O líder indígena Cacique Raoni Metuktire, de 94 anos, encontra-se novamente hospitalizado em estado de saúde crítico. A internação ocorreu na tarde de ontem, e ele está sob cuidados intensivos na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, localizado em Sinop, Mato Grosso.
Detalhes sobre a deterioração do estado de saúde
Conforme o boletim médico divulgado, a liderança indígena apresentou quatro episódios de vômito em sua residência, entre o último sábado e a data da internação. Esses sintomas estavam acompanhados de tosse persistente com pequena quantidade de sangue e forte dor na região abdominal.
A condição de Raoni é classificada como grave, necessitando de atenção médica contínua e monitoramento ininterrupto. O cacique chegou à UTI com um significativo comprometimento de seu estado geral, exibindo sinais de desidratação severa, sonolência acentuada, distensão abdominal e ausência de produção de urina.
Exames preliminares detectaram alterações na função renal e marcadores indicativos de um processo infeccioso avançado. A principal hipótese levantada pela equipe médica aponta para sepse de origem pulmonar, secundária a uma pneumonia broncoaspirativa, causada pelos vômitos incessantes. Uma tomografia do abdome também revelou uma suboclusão gástrica, ou seja, uma obstrução parcial no estômago.
Em maio deste ano, o cacique já havia sido hospitalizado por vários dias na mesma instituição de saúde, também devido a fortes dores abdominais. Naquela ocasião, os exames diagnosticaram uma hérnia diafragmática traumática crônica, resultado de um acidente sofrido há mais de duas décadas. Dada a avançada idade de Raoni, os profissionais de saúde optaram por um tratamento conservador, evitando intervenções cirúrgicas.
Ao receber alta do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros em 21 de maio, após quase duas semanas de internação, o Cacique Raoni apresentava um quadro de saúde estabilizado. Anteriormente, em 7 de maio, ele havia sido atendido em Peixoto de Azevedo antes de ser transferido para Sinop, sendo transportado de avião até uma localidade próxima à sua residência, acompanhado por um familiar.
Após sua última saída do hospital, as orientações médicas incluíam acompanhamento clínico domiciliar e monitoramento diário rigoroso. Entre as recomendações prescritas estavam a administração contínua de medicamentos, fisioterapia respiratória constante, acompanhamento nutricional e cuidados permanentes, considerando suas comorbidades e a idade avançada.
O hospital também orientou a restrição de contato com indivíduos portadores de doenças infectocontagiosas e a presença de cuidadores em tempo integral. Além disso, a unidade desaconselhou viagens longas, sejam elas terrestres ou aéreas, com duração superior a três horas.
A saúde de Raoni já o levou a outros procedimentos e cancelamentos de eventos importantes. Ele passou por uma cirurgia para implante de marca-passo em 2022 e teve outras internações em 2020, sendo uma delas em decorrência da Covid-19.
Raoni é uma figura central entre os Kayapó, povo indígena com tradições nômades, e goza de reconhecimento global. Sua imagem, marcada pelo grande disco labial – um símbolo de um guerreiro pronto para defender sua terra – e seu cocar de penas amarelas, tem sido a voz há mais de 30 anos contra as ameaças do desmatamento aos povos da Amazônia.
A atuação do cacique foi crucial na demarcação dos territórios Mbêngôkre e na defesa dos direitos indígenas durante a Assembleia Constituinte. Ele liderou dezenas de guerreiros Kayapós a Brasília, em um esforço decisivo para assegurar a inclusão, no texto da nova Constituição, das garantias aos direitos e à demarcação das terras dos povos originários.
