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Um surto de Ebola na República Democrática do Congo (RDC) apresenta velocidade de propagação maior do que estimativas iniciais indicavam. A informação foi confirmada por representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em entrevista à BBC. Mais de 513 casos suspeitos foram registrados no país até terça-feira, com 131 mortes confirmadas, enquanto Uganda reportou uma morte em seu território.

Modelos epidemiológicos desenvolvidos pelo Centro de Análise de Doenças Infecciosas Global, sediado em Londres, sugerem que houve “detecção substancial insuficiente” dos casos. Os pesquisadores não descartam a possibilidade de que mais de 1 mil pessoas já tenham sido infectadas pelo vírus.

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Disseminação já atravessa fronteiras e províncias

A Dra. Anne Ancia, representante da OMS, declarou à BBC World Service que investigações contínuas revelam dispersão do vírus além da região inicial. A província de Ituri, epicentro do surto, caracteriza-se como uma “área muito insegura com intenso movimento populacional”, dificultando ações de investigação e controle da epidemia.

O vírus já chegou à província de South Kivu, região que enfrenta crise humanitária prolongada há muitos anos. Um caso foi também confirmado em Goma, maior cidade do leste congolês, com população aproximada de 850 mil habitantes e sob controle de rebeldes apoiados por Ruanda.

A insegurança em várias províncias força deslocamentos frequentes da população, aumentando o risco de transmissão viral. Ruanda fechou suas fronteiras com a RDC como medida preventiva. Outros países africanos reforçaram triagens nas fronteiras e prepararam unidades de saúde para possível chegada de casos.

Cepa rara e potencial devastador

O surto é causado pela cepa Bundibugyo, variante rara do vírus Ebola que historicamente gerou apenas dois surtos anteriores. Naqueles episódios, cerca de um terço dos infectados foi a óbito. A cepa Zaire, que provocou o maior surto conhecido entre 2014 e 2016 na África Ocidental, matou 11.325 das 28.600 pessoas infectadas. Aquele evento causou disseminação internacional, atingindo Guiné, Serra Leoa, Estados Unidos, Reino Unido e Itália.

Diferentemente da cepa atual, o surto de Zaire dispõe de vacina aprovada. Para a cepa Bundibugyo não há imunizante disponível. A OMS avalia se medicamentos alternativos podem oferecer proteção aos infectados e expostos.

Ebola vírus
Ebola vírus – Corona Borealis Studio/shutterstock.com

Sintomas iniciais podem passar despercebidos

O vírus Ebola produz manifestações clínicas que se assemelham inicialmente à gripe. Febre, dor de cabeça e cansaço marcam as primeiras fases da doença. A semelhança com sintomas de enfermidades comuns retarda o diagnóstico em áreas com sistemas de saúde frágeis, facilitando a transmissão comunitária antes da identificação dos casos.

A OMS declarou o surto como emergência sanitária internacional na semana anterior. O diretor-geral Tedros Adhanom Ghebreyesus manifestou preocupação profunda com a escala e velocidade da epidemia. Estimativas indicam que o surto pode estar em andamento há várias semanas antes da detecção oficial em 24 de abril.

Evacuações e medidas de controle internacional

Um cidadão americano, identificado como Dr. Peter Stafford, missionário médico, está sendo evacuado da RDC após apresentar sintomas no fim de semana. O ministério da saúde alemão confirmou à BBC que um cidadão americano será transportado para tratamento em solo europeu.

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos trabalham na evacuação de ao menos seis americanos adicionais que tiveram exposição ao vírus. Tais deslocamentos refletem a gravidade da situação e o risco potencial de disseminação internacional.

Contexto de instabilidade complica resposta sanitária

A região onde o surto se concentra enfrenta conflito armado persistente. Populações deslocadas, movimentação frequente entre províncias e fronteiras, e acesso limitado a serviços de saúde criam cenário propício para expansão epidêmica. A falta de controle governamental em certas áreas prejudica implementação de medidas de contenção.

Ancia destacou que a progressão do conhecimento sobre o surto revela disseminação já ocorrida além das estimativas iniciais. Novas investigações continuam mapeando a real dimensão do problema, enquanto autoridades sanitárias globais intensificam monitoramento de fronteiras e preparação de recursos.

Beatriz Lima é colaboradora da redação do Mix Vale, portal de notícias com cobertura de Brasil e mundo. Produz conteúdo nas editorias de economia e benefícios, com foco em informação de serviço para o leitor brasileiro. Escreve para o portal desde 2024.

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