Canetas emagrecedoras são associadas a menor risco de câncer de mama em estudo com 111 mil mulheresPor Bruna
4 min de leitura
![]() |
Mulheres que usaram canetas emagrecedoras tiveram 35,1% menos chances de receber diagnóstico de câncer de mama em um estudo da Universidade da Pensilvânia. Os dados foram apresentados em 2 de junho de 2026, no Congresso Americano de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago, e publicados no periódico JCO Oncology Practice. Trata-se de um estudo observacional, que não prova que os medicamentos causem a redução.
Segundo a própria universidade, a obesidade é um fator de risco conhecido para o câncer de mama, sobretudo depois da menopausa. A inflamação de baixo grau aparece entre os possíveis elos dessa relação, mas o estudo não mediu esse mecanismo.
Siga o Mix Vale no Google e veja nossas notícias primeiro
Estudo analisou 111 mil mulheres com sobrepeso e obesidade

A pesquisa usou prontuários da Penn Medicine de mulheres de 45 a 80 anos com índice de massa corporal igual ou acima de 25 e exames de mama. No total, 111.646 pacientes foram acompanhadas entre janeiro de 2022 e junho de 2025. Desse grupo, 15.264 (13,7%) tinham prescrição documentada de medicamentos da classe GLP-1, e 96.382 não tinham exposição registrada.
Na amostra completa, as usuárias tiveram 35,1% menos chances de câncer de mama. Em um grupo menor, com 30.528 mulheres e controles pareados para cada usuária, a redução foi de 30,5%. A médica Elizabeth McDonald, professora de Radiologia da Escola de Medicina Perelman, conduziu o trabalho.
Pesquisa não controlou tipo de medicamento nem tempo de uso
Os pesquisadores afirmam que o estudo não considerou qual GLP-1 foi usado, por quanto tempo, o risco genético nem o estágio do tumor. Como o grupo incluiu apenas mulheres com sobrepeso ou obesidade, o resultado não vale automaticamente para outros perfis.
McDonald disse que o objetivo é outro: “queremos encontrar opções melhores para prevenir o câncer de mama”, em tradução livre. Ela lembra que a sobrevida melhorou nas últimas décadas e diz que gostaria de ver o mesmo avanço na prevenção.
Ensaio clínico vai testar canetas em mulheres de alto risco
Segundo a Penn, a equipe trabalha para montar um estudo multicêntrico. O ensaio deve verificar se os medicamentos reduzem a incidência da doença em mulheres de alto risco, inclusive as que já tiveram câncer de mama. Etta Pisano, do American College of Radiology (ACR), que apoiou a pesquisa, afirmou que o grupo ainda busca financiamento para esse estudo prospectivo.
Outros estudos da ASCO apontam menor progressão do câncer
Um estudo da Cleveland Clinic, com cerca de 12 mil pacientes com tumores ligados à obesidade, encontrou entre 38% e 50% menos risco de evolução para câncer metastático, incluindo o de mama. No caso da mama, a progressão para estágio avançado foi cerca de metade da observada em quem usava outros medicamentos para diabetes.
Um estudo italiano com cerca de 27 mil mulheres com câncer de mama associou o uso de canetas a maior sobrevida. As reportagens divergem sobre o tamanho desse efeito, e por isso o número não entra neste texto.
Em obesos sem diabetes, usuários tiveram 41% menos cânceres ligados à obesidade
Um estudo publicado em 7 de junho de 2026 na Annals of Oncology analisou 161.796 adultos com obesidade e sem diabetes, pareados por propensão. A redução de 41% valeu para 13 tipos de câncer ligados ao excesso de peso, e no endométrio a queda foi de 58%. Entre os homens, a redução chegou a cerca de 70%.
A associação não apareceu de forma consistente entre participantes negros. O trabalho é o primeiro a avaliar especificamente obesos sem diabetes, grupo que os estudos anteriores pouco contemplavam. Os pesquisadores afirmam que a redução do risco ainda não deve ser motivo isolado para prescrever os medicamentos e sugerem estudos clínicos de longo prazo antes de qualquer uso preventivo.















