
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Ondas de calor são só uma parte da menopausa. Falta de libido, cansaço e alterações emocionais também fazem parte do quadro e podem afetar a saúde e a qualidade de vida das mulheres e de quem convive com elas. Para o ginecologista José Maria Soares Júnior, do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP), existe tratamento, e vale procurar um médico para investigar o caso.
A menopausa só é reconhecida depois que acontece: quando a mulher completa 12 meses consecutivos sem menstruar, segundo a ginecologista Alini Cunha.
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Como saber se é menopausa ou perimenopausa?
Antes da menopausa existe a perimenopausa, uma fase de transição marcada por oscilações hormonais. Nela, a mulher ainda menstrua, mas o ciclo pode mudar, com alterações no fluxo, piora do sono e irritabilidade. A ginecologista Alini Cunha afirma que esses sintomas precisam ser acolhidos sem banalização.
É preciso também investigar outros fatores que podem contribuir para o quadro, como estresse, sono de má qualidade e excesso de tarefas. Por isso, o plano de cuidado precisa ser individual.
Menopausa vai além das ondas de calor: libido, sono e humor
Os fogachos, nome técnico das ondas de calor, e a insônia são os sintomas mais conhecidos. A lista, porém, é maior. A queda da libido, o cansaço constante e as mudanças de humor aparecem com frequência e costumam ser subestimados.
Quando essas alterações passam a atrapalhar a rotina, a orientação é buscar avaliação. Isso vale para queixas físicas, emocionais, sexuais ou urinárias.
Principais sintomas e quando procurar um médico
- Ondas de calor (fogachos) e suores noturnos
- Alterações no sono e insônia
- Cansaço excessivo e falta de energia
- Irritabilidade, ansiedade e oscilações de humor
- Redução da libido
- Ressecamento vaginal e alterações urinárias
- Ganho de peso e dores de cabeça
Saúde íntima também faz parte da qualidade de vida
A menopausa pode afetar diretamente a saúde íntima. A ginecologista Fernanda Braga Ruguê cita sintomas geniturinários, como atrofia vulvar, ressecamento vaginal, dor no ato sexual e diminuição da libido. Esse conjunto costuma ser deixado de lado na conversa com os parceiros.
Com a visibilidade da menopausa nas redes sociais, também cresceu a oferta de tratamentos vendidos como atalhos para energia, libido, emagrecimento ou rejuvenescimento. Para Alini Cunha, o tratamento precisa ser ajustado conforme os sintomas, a resposta da paciente e a segurança. “Não existe receita mágica”, afirmou a ginecologista.
Tratamento hormonal é indicado para sintomas moderados a graves
José Maria Soares Júnior é professor associado da Faculdade de Medicina da USP e atua em ginecologia endócrina e climatério, segundo a página do programa de pós-graduação da instituição.
O Consenso Brasileiro de Terapêutica Hormonal do Climatério, de 2024, feito pela Sobrac em parceria com a Febrasgo, reafirma que a terapia hormonal é o tratamento mais efetivo para sintomas vasomotores moderados a graves. O documento também cita a prevenção da osteoporose e o tratamento de sintomas vulvovaginais moderados a graves.
A publicação orienta preferir a via não oral e lista situações em que o tratamento não deve ser usado, como câncer de mama, certos casos de câncer de endométrio, doença hepática descompensada e sangramento vaginal de causa desconhecida.
Consenso de 2024 fixa a janela para iniciar a terapia
O consenso chama de janela de oportunidade o período mais indicado para começar o tratamento:
- Início recomendado até os 60 anos de idade ou até 10 anos após a menopausa
- Começar depois disso aumenta o risco de doença coronariana, trombose venosa e AVC
- Mulheres sem sintomas de mudanças hormonais não têm indicação de reposição
- Estrogênio vaginal pode tratar sintomas genitourinários, segundo a diretriz brasileira de saúde cardiovascular na menopausa, publicada em 2024 pela SBC, Febrasgo e SIAC
As diretrizes pedem que a decisão considere benefícios e riscos de cada mulher, com formulações e doses individualizadas.














