Mulheres que acompanham influenciadoras nas plataformas digitais, com foco em temas da menopausa, frequentemente se deparam com discussões sobre a creatina, um suplemento amplamente conhecido em círculos de atletas e fisiculturistas. Esse composto é promovido como uma solução em potencial para amenizar uma gama de sintomas e riscos à saúde associados à transição menopáusica, abrangendo desde as incômodas ondas de calor até infecções urinárias.
O organismo humano sintetiza naturalmente a creatina, substância que se acumula majoritariamente nos músculos, onde desempenha papel crucial na produção de energia. Além da síntese interna, grande parte da população também adquire creatina através da alimentação, especialmente por meio do consumo de carnes e frutos do mar.
A premissa fundamental defendida por influenciadores que abordam a menopausa é direta: a redução dos níveis de estrogênio na perimenopausa frequentemente resulta em diminuição da massa muscular. Embora profissionais da saúde aconselhem a prática de exercícios de força para combater essa perda, os entusiastas da suplementação com creatina sugerem que ela pode potencializar os resultados do treinamento e promover uma melhor qualidade de vida para as mulheres em processo de envelhecimento.
Há influenciadoras digitais que também propagam a ideia de que a creatina é capaz de otimizar a memória e o estado de espírito, aspectos que muitas mulheres reportam dificuldade em manter durante e após o período da perimenopausa.
A forma de creatina conhecida como monohidratada foi objeto de mais pesquisas em comparação com diversos outros suplementos, os quais, em geral, carecem de evidências robustas que comprovem sua eficácia superior a um placebo no alívio dos sintomas menopáusicos. Embora a creatina seja amplamente considerada segura e alguns estudos indiquem um aumento modesto na massa muscular e no desempenho físico para certos grupos, a compreensão completa de seu funcionamento em mulheres na menopausa ainda está em desenvolvimento.
Avaliando os benefícios da creatina no desenvolvimento da massa muscular
Há indicativos científicos, incluindo resultados de ensaios clínicos randomizados e controlados, que apontam para a capacidade dos suplementos de creatina em contribuir para o aumento da massa muscular e aprimorar o desempenho físico. Tais vantagens podem ser particularmente relevantes para atletas de alta performance, onde até mesmo avanços mínimos podem gerar impactos consideráveis.
Contudo, a maior parte das investigações sobre os efeitos da creatina tem priorizado o público masculino, e estudos que contemplaram a participação feminina sugerem que os homens podem experienciar ganhos mais expressivos. Por essa razão, especialistas afirmam que os dados existentes não podem ser automaticamente aplicados a todas as mulheres, e muito menos de forma específica para aquelas que estão no período da menopausa.
Certas pesquisas que se dedicaram a mulheres exibiram restrições adicionais. Um exemplo é um estudo, cujo sumário foi divulgado no ano passado, que observou “incrementos significativos na força da parte inferior do corpo em participantes na peri e pós-menopausa” que utilizaram creatina; entretanto, a amostra continha apenas 15 pessoas e o trabalho completo não foi divulgado. Outro artigo, de 2021, inferiu que a creatina poderia favorecer a força e o desempenho físico, mas as investigações citadas apresentavam qualidade variada, e dois de seus autores admitiram ter prestado consultoria científica a uma companhia produtora de suplementos de creatina.
Conforme uma meta-análise divulgada no ano anterior, a creatina demonstrou melhorar a força muscular na população em geral; porém, devido à escassez de dados, o estudo não conseguiu estabelecer conclusões definitivas sobre seus efeitos em indivíduos de meia-idade, em contraste com outras faixas etárias, e ressaltou a presença de um “viés de gênero” nos dados científicos então existentes.
Pelin Batur, diretora médica do Centro Abrangente de Saúde e Pesquisa da Mulher na Cleveland Clinic, afirmou que as informações relativas aos impactos da creatina em mulheres são, “na verdade, bastante limitadas.”
Nanette Santoro, que atua como professora de obstetrícia e ginecologia na Faculdade de Medicina da Universidade do Colorado e dedica-se ao estudo da menopausa, manifestou concordância com essa visão. Ela enfatizou: “Ainda estamos distantes de possuir estudos apropriados, especificamente realizados em mulheres, que justifiquem a recomendação.”
Em contrapartida, Bonnie Jortberg, nutricionista e professora associada de medicina familiar na Faculdade de Medicina da Universidade do Colorado, expressou que, para ela, as evidências são suficientemente consistentes para endossar o uso do suplemento. Embora declare não apoiar a maioria dos suplementos, Jortberg considerou o artigo de 2021 e suas referências persuasivos, levando-a a crer que a creatina poderia auxiliar mulheres no combate à perda muscular associada à menopausa. Ela sublinhou: “Para que haja um impacto efetivo na massa muscular, é indispensável aliar essa abordagem a um programa de treinamento de resistência.”
O impacto do suplemento na memória e no bem-estar emocional
A quantidade de pesquisas publicadas sobre os efeitos cognitivos da creatina é menor em comparação com os estudos sobre seus benefícios musculares. Além disso, as investigações disponíveis frequentemente exibem as mesmas limitações, como amostras reduzidas, potenciais conflitos de interesse e uma atenção desproporcional à população masculina.
Segundo Jortberg, algumas investigações sugerem que a creatina pode ter um papel benéfico na memória, possivelmente otimizando o metabolismo energético cerebral. Há também outras pesquisas, embora restritas em escopo, que indicam um possível auxílio na melhoria do humor.
No entanto, Batur ressaltou que essas conclusões não são definitivas, classificando os benefícios potenciais como “muito modestos”.
Considerações essenciais sobre a segurança da creatina
Independentemente de sua comprovação de eficácia, diversos especialistas confirmaram que a creatina é, em termos gerais, um composto seguro, com a ressalva de potenciais efeitos colaterais como desconforto gástrico ou retenção hídrica. É crucial que indivíduos com condições renais preexistentes evitem o consumo de creatina sem prévia consulta médica.
As doutoras Batur e Santoro declararam que, apesar de não apoiarem o uso de suplementos de creatina com base em evidências clínicas sólidas, não necessariamente desaconselhariam um paciente saudável que manifestasse forte interesse em experimentá-la para o aumento de massa muscular ou para mitigar sintomas cognitivos. Santoro comentou: “A creatina possui um custo relativamente acessível e não acarreta riscos significativos. Tenho certeza de que não funciona? Não. Prejudicará meu paciente? Provavelmente não.”
Jortberg recomendou que indivíduos que decidem utilizar creatina para aliviar sintomas menopáusicos não excedam a ingestão de cinco gramas diariamente. Ela explicou que a capacidade de armazenamento nos músculos é limitada, e dosagens superiores podem elevar a probabilidade de ocorrência de efeitos colaterais indesejados.
É importante notar que todos os suplementos dietéticos carregam o risco inerente de contaminação ou inconsistência na dosagem, uma vez que não estão sujeitos à mesma fiscalização rigorosa aplicada aos medicamentos prescritos.
Certas entidades certificadoras independentes, como a USP e a NSF, realizam inspeções e certificam suplementos, o que significa que a escolha de uma marca que ostente uma dessas certificações pode auxiliar na diminuição dos riscos associados à baixa qualidade do produto.
Santoro concluiu que “a creatina obteve grande impulso devido à influência das redes sociais. Para que haja uma validação científica, são necessários estudos com a participação de centenas ou milhares de indivíduos, e os resultados precisam ser replicados em diferentes contextos de pesquisa.”

