Cinco jovens procuraram a Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (Deam) de Iporá, no oeste de Goiás, para denunciar o vazamento de fotos e vídeos íntimos após deixarem seus celulares antigos em dois comércios da cidade. Os registros foram formalizados na quinta-feira (22), e a Polícia Civil abriu investigação para apurar a extração e o compartilhamento das imagens em grupos de mensagens.
Segundo o advogado Victor Hugo Neves Silva, inscrito na subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Iporá e integrante do escritório que representa as vítimas, os arquivos foram retirados dos aparelhos durante o procedimento de troca de dispositivos. “O ponto central do caso é a extração de imagens íntimas dos aparelhos das vítimas sem o conhecimento ou consentimento delas, bem como a posterior divulgação desse material, ocasionando graves violações à intimidade, à privacidade e à dignidade dessas mulheres”, disse o defensor.
Como ocorreu a entrega das senhas nas lojas de Iporá
De acordo com o relato da defesa, as jovens adquiriram celulares novos nos estabelecimentos, que atuam na venda e troca de aparelhos, e deixaram os dispositivos antigos para a transferência de arquivos. Para executar o serviço técnico, os responsáveis pelos comércios solicitaram as senhas de desbloqueio das clientes.
A suspeita apresentada pelo advogado é a de que os dois empresários utilizaram o acesso liberado pelas senhas para transferir fotos e vídeos privados das proprietárias para um aparelho externo. A partir dessa extração, o conteúdo passou a circular na internet.
“Após o vazamento, as imagens passaram a circular em grupos de mensagens, sendo compartilhadas por terceiros, o que ampliou significativamente os danos sofridos pelas vítimas”, afirmou Victor Hugo Neves Silva.
Posicionamento dos dois comércios investigados em Iporá
Os nomes das duas lojas e dos empresários suspeitos não foram divulgados pelas autoridades nem pela defesa das jovens. A forma exata como o material extraído foi inicialmente lançado na rede ainda é apurada pela Polícia Civil.
Procurados durante a apuração do caso na cidade, os dois estabelecimentos se manifestaram sobre as denúncias feitas na quinta-feira, 22 de outubro de 2026. Uma das empresas divulgou nota negando qualquer ligação com os vazamentos e informou que o caso está sob análise interna. O segundo comércio repudiou as acusações e solicitou que as informações sejam investigadas com base em fatos e evidências.
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Pena prevista na lei e dados da investigação na Deam de Iporá
A Polícia Civil informou que conduz o inquérito para identificar a autoria do vazamento inicial e dos repasses do material. O resumo da ocorrência registrada no município reúne os seguintes dados oficiais:
- Órgão responsável pela apuração: Delegacia Estadual de Atendimento Especializado à Mulher (Deam) de Iporá (GO).
- Data de formalização das denúncias: 22 de outubro de 2026.
- Quantidade de denunciantes identificadas: 5 jovens.
- Estabelecimentos citados nos relatos: 2 comércios de venda e troca de celulares.
- Pena prevista informada pela Polícia Civil: até 10 anos de reclusão pelo crime de divulgação de registros íntimos.
Ações judiciais contra o compartilhamento em grupos de mensagens em Iporá
O escritório de advocacia que atende as cinco mulheres informou que o total de pessoas afetadas na cidade pode ser maior do que o registrado inicialmente na delegacia. A equipe jurídica monitora a circulação ilegal dos arquivos em aplicativos de mensagens para identificar novos envolvidos.
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Além da apuração criminal sobre a conduta nos dois comércios, a defesa prepara ações de reparação de danos contra moradores e usuários que repassam as fotos e os vídeos. “Nosso escritório também está adotando as medidas judiciais cabíveis contra aqueles que continuam divulgando esse conteúdo, pois o compartilhamento não autorizado de imagens íntimas também pode configurar crime, independentemente de quem tenha realizado o vazamento inicial”, declarou o advogado Victor Hugo Neves Silva.
